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Mercado

CEO da Movida (MOVI3) vê 5 anos de crescimento agressivo para aluguel de carros

Renato Franklin, CEO da Movida, comenta sobre o atual momento do segmento no País

Por Mateus Apud

01/11/2020 | 19:11 Atualização: 28/12/2020 | 13:19

Renato Franklin, CEO da Movida. Foto: Rodrigo Rosenthal
Renato Franklin, CEO da Movida. Foto: Rodrigo Rosenthal

A pandemia da covid-19 impôs severas medidas de restrições sociais e afetou quase todos os setores da economia, principalmente aqueles que dependem principalmente da circulação das pessoas. Um deles, que é o segmento de aluguel de carros, no entanto, conseguiu atravessar bem a crise e até se beneficiou dela.

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Com três grande players no setor, Movida (MOVI3), Localiza (RENT3) e Unidas (LCAM3), as duas últimas empresas já divulgaram seus balanços referentes ao 3T20 e apresentaram bons resultados. A Localiza registrou lucro líquido de R$ 325,5 milhões, alta de 59% ante o mesmo período de 2019, e a Unidas de R$ 124,2 milhões, crescimento de 44,4% na mesma base de comparação.

Segundo Renato Franklin, CEO da Movida, a companhia não deve ficar para trás e também irá ter fortes resultados referentes ao terceiro tri de ano – que está programado para ser reportado em 10 de novembro após o fechamento do mercado. “Estamos melhorando mês a mês e o 3T20 vai mostrar a continuidade da nossa evolução”, diz Franklin.

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Confira os principais trechos da entrevista exclusiva do CEO ao E-Investidor:

E-Investidor: Como a pandemia afetou o setor e qual a sua avaliação do atual momento dele?

Renato Franklin – O setor como um todo engloba as viagens de turismo e corporativa e também pelo uso do carro por assinatura para pessoa física e jurídica. Então, no começo da pandemia nós tivemos impactos em cada um desses nichos.

Viagens sofreu bastante no começo, mas apesar dos voos ainda não terem voltado a demanda para este segmento já estão maiores do que no início da crise. As pessoas estão valorizando as viagens de curta distância e a procura está muito forte.

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O carro por assinatura também cresceu forte, por conta das pessoas querem fazer mais caixa ou se modernizar e as empresas trabalhar com uma frota terceirizada. Além disso, a gente lançou nosso e-commerce para o carro com assinatura e isso nos impulsionou.

E esse movimento não foi só com a Movida, o setor inteiro está em um bom momento. O mercado de aluguel de carros vem crescendo cerca de 20% ao ano e eu acredito que vamos continuar apresentados resultados tão fortes quanto nos próximos cinco anos.

E-Investidor: O que sustenta essa boa perspectiva para o mercado nos próximos anos?

Franklin – Apenas 3% das pessoas habilitadas na País já alugaram carro, então a penetração ainda é muito baixa e tem muito espaço para crescer. A partir do momento que a pessoa descobre que pode alugar carro para fazer viagem, isso entra na rotina dela. Além disso, o carro por assinatura também vai crescer muito e esse esse segmento vai ser nosso maior mercado.

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Eu acredito em um mercado potencial de 400 mil carros de assinatura por ano no Brasil. Obviamente não temos capacidade de absorver tamanho demanda. Então, vamos o ver o setor como um todo apresentando fortes resultados com todos os players crescendo.

Vai ser uma competição racional e saudável entre as companhias, não vai ser uma contra a outra. Ainda, eu acredito que nos próximos anos vamos ter competição além das três, ou possivelmente duas, que têm agora no mercado. É um setor muito grande, com crescimento e retorno muito alto.

E-Investidor: Qual a estratégia da Movida para aproveitar o potencial do mercado e se destacar?

Franklin – Nosso plano de crescimento se passa pelas bases da companhia. Sempre crescemos muito se posicionando no mercado digital. Mais de 65% das nossas vendas já são neste canal, o que é muito a mais do que o resto do mercado.

