Nos Estados Unidos, foram divulgados dados de construções iniciadas e permissões para novas obras, indicadores que ajudam a medir o fôlego do setor imobiliário, além de encomendas de bens duráveis, termômetro do investimento das empresas. Também foram divulgados números de produção industrial e utilização da capacidade instalada, que mostram o ritmo da atividade.
As construções de moradias iniciadas nos Estados Unidos subiram 6,2% em dezembro ante à estimativa revisada de novembro de 2025, ao ritmo anualizado de 1,404 milhão, segundo pesquisa divulgada pelo Departamento do Comércio nesta quarta-feira. As permissões para novas obras, por sua vez, registraram alta de 4,3% no período, à taxa anualizada de 1,448 milhão.
Já as encomendas de bens duráveis nos Estados Unidos caíram 1,4% em dezembro ante novembro, a US$ 319,6 bilhões. O resultado contrariou as expectativas de analistas consultados pela FactSet, que previam avanço de 1,6% no período.
A produção industrial do país, por sua vez, teve alta de 0,7% em janeiro, na comparação com o mês anterior, informou hoje o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA). Analistas ouvidos pela FactSet previam avanço de 0,4% no período. O Fed ainda informou que a taxa de utilização da capacidade instalada subiu de 75,7% em dezembro para 76,2% em janeiro.
O banco central americano publicou à tarde a ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto, o FOMC – órgão equivalente ao Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco central (BC) brasileiro –, documento que detalha as discussões internas sobre juros e oferece pistas sobre os próximos passos da política monetária americana.
A ata mostrou que os membros do Fed não consideravam mais que os riscos de queda para o emprego tivessem aumentado nos últimos meses. Da mesma forma, refletindo os dados recentes sobre a inflação, os dirigentes concordaram que a inflação permaneceu um tanto elevada.
Na sexta-feira (13), em seu último pregão antes do carnaval, o Ibovespa havia fechado em queda de 0,69%, aos 186.464,30 pontos, após tocar mínima de 183.662,18 pontos em meio a uma agenda carregada de indicadores no Brasil e no exterior. A sexta-feira 13 não trouxe azar estrutural, mas marcou uma correção após recordes recentes próximos dos 190 mil pontos. Dados que ajudam a antecipar cortes de juros ganharam protagonismo, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, em um ambiente de realização de lucro.
Ibovespa hoje: o que ditou o humor dos investidores nesta quarta-feira (17)
Bolsas no exterior fecham em alta
As bolsas da Ásia e do Pacífico encerraram os negócios em alta nesta quarta-feira, em meio a feriados que mantiveram vários mercados da região asiática fechados. O índice japonês Nikkei subiu 1,02% em Tóquio, a 57.143,84 pontos, impulsionado por ações de farmacêuticas e ligadas a metais.
Na China continental, assim como em Hong Kong, Taiwan e Coreia do Sul, os mercados não operaram hoje devido a feriados de ano-novo. Na Oceania, a bolsa australiana também mostrou desempenho positivo, com avanço de 0,54% do S&P/ASX 200 em Sydney, a 9.007,00 pontos.
As bolsas europeias fecharam em alta após dados mostrarem desaceleração significativa da inflação ao consumidor (CPI) no Reino Unido, enquanto investidores seguiram digerindo balanços corporativos da região. Em Londres, o FTSE 100 encerrou em valorização de 1,23%, a 10.686,18 pontos. Em Frankfurt, o DAX subiu 1,16%, a 25.287,32 pontos. Em Paris, o CAC 40 ganhou 0,81%, a 8.429,03 pontos. Em Milão, o FTSE MIB avançou 1,30%, a 46.361,09 pontos. Em Madri, o Ibex 35 subiu 1,35%, a 18.197,90 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 ganhou 0,76%, a 9.142,99 pontos.
Os índices das bolsas de Nova York também encerraram no campo positivo, com Dow Jones subindo 0,26%, o S&P 500 avançando 0,56% e o Nasdaq em alta de 0,78%.
