Estrategista da One acredita que corte da Selic em março ainda aconteça, mas com redução, em meio às tensões EUA-Irã. (Imagem: Adobe Stock)
O aumento de incertezas em várias frentes trazido pela escalada do conflito no Oriente Médio não altera a perspectiva, já sinalizada nos últimos comunicado e ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), de que a Selic será reduzida pelo Banco Central em março, avalia o estrategista Pedro Cutolo, da One Wealth Management. O tamanho do corte, no entanto, pode ser menor, de 25 pontos-base, observa Cutolo.
Em sua visão, o ambiente mais volátil inspira cautela, mas a posição “periférica” do Brasil no mercado global de petróleo dá suporte ao início do ciclo de flexibilização monetária na reunião deste mês do Copom.
“A ressalva está no tamanho desse corte, que poderá ser reduzido para 25 pontos-base, com possibilidade de aceleração posteriormente, dependendo da evolução do conflito envolvendo o Irã”, afirmou.
Segundo Cutolo, o conflito iraniano tem um contexto mais amplo, que remonta à disputa estratégia entre Estados Unidos e China, se somando à intervenção norte-americana na Venezuela que comprometeu o acesso do país asiático às reservas venezuelanas.
“Agora, a restrição ao Irã volta a limitar o acesso chinês a outra fonte relevante de energia”, disse, destacando que a Venezuela tem a maior reserva de óleo do mundo, e o país persa é a terceira maior.
“Esses movimentos reforçam a natureza geoeconômica do conflito e seus possíveis desdobramentos sobre preços internacionais, incerteza global e, por consequência, sobre a condução da política monetária em economias emergentes como o Brasil”, conclui o estrategista da One.