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Então, esse é nosso posicionamento e é onde vamos focar em crescer ainda mais. Temos três modalidades diferentes para assinatura de carros para oferecer a melhor comodidade para os clientes e só na Movida é possível fazer todo o processo on-line e só ir na loja para retirar o carro.

Ainda, colocamos uma solução totalmente on-line para os seminovos e vendemos muito carros nesta modalidade, chegando até a bater recordes mesmo com as lojas fechadas.

Outro ponto que buscamos é o e-commerce, que foi impulsionado pela pandemia e nós fomos a primeira do setor a entrar nesse mercado. Vamos apostar cada vez mais nele para crescer junto.

Para isso, lançamos um novo produto, o Movida Cargo, que é voltado para entregas e fechamos um primeiro acordo de exclusividade com a Magazine Luiza. É um mercado gigante, queremos penetrar mais nele e será uma avenida de crescimento forte para nós.

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Ademais, ainda tem a a gerência de frota terceirizada de empresas empresas. Na pandemia diversas companhia refizeram as contas e viram que tem benefícios não ter frota própria. Nós conseguimos ter mais eficiência nesse gerência e estamos posicionados de uma forma robusta para entregar uma solução eficiente.

E-Investidor: A pandemia atrapalhou de alguma forma essa estratégia de crescimento?

Franklin – A pandemia foi muito triste e ruim para o mundo inteiro. Porém, no ponto de vista do nosso negócio foi positivo. Conseguimos melhorar a companhia, a gestão, a eficiência operacional e ampliar a margem de crescimento.

A Movida sai mais forte da crise e teremos um 2021 melhor agora do que seria se a pandemia não tivesse acontecido, tanto no ponto de vista de crescimento e de rentabilidade.

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Dito isso, enxergamos uma avenida de crescimento muito boa e estamos preparados para um novo ciclo de crescimento ainda mais forte do que já entregamos. Estamos muito animados para os próximos anos.

E-Investidor: Os resultados do 3T20 da Movida devem vir fortes como a de suas concorrentes?

Franklin – A Movida sempre teve um crescimento grande, mas tínhamos uma limitação de crescimento do balanço pois nossa alavancagem era muito alta. Hoje, nosso alavancagem é bem baixa e estamos melhorando ela ainda mais.

Isso porque a pandemia nos permitiu focar bastante no nosso negócio e melhorar a operação. Então, vamos ter um ganho de margem, que vai se refletir no aumento do Ebtida, que diminuiu ainda mais a alavancagem e aumenta a capacidade de crescimento. Então, no ponto de visto da balanco, nosso gargalo de crescimento foi resolvido.

Os resultados virão fortes, estamos melhorando mês a mês e o 3T20 vai mostrar a continuidade da nossa evolução. Vínhamos de nove trimestres consecutivos de evolução clara, tivemos um negativo que foi a pandemia e agora recuperamos o ‘normal’ e vamos entregar novamente trimestre após trimestre um bom desempenho.

E-Investidor: O acordo de incorporação de ações da Unidas (LCAM3) pela Localiza (RENT3) alterou o planejamento da Movida e podemos esperar algum movimento parecido da empresa?

Franklin – Esse movimento não afeta nosso planejamento de forma nenhuma. Temos três pilares essenciais e mantemos eles, que são: ter o melhor NPS, o menor custo por carro e nos tornar uma plataforma on-line.

Então, a estratégia permanece igual, só aumenta nosso compromisso de crescer a companhia. Como já comentei, provavelmente vamos ter novos players no mercado e se a Movida for a preferência dos clientes, nós seremos escolha natural desses empresas para possíveis alianças.

Esse movimento não está descartado e possibilidade disso acontecer é grande. Hoje não há nada de concreto nessa linha, mas no futuro pode-se imaginar algo como uma joint venture, revenue share ou até a Movida como prestadora de serviço.

Não tem como saber quais empresas vão entrar neste mercado, mas podem ser bancos, montadoras e até empresas de tecnologia. Porém, eles não tem capilaridade ou não conseguem prestar os serviços necessário.

A Movida pode ser uma parceira destas companhias e todas vão escolher quem tem a preferência do cliente. Então, no momento não buscamos ser os maiores, mas sim os melhores.

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