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A Bolsa brasileira ainda trabalha para conseguir autorização para contratos preditivos ligados a indicadores macroeconômicos, como o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e o Produto Interno Bruto (PIB).
“Conseguimos aprovação da CVM para contratos de dólar, bitcoin e Ibovespa, mas com restrição para investidores profissionais (aqueles que têm mais de R$ 10 milhões investidos). Agora estamos resolvendo as últimas partes técnicas para contratos de IPCA e PIB”, afirmou Luiz Masagão, vice-presidente de Produtos e Clientes da B3, em conversa com jornalistas.
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Segundo ele, os contratos já autorizados devem ser disponibilizados a partir de abril deste ano. Masagão acrescenta que a B3 também discute com a CVM a possibilidade de ampliar a oferta desses produtos para investidores pessoa física em geral. Na avaliação da Bolsa, esse público poderia ser o principal beneficiário da nova modalidade.
Nos contratos preditivos da B3, o investidor pagará antecipadamente um valor, chamado de prêmio. Se a previsão estiver correta, receberá 100% do valor acordado. Caso esteja errada, não receberá nada.
O ponto central é que não há risco de perder mais do que o valor pago inicialmente. Em geral, esse prêmio pode variar, por exemplo, entre 20%, 30%, 40% ou 50% do valor final do contrato.
O investidor poderá escolher, por exemplo, contratos que indiquem se o dólar fechará acima de R$ 5,30 em determinada semana. A lógica é semelhante para as cotações do Ibovespa e do bitcoin. Já os contratos ligados a indicadores econômicos envolvem prever o crescimento ou recuo desses índices.
Masagão avalia que os contratos preditivos podem ser uma alternativa mais simples — tanto em compreensão quanto em execução — em relação aos contratos futuros, que envolvem ajustes diários e margens de garantia, fatores que acabam criando barreiras de entrada para parte dos investidores. “O perfil trader, especificamente, estava buscando instrumentos mais simples”, afirmou.
Segundo o executivo, o lançamento acompanha uma tendência observada nos Estados Unidos, onde plataformas como Kalshi e Polymarket ganharam destaque. Ele também ressalta um componente geracional. “As novas gerações digitais estão demandando simplicidade e velocidade nos produtos”, disse.
Além dos contratos preditivos, a B3 mantém uma agenda extensa de lançamentos para o biênio de 2026 e 2027, dando continuidade ao movimento observado em 2025, quando a Bolsa colocou no mercado 19 novos produtos apenas no segmento de derivativos.
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Entre os planos para este ano estão:
A B3 também se prepara para lançar uma depositária tokenizada — um novo modelo de infraestrutura que funcionará em paralelo ao sistema tradicional. A proposta inicial prevê que os dois ambientes coexistam: o convencional e o baseado em tokens, que são representações digitais de ativos ou produtos financeiros.
Na prática, um investidor que desejar comprar uma ação tradicional poderá negociar normalmente com outro que esteja operando o mesmo ativo em versão tokenizada.
Para viabilizar essa infraestrutura, a B3 também pretende lançar uma stablecoin (criptomoeda atrelada a outro ativo) própria em reais, que deve chegar ao mercado ainda no primeiro semestre de 2026.
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