O dólar, por sua vez, se fortaleceu ante outras moedas de economias desenvolvidas. Por volta das 17h50 (de Brasília), o dólar subia a 154,81 ienes, enquanto o euro recuava a US$ 1,1787 e a libra tinha baixa a US$ 1,3502. O índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de seis rivais fortes, fechou em alta de 0,56%, a 97,703 pontos.
Commodities e metais
Os contratos futuros de petróleo fecharam em forte alta hoje, revertendo parte das perdas da sessão anterior, enquanto investidores seguem avaliando as chances de que EUA e Irã cheguem a um acordo nuclear. O barril do petróleo WTI para abril subiu 4,48% na Nymex, a US$ 65,05, enquanto o do Brent para o mesmo mês avançou 4,34% na ICE, a US$ 70,35.
Os contratos futuros do minério de ferro não foram negociados nesta quarta-feira, devido ao feriado de Ano Novo Lunar na China.
Os metais tiveram um dia de ganhos. Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), o ouro para abril encerrou em alta de 2,11%, a US$ 5009,50 por onça-troy. Já a prata para março subiu 5,52%, a US$ 77,598 por onça-troy.
O Commerzbank, banco alemão, nota que, apesar do feriado nos Estados Unidos na última segunda-feira (16), o noticiário político movimentou os mercados no início desta semana. No caso dos metais preciosos, as “ondas geopolíticas mais calmas” limitaram a demanda por ativos seguros, como o ouro e prata, diante das negociações de paz no Oriente Médio e no Leste Europeu, afirma.
Hoje, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, disse que houve um “acerto parcial” dos princípios de um acordo com os EUA, o que abre caminho para avanço, segundo ele, apesar de não garantir sua conclusão.
Além disso, o Commerzbank destaca que permanece a incerteza sobre os juros do Fed. O dirigente Austan Goolsbee (Chicago) disse nesta manhã que vários cortes das taxas podem acontecer se a inflação permitir, mas reiterou cautela ao afirmar que os preços seguem longe da meta. “Isso sugere que o preço do ouro continuará a oscilar próximo de US$ 5 mil”, escreve o banco alemão.
Ações da Vale (VALE3) tombam no Ibovespa
As ações da Vale (VALE3) no exterior registraram forte queda de 4,5% no pregão em Nova York da terça-feira (17), o que pressionou os papéis no pregão brasileiro desta quarta-feira (18). O movimento pode ter sido influenciado tanto pela pausa no mercado doméstico, quanto pela China, que também esteve fechada por conta do Ano Novo Lunar.
Nesta quarta-feira, os papéis VALE3 caíram 3,57% no pregão. Os ativos da Petrobras (PETR3;PETR4) se saíram bem: os ordinários (PETR3) avançaram 1,11% e os preferenciais (PETR4) tiveram alta de 0,81%.
Liquidação dos bancos Pleno e Pleno DTVM
O Banco Central decretou na manhã desta quarta-feira a liquidação extrajudicial do Banco Pleno, com extensão do regime especial à Pleno DTVM. Em agosto do ano passado, o próprio BC aprovou a transferência do controle societário do banco Voiter, que fazia parte do conglomerado do Master, para Augusto Lima, passando a operar sob o nome de Banco Pleno.
De acordo com a autarquia, o conglomerado do Pleno é de pequeno porte, enquadrado no segmento S4 da regulação prudencial, com 0,04% do ativo total e 0,05% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
“A liquidação extrajudicial foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a sua atividade e inobservância das determinações do Banco Central do Brasil”, informou o BC.
A autoridade monetária reforçou que continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais, o que pode levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes. Além disso, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos administradores da instituição objeto da liquidação decretada.
Esses e outros movimentos ditaram o apetite por risco dos investidores brasileiros nesta quarta-feira de cinzas e influenciaram a performance do Ibovespa hoje.
*Com informações de Eduardo Rodrigues, Cícero Cotrim e Sérgio Caldas, da Broadcast.