Isa Energia (ISAE4) tem queda de 40,4% no lucro regulatório do 4T25, para R$ 482,7 milhões
Alta das despesas financeiras, em meio ao avanço de 20,6% da dívida bruta para R$ 16 bilhões, pressionou o lucro consolidado de 2025; despesa líquida cresceu R$ 389 milhões na comparação anual
Isa Energia (ISAE4) divulga resultados do 4T25 (Foto: Adobe Stock)
A Isa Energia Brasil (ISAE4) registrou lucro líquido regulatório de R$ 482,7 milhões no quarto trimestre de 2025, queda de 40,4% na comparação com os R$ 810,1 milhões do mesmo período de 2024. Com isso, no acumulado do ano, o lucro da transmissora somou R$ 1,62 bilhão, 21,7% menor em relação ao mesmo período do exercício anterior.
A companhia afirma que a análise trimestral é prejudicada pela declaração de juros sobre capital próprio (JCP) em frequência e trimestres diferentes em 2024 e 2025. Ao longo do quarto trimestre do ano passado foram pagos R$ 444,7 milhões de juros sobre capital próprio referentes ao exercício de 2025, enquanto o JCP referente a 2024 foi pago apenas no primeiro trimestre do ano passado, sem desembolsos nos últimos três meses de 2024.
No lucro consolidado de 2025, pesou, principalmente, o aumento das despesas financeiras, refletindo a maior dívida brutapara suportar os investimentos em andamento. Ao longo do ano passado, a dívida bruta da Isa Brasil cresceu 20,6%, encerrando dezembro aos R$ 16,0 bilhões. A despesa financeira líquida, por sua vez, cresceu R$ 389 milhões em relação a 2024.
A despeito da piora observada na linha final do balanço, o diretor-presidente da companhia, Rui Chammas, avalia que o quarto trimestre, bem como o ano de 2025, foram “muito bons”, pois entregaram a execução da estratégia desenhada pela empresa tendo em vista os recursos que vem recebendo como compensação financeira por ativos antigos não depreciados até a renovação contratual, em 2012, conhecidos como RBSE.
Ele se refere ao fato de que a companhia realizou no ano passado recorde de investimentos de R$ 5,1 bilhões, parte em reforços e melhorias nos ativos existentes, parte voltada para projetos novos (greenfield), alguns dos quais já foram energizados, o que ampliou a receita anual permitida (RAP) em R$ 205 milhões. Por outro lado, conseguiu captar cerca de R$ 4 bilhões no mercado de capitais para fazer frente às suas necessidades, a custo inferior à NTNB. Disse ao Estadão/Broadcat:
Foi um ano muito bom, com resultados que, pela natureza do nosso negócio e esse tema do RBSE, acabam um pouco impactados, mas é um ano que a gente festeja os resultados com bastante satisfação
A receita líquida regulatória da Isa Energia somou R$ 1,12 bilhão no quarto trimestre de 2025, um leve recuo de 3,1% em relação ao mesmo período do ano anterior, influenciado principalmente em pela redução do componente financeiro da RBSE. Já a receita líquida operacional ex-RBSE cresceu 2,4% na mesma comparação, para R$ 656,2 milhões. No consolidado do ano, a receita líquida alcançou R$ 4,35 bilhões, 4,5% menor em relação a 2024, enquanto a receita ex-RBSE cresceu 2%, para R$ 2,39 bilhões.
O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) consolidado ficou em R$ 854 milhões no quarto trimestre do ano passado, alta de 7,5%, ante mesmo intervalo do exercício anterior, influenciada pela base de comparação mais baixa, já que nos últimos três meses de 2024 a companhia registrou provisão judicial de R$ 69,6 milhões. No acumulado de 2025, o Ebitda totalizou R$ 3,455 bilhões, queda de aproximadamente 2%.
A diretora executiva de Finanças, Relações com Investidores e Desenvolvimento de Negócios da Isa Energia, Silvia Wada, salientou a melhora da eficiência operacional da companhia ao longo do último exercício. Os custos de despesas operacionais com Pessoal, Materiais, Serviços e Outros (PMSO) recuaram 5% no quarto trimestre, na comparação anual, para R$ 219 milhões, influenciados pela componente de provisionamento para a previdência privada, somando R$ 771 milhões no ano, baixa de 4%.
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“Se expurgarmos isso e olharmos só o PMSO gerenciável, mesmo assim fizemos um bom trabalho de controle de custos e despesas, porque no ano aumentamos só 0,5% do PMSO gerenciável versus uma inflação no período de 4,26%”, disse a executiva.
Ela citou que o desempenho reflete ganhos de escala com novos projetos com a mesma base de custos, entre outras frentes de busca de ganhos de eficiência nos processos, por meio de inovação e digitalização.
De acordo com ela, o indicador que mede a relação entre os custos e despesas operacionais e a receita líquida ex-RBSE encerrou 2025 com resultado de 32,2%, ante 34% do ano anterior. “E a nossa expectativa é que esse indicador continue baixando”, disse a diretora da Isa Energia.