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Direto da Faria Lima

“A demanda chegou à Faria Lima”: Mercado Bitcoin cria área exclusiva para alta renda investir em cripto

Nova unidade do MB é dedicada a investidores 'ultrahigh' e 'family offices', sob a liderança de Felipe Whitaker, ex-UBS e BTG Pactual

Por Beatriz Rocha e  Isabela Ortiz 

25/09/2025 | 9:57 Atualização: 25/09/2025 | 9:57

Mercado Bitcoin lança MB Ultra para alta renda e mira R$ 2 bi em gestão (Foto: Adobe Stock)
Mercado Bitcoin lança MB Ultra para alta renda e mira R$ 2 bi em gestão (Foto: Adobe Stock)

O Mercado Bitcoin (MB), plataforma de ativos, deu um passo estratégico para ampliar sua atuação no mercado de alta renda com o lançamento do MB Ultra, área dedicada a clientes ultrahigh e family offices. O projeto surge em meio ao avanço da institucionalização dos criptoativos no Brasil — onde já há mais investidores com exposição a moedas digitais do que em ações na Bolsa — e tem como meta alcançar R$ 2 bilhões em ativos sob gestão nos próximos anos.

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À frente da iniciativa está Felipe Whitaker, executivo com mais de duas décadas de experiência em wealth management e investment banking, que chega para estruturar um canal de aproximação entre investidores e o universo dos ativos digitais – um movimento que, segundo ele, surge de forma “muito natural”.

Felipe Whitaker, ex-UBS e BTG Pactual, chega à empresa para estruturar a frente de negócios que terá R$ 2 bilhões em ativos sob gestão, voltada para alta renda
(Foto: divulgação)

“Eu tenho dedicado a minha vida e meu olhar como investidor e profissional do mercado financeiro aos ativos digitais nos últimos cinco anos”, contou Whitaker.

Em entrevista exclusiva ao E-Investidor, ele conta que sua trajetória começou no Pactual, ainda como estagiário, e se desenvolveu ao longo das transformações que deram origem ao BTG Pactual. Depois, passou pelo UBS — “o maior gestor global de fortunas, muito focado no público Ultra High Net Worth [patrimônio líquido ultra-alto] ” —, onde aprendeu sobre a relação com clientes sofisticados, seus medos e preocupações com legado, sucessão, proteção patrimonial e eficiência fiscal.

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Com o tempo, ele migrou do mundo dos bancos para uma atuação direta junto a famílias, com foco em asset allocation (alocação de ativos). Nesse processo, acompanhou de perto a entrada significativa de ativos digitais nos portfólios de grandes investidores. “Reconheci em um deles uma posição muito relevante em ativos digitais, na casa das dezenas de milhões de dólares. Isso me chamou a atenção e me fez dedicar-se única e exclusivamente a essa classe de ativos”, relembrou.

A partir dali, buscou compreender como os criptoativos se integravam ao portfólio tradicional, consolidando-os como uma nova classe de investimento.

Whitaker afirma que o MB tem a estrutura ideal para criar essa ponte entre investidores sofisticados e ativos digitais. “O que esse cliente precisa é acesso. Ele não sabe como comprar cripto, o que comprar, como guardar, como reportar, como pagar imposto. O MB Ultra surge para organizar esse caminho e dar segurança”, explicou.

Esse movimento acompanha uma tendência clara: o crescente interesse de investidores institucionais, family offices e multi family offices pela classe de ativos digitais. Ele observa:

A demanda chegou à Faria Lima. O investidor sofisticado já busca cripto, mas não sabe por onde começar.

O aumento da aceitação dos ativos digitais, segundo Felipe Whitaker, está ligado a fatores macroeconômicos e geracionais. O cenário global incerto, com tensões geopolíticas e inflação elevada, reforça a busca por ativos descorrelacionados.

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Além disso, novas gerações têm pressionado os gestores a incluir cripto nos portfólios familiares. “Muitas vezes, é o filho do patriarca quem cobra: ‘Por que você não tem Bitcoin no seu asset allocation?’. Isso muda a dinâmica”, explicou. Ao falar sobre o comportamento dos investidores, ele ressalta que o interesse não se restringe ao bitcoin.

“É natural que olhem para outros ativos, como ethereum e solana. O investidor se arrepende de não ter entrado antes, mas também se pergunta como não viu oportunidades em outros projetos que se valorizaram exponencialmente”, afirmou.

O desafio, segundo ele, é separar ativos com fundamentos sólidos de tokens especulativos sem lastro. Na prática, o MB Ultra oferece uma estrutura capaz de atender diferentes veículos de investimento, desde pessoa física até holdings patrimoniais, fundos exclusivos e offshores. “Olhamos o cliente como grupo econômico. Ajudamos a decidir em qual bolso alocar o ativo: fundo exclusivo, holding, pessoa física ou BVI [paraíso fiscal]. Essa flexibilidade é essencial”, explicou.

Apesar de contar com a infraestrutura robusta do MB, Whitaker reforça que o Ultra não pretende “reinventar a roda”.

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A proposta é montar um time de atendimento diferenciado, que hoje não existe no mercado, voltado exclusivamente ao investidor de alta renda. “Temos plena convicção de que ninguém faz isso hoje. Queremos casar os ativos digitais com o asset allocation tradicional, respeitando o perfil de cada cliente”, afirmou.

O executivo enfatiza que a ideia não é montar carteiras agressivas para perfis conservadores, mas integrar cripto de forma coerente. “Pode ser via fundos, ETFs [Exchange Traded Funds], stablecoins, tokens ou cripto direto. Mas nunca uma coisa só: sempre um combinado que converse com o portfólio do cliente.”

Para ele, esse movimento inaugura uma nova etapa para o mercado brasileiro de ativos digitais. “Espero só não provocar muita concorrência”, brinca Whitaker, que agora está à frente da iniciativa que busca levar o MB a outro patamar no relacionamento com investidores de alta renda.

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