Em relatório, os analistas Pedro Bruno, Ruan Argenton e João Ramiro destacam, no entanto, que a empresa registrou forte eficiência de custos, refletida em custos fixos controlados e melhorias no consumo de combustível; e capex (investimento) menor de R$ 1,5 bilhão (R$ 6,1 bilhão em 2025 ante o guidance de R$ 5,8 bilhões a R$ 6,5 bilhões), em uma execução concentrada no início do ano.
Os analistas avaliam que a concessionária está posicionada para capturar o cenário favorável de grãos em 2026, após cortes de tarifas realizados ao longo de 2025 que aumentaram sua competitividade. Mesmo com a pressão de preços, os volumes transportados surpreenderam: em fevereiro de 2026, a Rumo bateu recorde histórico de 6,9 bilhões de toneladas-quilômetro úteis, alta de 17% em relação ao mesmo mês de 2025 e 4% acima da estimativa da XP.
A plataforma chama atenção para o aumento dos valores do frete rodoviário em rotas ligadas ao Arco Norte, caso de Sorriso-Miritituba, onde o preço avançou 22% no ano, ante altas de 9% em Rondonópolis-Santos e Sorriso-Santos. Para os analistas, a combinação de exportações fortes de soja e obras em Miritituba sustenta esses preços mais elevados e reforça a competitividade das tarifas ferroviárias da Rumo.
O Banco Safra também classificou os resultados como mistos. Segundo os analistas Luiz Peçanha e Arthur Godoy, o forte crescimento de volumes — que avançaram 14,8% no trimestre, para 22,9 bilhões de TKU — acabou parcialmente compensado pela queda nas tarifas, o que limitou o desempenho operacional. A receita líquida recuou 3,3% em relação ao ano anterior, para R$ 3,3 bilhões.
O Ebitda ajustado, por sua vez, cresceu 7,5% na comparação anual, para R$ 1,8 bilhão, embora tenha ficado abaixo das estimativas do banco e do consenso. Ainda assim, o Safra manteve recomendação Outperform para a ação, com preço-alvo de R$ 19, citando valuation atrativo e taxa interna de retorno real estimada em 11,2%.
Embora enxergue um primeiro semestre robusto para a empresa, a corretora aponta riscos no segundo semestre, ligados à incerteza sobre a exportação de milho e ao menor número de contratos take-or-pay (levar ou pagar). Ainda assim, classifica a avaliação da ação como atrativa, citando taxa interna de retorno real de 15% e múltiplo EV/Ebitda de 5,9 vezes para 2026. A recomendação da XP para a Rumo é de compra.