No cenário doméstico, o movimento altista foi sustentado pelo desempenho do setor de óleo e gás e pelos grandes bancos. A divulgação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) na quinta-feira (19), com leve recuo de 0,18% em dezembro em relação ao mês anterior, reforçou a visão de desaceleração gradual da economia brasileira. De acordo com a Ágora Investimentos, a expectativa de crescimento econômico para 2026 é de 1,7%, ante crescimento de 2,3% em 2025.
Outro assunto que chacoalhou o mercado financeiro brasileiro na semana foi a liquidação do Banco Pleno, de Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) projeta um desembolso de R$ 4,9 bilhões em garantias relacionadas ao Pleno. Somadas, as liquidações do Pleno, Will Bank e Master já pesam R$ 52 bilhões para o FGC.
Já no exterior, os investidores acompanharam o aumento das tensões internas nos Estados Unidos, após a Suprema Corte americana decidir que são ilegais as tarifas unilaterais impostas pelo presidente Donald Trump. O republicano respondeu decretando uma nova tarifa global de 10%, mas com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que permite ao presidente a imposição de tarifas temporárias.
“Apesar da retórica firme contra a Suprema Corte, o anúncio de uma tarifa de 10% sob a Seção 122 foi vista como relativamente branda pelo mercado, em uma sensação de ‘dos males o menor’. A alíquota poderia ter sido mais alta e a definição tem validade de 150 dias, em uma ferramenta que tem menor potencial de uso político indiscriminado”, afirma Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad.
A retirada do tarifaço levou o dólar a terminar a semana cotado a R$ 5,17, menor nível desde maio de 2024. A queda foi de 1,03% sobre a reserva de valor brasileira no período.
As 3 maiores altas do Ibovespa na semana
As três ações que mais valorizaram na semana foram Axia Energia (AXIA6), PetroRecôncavo(RECV3) e Cosan (CSAN3).
- Axia Energia (AXIA6): 7,9%, R$ 66,92
As ações da Axia Energia foram a principal alta da semana. Os papéis tiveram uma valorização de 7,9%, que elevou a cotação para R$ 66,92. A performance positiva ocorre em meio à proposta de migração da empresa para o Novo Mercado, segmento especial de listagem da B3. A AXIA6 está em alta de 15,76% no mês. No ano, acumula uma valorização de 27,66%.
- PetroRecôncavo (RECV3): 7,74%, R$ 11,69
Impulsionadas pela movimentação do petróleo, as ações da PetroRecôncavo subiram 7,74% na semana, para R$ 11,69. A RECV3 está em alta de 3,45% no mês. No ano, acumula uma valorização de 13,5%.
- Cosan (CSAN3): 7,03%, R$ 6,55
As ações da Cosan terminaram a semana em alta de 7,03%, aos R$ 6,55, com expectativas sobre o IPO da Compass, A CSAN3 está em alta de 11,02% no mês. No ano, acumula uma valorização de 23,12%.
As 3 maiores baixas do Ibovespa na semana
As três ações que mais desvalorizaram na semana foram GPA (PCAR3), Assaí (ASAI3) e Weg (WEGE3).
- GPA (PCAR3): -11,93%, R$ 3,10
As ações do GPA foram a principal baixa da semana, com uma derrocada de 11,93%, para o patamar de R$ 3,10. Após ser questionada pela B3, a empresa afirmou desconhecer a motivação das oscilações negativas. Um operador de mercado ouvido pelo Broadcast em condição de anonimato, afirmou que o movimento reflete conflito entre acionistas. A PCAR3 está em baixa de -19,27% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de -18,42%.
- Assaí (ASAI3): -4,04%, R$ 9,50
Os papéis do Assaí sofreram o segundo maior desfalque da semana, com uma queda de 4,04%, para R$ 9,50, em um movimento de realização de lucros após acumular 30% de alta no ano. A ASAI3 está em alta de 10,85% no mês. No ano, acumula uma valorização de 31,94%.
- Weg (WEGE3): -3,36%, R$ 51,99
Os papéis da Weg cederam 3,36%, aos R$ 51,99, na esteira da depreciação do dólar. A WEGE3 está em alta de 0,52% no mês. No ano, acumula uma valorização de 7,17%.
*Com informações do Broadcast