Balanço do Nubank revela crescimento operacional forte, mas pressões em crédito e despesas levam analistas a divergirem sobre o desempenho das ações. (Foto: Adobe Stock)
Crescimento acelerado da carteira, base recorde de 131 milhões de clientes e lucro recorde de US$ 895 milhões não foram suficiente para empolgar o mercado. O balanço do Nubank (ROXO34) no quarto trimestre de 2025 (4T25) expôs um contraste que dividiu analistas: enquanto o Banco Safra vê potencial de alta relevante na bolsa, a XP Investimentos adotou postura neutra, citando pressão maior de provisões, despesas em alta e dependência de benefício fiscal para sustentar a rentabilidade.
Os números do roxinho, divulgados na quarta-feira (25), trouxeram uma combinação de crescimento operacional robusto com pressões relevantes em crédito e despesas.
O Banco Safra reforçou a recomendação outperform(equivalente a “compra”), com preço-alvo de US$ 22 (ante US$ 16,65), o que implica potencial de alta de 32% na bolsa de Nova York (NYSE), onde as ações NU estão listadas. Já a XP Investimentos adotou postura mais cautelosa, reiterando neutralidade, com preço-alvo de R$ 11,30, abaixo da cotação atual, de R$ 16,65.
Crescimento segue forte, mas trimestre foi “menos empolgante”
Para o Safra, o 4T25 foi “misto” e, embora os fundamentos do Nubank permaneçam saudáveis, faltaram surpresas positivas que justificassem uma reação mais construtiva do mercado financeiro no curto prazo.
O banco afirma que “estre trimestre não apresentou boas surpresas que justificassem uma reação positiva do mercado”, avaliando que o resultado tende a ser lido de forma mais negativa para as ações.
A XP também classificou o período como um trimestre de tendências sólidas, porém com resultados mais suaves. Na visão da corretora, o Nubank combinou expansão operacional consistente com pressão maior em custo de crédito e despesas, além de certa dependência de efeitos tributários para sustentar a rentabilidade.
Ainda assim, os números operacionais reforçam a escala da operação. O Nubank encerrou 2025 com 131 milhões de clientes, sendo 113 milhões no Brasil, 14 milhões no México e 4,2 milhões na Colômbia. A taxa de atividade permaneceu elevada, em torno de 83%. A receita média mensal por cliente ativo (ARPAC) atingiu recorde de US$ 15, enquanto o custo de servir (CTS) recuou para US$ 0,8.
São indicadores que, segundo a XP, reforçam a solidez das unit economics (economia unitária, a rentabilidade do negócio medida por cliente individual).
Crédito acelera, mas provisões ligam alerta
O crescimento da carteira de crédito continuou forte. Segundo o Safra, o portfólio total avançou 13% no trimestre, para US$ 32,7 bilhões.
A qualidade dos ativos mostrou melhora marginal. A inadimplência superior a 90 dias (NPL) caiu para 6,6%, enquanto o NPL de 15 a 90 dias recuou para 4,1%. A XP atribui essa evolução a fatores como maior renda dos clientes, crescimento das carteiras colateralizadas e maior precisão dos modelos de machine learning (aprendizado de máquina, quando sistemas aprendem a identificar padrões e fazer previsões).
O ponto de atenção, porém, fica com o avanço das provisões. Para o Safra, houve aumento relevante frente ao trimestre anterior, impactando o lucro bruto, em parte devido a uma estratégia de expansão de limites de crédito – cerca de US$ 11 bilhões concedidos ainda não utilizados –, que exigem provisionamento antecipado.
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Apesar disso, a margem financeira (NIM) expandiu cerca de 90 pontos-base no trimestre, beneficiada por menor custo de captação (que caiu para 87% do interbancário) e por melhor mix da carteira.
Despesas sobem e investimentos em tecnologia entram no radar
Outro fator que limitou o entusiasmo foi a pressão nas despesas operacionais (opex). O Safra destacou gasto 10% acima de sua estimativa, impactando o lucro antes de impostos (EBT), que ficou 13% abaixo do projetado pelo banco.
A XP detalha que as despesas foram impactadas por custos extraordinários ligados à transição para o retorno ao escritório (cerca de US$ 22 milhões), além de investimentos em tecnologia e expansão global. A administração indicou que os gastos devem permanecer mais elevados pelos próximos quatro a seis trimestres.
O que tirar de tudo isso
Basicamente, ambas as casas concordam que o Nubank apresenta trajetória de crescimento forte, com expansão de carteira, melhora em métricas de eficiência – relação de eficiência em torno de 19,9% – e qualidade de ativos sob controle. A divergência está no balanço entre crescimento e riscos de curto prazo.
O Banco Safra tem visão otimista, recomendação outperform e preço-alvo de US$ 22, apostando em mais um ano forte à frente, ainda que reconheça que o 4T25 foi “menos empolgante”. A XP Investimentos, por sua vez, adota postura mais conservadora, com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 11,30, destacando que o trimestre evidenciou maior custo de risco, despesas crescentes e dependência de benefício fiscal para sustentar a rentabilidade.
Ou seja, o resultado do Nubank no 4T25 mostra que no curto prazo a equação entre expansão acelerada, provisões antecipadas e investimentos em tecnologia será determinante para o comportamento das ações.