A 4Intelligence afirma em relatório a clientes divulgado hoje que o conflito no Oriente Médio adiciona um viés de alta para as projeções de inflação, dólar e, consequentemente, taxa Selic.
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A 4Intelligence afirma em relatório a clientes divulgado hoje que o conflito no Oriente Médio adiciona um viés de alta para as projeções de inflação, dólar e, consequentemente, taxa Selic.
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Nos cálculos da consultoria, se houver um reajuste de 10% nos preços da gasolina, do diesel e do GLP nas refinarias, o efeito direto seria de alta de 0,2 ponto porcentual para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O conflito também provoca um movimento de fuga para ativos considerados portos-seguros, como o dólar.
Já o efeito para a atividade econômica é baixista, considerando eventual choque negativo de oferta no mercado energético global. Os impactos seriam sentidos em múltiplas frentes: seja pela compressão do poder de compra das famílias, devido à elevação do custo de vida; pelo aumento nos custos de produção para empresas, pressionado pela combinação de um real mais depreciado e combustíveis mais caros; ou pelo potencial adiamento de planos de investimentos, devido ao aumento da incerteza.
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Nas contas externas, o resultado imediato seria positivo. Se houver manutenção dos atuais níveis do preço do petróleo, perto de US$ 90 por barril, as exportações brasileiras poderiam aumentar US$ 9 bilhões. Com isso, o superávit comercial pode saltar para US$ 77,4 bilhões, afirma a 4Intelligence.
“É importante ressaltar que esta é uma estimativa conservadora, pois não incorpora um possível incremento na quantidade vendida. Entretanto, esse efeito positivo pode ser parcialmente compensado pelo ambiente externo de maior aversão ao risco, que tende a desestimu lar o fluxo de capitais para países emergentes”, acrescenta.
Já na ótica das contas públicas, o choque nos preços do petróleo carrega um viés positivo. Primeiro porque a inflação mais elevada tende a aumentar a arrecadação tributária em termos nominais.
Segundo, porque a valorização do barril eleva as receitas e as margens das empresas do setor petrolífero, traduzindo-se em maior arrecadação de royalties (cobrança do proprietário de uma patente para permitir seu uso ou comercialização), participações especiais e tributos sobre o lucro (Imposto de Renda e CSLL), além de dividendos maiores da Petrobras para a União.
“Tudo considerado, estimamos ganhos extraordinários que podem alcançar quase R$ 30 bilhões no ano, um reforço relevante para a meta de redução do déficit primário do setor público, atualmente projetado em R$ 60 bilhões para 2026”, aponta a equipe econômica da consultoria.
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