Em números consolidados, a projeção é de receita de R$ 41 bilhões para a MBRF no primeiro trimestre, alta de 3% na comparação anual, mas queda de 7% frente ao trimestre anterior. O Ebitda (Lucros antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) estimado é de R$ 2,9 bilhões, recuo de 6% em base anual e de 15% na margem sequencial, com margem consolidada de 7,1%.
O principal ponto de atenção está na operação de bovinos no Brasil, onde a alta do preço do gado segue comprimindo resultados. “Os ciclos que estavam ajudando a MBRF a entregar resultados muito fortes agora começam a virar”, apontou o relatório. Ainda assim, o banco revisou para cima os volumes de vendas na América do Sul, refletindo exportações aquecidas e maior aderência à capacidade produtiva recente, o que deve suavizar parcialmente a queda sequencial de rentabilidade.
Para a operação da BRF, a leitura é mais construtiva no curto prazo. A expectativa é de manutenção de um prêmio relevante nos preços de exportação – superior a 40% em relação à média da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) – sustentado pela reabertura de mercados importantes, como China e Europa, além de preços potencialmente mais fortes no Oriente Médio em meio a tensões geopolíticas. Com isso, o BTG elevou a projeção de margem Ebitda da operação para 15,5% no trimestre, mesmo diante de uma sazonalidade tradicionalmente desfavorável.
“No caso da BRF, embora os números revisados indiquem expansão sequencial de margem, isso não altera materialmente o quadro mais amplo”, ponderou o banco, destacando que a melhora reflete mais a “intensidade relativa” dos vetores do que uma mudança estrutural de tendência.
Na prática, houve uma revisão no balanço entre os segmentos: antes, a expectativa era de que a queda nas margens de suínos no mercado doméstico superasse o ganho em aves no exterior. Agora, o banco vê um equilíbrio diferente entre essas variáveis, o que levou à revisão do caminho das margens no curto prazo.
Apesar dos ajustes pontuais, o BTG mantém a visão de que, à frente, “as margens devem gradualmente perder força em direção a níveis mais normalizados”, em linha com a virada dos ciclos observados tanto no mercado de bovinos quanto nas proteínas de aves e suínos.
A MBRF (MBRF3) divulgará os resultados do primeiro trimestre em 14 de maio. O BTG Pactual tem recomendação neutra para a ação da companhia, com preço-alvo de R$ 26.