A participação do Brasil em fundos globais recuou para 4,56% em fevereiro, após atingir o maior nível desde 2021. Mesmo com rali recente e entrada de investidores estrangeiros, 2026 ainda acumula saída líquida de capital da B3. (Imagem: Adobe Stock)
Depois de atrair pesos pesados de Wall Street no fim do ano passado, o Brasil voltou a diminuir o peso nos fundos globais. A participação do País no índice MSCI Emerging Markets (MSCI EM) – uma das principais referências para investidores estrangeiros – caiu para 4,56% ao fim de fevereiro, contra 4,63% em janeiro, conforme relatório da gigante de índices de ações.
Antecipando-se a este movimento, fundos americanos ampliaram a presença no Brasil no fim de 2025. Nomes como a Renaissance Technologies, de Jim Simons, a Duquesne Family Office, gestora do investidor americano Stanley Druckenmiller, que administra mais de US$ 4 bilhões, elevaram suas exposições tanto ao País quanto a empresas brasileiras, conforme relatórios enviados à Securities and Exchange Commission (SEC), que regula o mercado de capitais dos Estados Unidos.
Mas megainvestidores como George Soros, Warren Buffett, Carl Icahn e Bill Ackman seguiram evitando o Brasil. Ainda assim, fevereiro representou o melhor saldo de investimento estrangeiro na B3, de R$ 15,4 bilhões, para o mês desde o rali de 2022, quando a bolsa brasileira atraiu R$ 30,129 bilhões dos bolsos gringos. No acumulado de 2026, contudo, a retirada de capital estrangeiro da B3 soma R$ 30,555 bilhões.
Para o Morgan Stanley, o salto dos preços do petróleo no mercado internacional por conta da escalada de conflitos no Oriente Médio é positivo para as contas externas e fiscais do Brasil. O banco calcula um impacto positivo de R$ 8 bilhões em receitas fiscais. Por outro lado, a guerra pode causar um impacto negativo, mas limitado no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e pressionar a inflação para cima, segundo o Morgan. Apesar disso, o banco americano reiterou a expectativa de que o Banco Central (BC) inicia o ciclo de flexibilização monetária neste mês com um corte de 0,50 ponto porcentual.
“Dependendo de quão sustentado for o choque nos preços do petróleo, se ele elevar as taxas de juros globais, isso poderia limitar o espaço para flexibilização no Brasil, mas mais para o fim do ano”, dizem os economistas do Morgan Stanley, em relatório publicado hoje (4).