O Ibovespa acentuou o ritmo de queda e renovou mínimas, após quatros recordes seguidos e diante do ambiente parcimonioso no exterior. Por ora, segundo Igor Monteiro, CEO da EqSeed, a semana promete ser de realização de lucros no principal indicador da B3. “Considero pouco provável uma euforia semelhante à da semana passada”, diz. “A não ser que o quadro geopolítico [piore], o que atrairia mais dinheiro para o Brasil”, completa.
No último pregão, o Ibovespa havia batido novo recorde, aos 180 mil pontos, e registrado a maior alta semanal desde 2020.
Nesta semana, estão no radar a decisão de juros nos Estados Unidos e a divulgação de balanços de empresas americanas, como Microsoft, Meta, Amazon, Apple e Tesla.
A agenda doméstica também é relevante. Hoje, foram divulgados dados do setor externo piores do que o esperado. Amanhã, será divulgado o IPCA-15 de janeiro. No dia seguinte, espera-se que o Copom mantenha a taxa Selic em 15% ao ano.
Ainda assim, parte do mercado avalia que o colegiado pode sinalizar, no comunicado após a decisão, o início do ciclo de cortes de juros em março. A expectativa é de que a taxa de juros brasileira encerre 2026 em 12,25% conforme o Boletim Focus divulgado nesta manhã.
No exterior, o minério de ferro fechou em queda de 0,95% em Dalian, enquanto o petróleo recuou 0,46% no tipo Brent. Os índices das bolsas norte-americanas subiram nesta tarde. Já os metais preciosos, como ouro e prata, se fortaleceram, refletindo a busca por segurança – leia mais aqui. O dólar, por sua vez, fechou em queda de 0,12% a R$ 5,2797.
Além disso, cresce a possibilidade de uma nova paralisação do governo dos Estados Unidos, uma vez que parlamentares democratas podem se recusar a votar o Orçamento sem mudanças nas provisões para a segurança nacional, em meio aos conflitos em Minneapolis. Também há expectativa pela escolha do novo presidente do Federal Reserve e receios quanto à autonomia da nova composição do banco central americano. O presidente Donald Trump ainda ameaçou impor tarifas de 100% ao Canadá caso o país avance em um acordo com a China.
Ibovespa hoje: os destaques do mercado de ações nesta segunda-feira (26)
Bolsas da Europa fecham em alta e índices de NY sobem
Na Europa, as bolsas fecharam majoritariamente em alta. Em Nova York, os índices subiram. Os preços do ouro dispararam e superaram a marca inédita de US$ 5.000 por onça-troy, enquanto a prata também avançou, com investidores em busca de segurança.
Cresce a possibilidade de uma nova paralisação do governo americano, já que parlamentares democratas podem se recusar a votar o Orçamento sem mudanças nas provisões para a segurança nacional, em meio aos conflitos em Minneapolis. A escalada das tensões culminou no assassinato do cidadão americano Alex Pretti por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE).
Há expectativa pela escolha do novo presidente do Fed e receios quanto à autonomia da nova composição do banco central americano. Além disso, Trump ameaçou impor tarifas de 100% ao Canadá caso o país avance em um acordo com a China. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou neste domingo que o país não tem intenção de buscar um acordo de livre comércio com a China.
No Oriente Médio, o Irã fez alertas aos EUA, enquanto a operação de Israel em Gaza segue no radar.
Boletim Focus ajusta projeções de inflação antes do IPCA-15 e Copom
O boletim Focus do Banco Central (BC) atualizou, nesta segunda-feira (26), as previsões para os principais indicadores econômicos, incluindo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e taxa Selic. A agenda da semana será decisiva, com os números do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) e decisão de juros do Comitê de Política Monetária (Copom).
A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2026 oscilou de 4,02% para 4,00%. A taxa está 0,50 ponto porcentual abaixo do teto da meta contínua de inflação, de 4,50%. A mediana do relatório Focus para a Selic no fim de 2026 permaneceu em 12,25%. Veja as projeções completas nesta matéria.
Agenda econômica da semana
Ao longo da semana, serão conhecidos ainda o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) de janeiro, na quinta-feira (29), e na sexta-feira (30) saem o resultado primário do setor público consolidado, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e bandeira tarifária da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Na semana, sem data definida ficam o relatório mensal da dívida pública federal e o resultado primário do governo central.
Nos EUA, saíram hoje dados sobre as encomendas de bens duráveis, que subiram 5,3% em novembro ante outubro, a US$ 323,8 bilhões. O resultado veio bem acima da projeção de analistas consultados pela FactSet, de avanço de 1% no período.
Na terça-feira (27), é esperado o índice de confiança do consumidor dos EUA, e a presidente do BCE, Christine Lagarde, discursa em evento sobre o Holocausto na Alemanha. Na quarta-feira (28), o Federal Reserve anuncia sua decisão de política monetária, seguida por uma coletiva com Jerome Powell.
Na quinta-feira, tem a balança comercial de novembro dos EUA. Sexta-feira é dia Produto Interno Bruto (PIB) preliminar do 4º trimestre da Zona do Euro, e os EUA liberam os dados do PPI e o PMI de janeiro.
Na safra de balanços destaque para Boeing e General Motors (amanhã); Microsoft, Meta, Tesla (quarta-feira); Deutsche Bank, Amazon, Apple, Visa (quinta-feira); Chevron, ExxonMobil (sexta-feira).
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode anunciar nos próximos dias o novo presidente do Fed, que substituirá Jerome Powell. O diretor de Investimentos da BlackRock, Rick Rieder, aparece como favorito.
Esses e outros dados ficam no radar de investidores e podem impactar as negociações na bolsa de valores brasileira, influenciando o índice Ibovespa.
*Com informações de Luciana Xavier, Maria Regina Silva e Silvana Rocha, do Broadcast