

O Nubank (ROXO34) reportou um resultado abaixo das estimativas do mercado e a ação aparenta estar pouco atrativa no momento, dizem analistas consultados pelo E-Investidor nesta sexta-feira (21). Ontem, a companhia reportou lucro líquido de US$ 552,6 milhões no quarto trimestre de 2024, aumento de 85% na comparação com o mesmo período de 2023.
Às 13h10, as ações do Nubank no Brasil, conhecidas como Brazilian Depositary Receipt (BDR), desabavam 14%, a R$ 10,49. Os papéis fecharam o pregão com baixa de 15,08%, a R$ 10,36. Os papéis do Nu tiveram queda superior a 18% em Nova York, resultando na queda do valor de mercado da empresa de US$ 63,6 bilhões para US$ 52,7 bilhões, conforme cálculos de Einar Rivero, CEO da Elos Ayta Consultoria.
Para os analistas da XP Investimentos, o lucro do Nubank foi sólido, mas ainda abaixo do esperado em função de uma dinâmica de crescimento mais lenta. Segundo eles, embora o lucro tenha saltado, o número ficou 2% abaixo do que o banco esperava, o que resultou numa rentabilidade, medida pelo retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de 29%.
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“A fórmula do Nubank continua funcionando bem: o custo de servir permanece estável, enquanto seu motor de vendas segue adicionando 4 milhões de clientes por trimestre, contribuindo para a expansão da receita, além de uma leve aceleração no ARPAC (Receita Média Mensal por Cliente Ativo) em comparação com o trimestre anterior”, dissertam Bernardo Guttmann, Matheus Guimarães e Rafael Nobre, que assinam o relatório da XP.
Na visão da Ativa Investimentos, a principal decepção com o Nubank veio com a expansão acelerada da carteira de crédito, mas com um desempenho abaixo do esperado no ganho com juros (spread). Para os analistas, isso foi frustrante, considerando especialmente a sazonalidade do quarto trimestre no cartão de crédito, que tradicionalmente eleva ainda mais as expectativas.
“O banco vinha afirmando ao mercado que a expansão do spread compensaria o avanço da inadimplência. No entanto, mesmo considerando que parte dessa redução é explicada por fatores cambiais, a queda no spread, especialmente em relação às receitas, é vista de forma negativa”, explicam Ilan Arbetman e Pedro Dietrich, que assinam o relatório da Ativa.
Nubank tem poucas opções de crescimento
Já o BTG Pactual diz que as questões cambiais, a expansão no México e as mudanças no mix de empréstimos mostraram que o banco teve um trimestre indiscutivelmente misto. Os analistas do banco afirmam que os negócios no Brasil mostram sinais de maturidade, com menos espaço para crescimento, particularmente em cartões de crédito, segmento no qual a companhia havia conseguido dominar o espaço.
“Expandir em um ritmo rápido e acelerado em empréstimos pessoais não garantidos, em teoria um produto menos ‘comprovado’, torna-se cada vez mais importante para o Nubank atender às expectativas muito altas para seu crescimento e lucratividade em 2025. Por isso, permanecemos construtivos na tese de investimento e na empresa, mas neutros nas ações do Nubank devido à avaliação”, dizem Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Thiago Paura.
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Ou seja, o Nubank reportou um balanço abaixo do esperado, com as promessas dos ganhos com juros compensando a inadimplência não se concretizando e ainda sem mostrar crescimento em suas principais linhas, o que para o mercado é uma grande decepção, visto que os otimistas enxergam que o banco um dia pode ultrapassar o Itaú. Em meio a esses pontos, os três analistas dizem que o investidor não deve comprar a ação do Nubank.
A XP tem recomendação neutra para Nubank (ROXO34) com preço-alvo de R$ 11,30, queda de 7,37% em relação ao fechamento de quinta-feira, quando o Brazilian Depositary Receipt (BDR) encerrou o pregão a R$ 12,20. A Ativa tem recomendação neutra com preço-alvo de R$ 12,00 para o fim de 2025, queda de 1,63% em relação ao fechamento de quinta. A recomendação do BTG é neutra para a ação cotada em Nova York, com preço-alvo de US$ 11,50, baixa de 13,8% em relação ao fechamento de quinta-feira, quando a ação encerrou o pregão a US$ 13,34.