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Direto da Faria Lima

A aposta da Journey para vencer a briga de gestoras pelos clientes de alta renda no Brasil

Asset que cresceu com atuação em recuperações judiciais agora foca no wealth management

Por Luíza Lanza

02/10/2025 | 9:52 Atualização: 02/10/2025 | 9:52

Rogê Rosolini, managing partner da Journey Capital. (Arte de Victoria Fuoco / Foto: Divulgação/Journey Capital)
Rogê Rosolini, managing partner da Journey Capital. (Arte de Victoria Fuoco / Foto: Divulgação/Journey Capital)

Depois de pouco mais de dez anos de mercado, onde fez fama e dinheiro atuando em operações complexas de recuperações judiciais de empresas, a Journey Capital quer entrar de vez na disputa pela gestão de fortunas no Brasil. A gestora lançou um braço de wealth em 2024, um negócio criado para ser o B2C da asset e oferecer a clientes com patrimônio entre R$ 2 milhões a R$ 20 milhões um serviço mais customizado de gestão de carteiras.

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Essa é uma história que vem acontecendo em vários endereços da Faria Lima. Como mostramos aqui, o mercado de consultorias no Brasil está super aquecido, disputando esse público de alta renda que costumava ficar desassistido por ser pequeno para ser considerado private e acessar o melhor dos serviços dos bancões, mas grande o suficiente para demandar outro tipo de atendimento além daquele oferecido ao varejo. Por isso, tem cada vez mais players de olho no segmento.

Para se diferenciar na disputa, a Journey lançou uma nova linha de negócios para crescer por vias “menos tradicionais”. Ao invés de capturar só investidores, quer atrair assessores e consolidar sua expansão no B2B.

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“Hoje está cada vez mais claro que o canal de distribuição desse cliente que não está no private é um banker, um consultor de valores mobiliários. Pensamos que era preciso criar uma metodologia para facilitar o trabalho desse banker e tornar a vida do cliente dele mais simples”, explica Rogê Rosolini, managing partner da Journey Capital.

Em um mundo em que produtos viraram commodities, os executivos da casa sentiam que era preciso ajudar esse profissional a escolher o que colocar dentro da carteira do cliente, sem depender dos rebates dos produtos, comissionamento ou do marketing de uma plataforma ou outra. Assim surgiu a Spock, como a gestora apelidou o “Software for Portfolio Optimization and Client Knowledge”, um sistema que une uma série de informações sobre o investidor, seu perfil de risco e objetivos, além de consolidar suas carteiras de diferentes instituições em uma plataforma só.

Mas o grande diferencial, na visão da casa, é oferecer esse serviço de tecnologia junto à expertise de análise de balanços e modelagem financeira que construiu na última década ao se especializar em crédito privado. No fim das contas, trata-se de uma curadoria de produtos, empresas e gestoras que vai ajudar o banker a selecionar onde investir o patrimônio do cliente.

A nova plataforma funciona a partir de “building blocks”, blocos direcionados a cada estratégia de investimento que, juntos, compõem um portfólio balanceado de acordo com a recomendação da gestora. Há blocos de renda fixa indexada à inflação, por exemplo, assim como de multimercados, ações e imobiliário.

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Um exemplo de como isso funciona na prática: no building block dos multimercados, a Journey mapeou os 4,3 mil fundos abertos disponíveis hoje no Brasil e filtrou os ativos a partir de janelas móveis entre 36 e 12 meses. O objetivo era encontrar fundos com histórico e track record que superassem CDI + 5% anualmente, o retorno que a gestora considera necessário para justificar as taxas altas do produto. Sob essa métrica, os 4,3 mil ativos viram 55.

A partir disso, a asset fez uma pesquisa qualitativa com cada um, entrevistando gestores para entender o racional de cada estratégia e de cada time. Nesse crivo, apenas 12 fundos passam; sete deles estão disponibilizados como opções para os bankers que contratarem o Spock. Os outros cinco compõem um “banco de reserva”, opções que a gestora pode vir a disponibilizar caso um ativo que está na seleção deixe de performar bem, por exemplo.

O sistema foi lançado há poucos meses e ainda tem melhorias a serem feitas, destaca Rosolini. Mas já tem seus dois primeiros parceiros, uma empresa de consultoria e uma assessora de investimentos. “As empresas mantêm suas identidades, cuidam do relacionamento comercial com os investidores, prestam outros serviços e a Journey Wealth cuida exclusivamente dos investimentos. O modelo resolve uma preocupação que muitos assessores de investimentos têm: eles passam a ser donos de seus relacionamentos.”

Ao ganhar esses assessores e consultores, os recursos investidos ficam sob a gestão da Journey, o que permite que a empresa cresça seu AuM e ganhe share de mercado. Mas não há a intenção de puxar os clientes que chegam pelo B2B para o B2C, explica o executivo. É preciso ser fiel ao relacionamento (e contrato) criado com o banker. O objetivo mesmo é se consolidar no B2B, por onde, por meio da tecnologia, a asset consegue escalar os negócios sem precisar formar seus próprios bankers, um processo que levaria mais tempo e recursos.

“A gente tem muita pressa, porque essa indústria está efervescente, tem vários modelos novos, e ainda não sabemos qual será o vencedor. Gostaria muito que o Spock fosse um deles”, diz o manager da Journey.

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