Mercado acompanha agenda econômica no Brasil e no exterior, com destaque para o Boletim Focus. (Imagem: Adobe Stock)
O Ibovespa hoje inicia a semana sob forte pressão, refletindo a escalada da guerra no Oriente Médio e a disparada dos preços do petróleo, que ampliam a aversão ao risco nos mercados financeiros globais. Ainda assim, às 15h25, o índice da B3 conseguia avançar 0,24% aos 179.799,11 pontos.
Nesta segunda-feira (9), o calendário é mais fraco e traz apenas a divulgação do Boletim Focus, que reflete as expectativas do mercado na primeira semana marcada pela guerra e pela turbulência global.
No campo corporativo, estão previstos os balanços de Cosan (CSAN3) e Direcional (DIRR3) após o fechamento do mercado. A MRV&CO (MRVE3) – conglomerado que reúne a MRV, Urba, Luggo e Resia – anunciou os resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25) nesta manhã. A companhia reportou lucro líquido consolidado de R$ 41,4 milhões no período, uma reversão perante o prejuízo de R$ 249,8 milhões registrado no mesmo intervalo de 2024.
A mediana do relatório Focus para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 permaneceu em 3,91%, nível 0,91 ponto porcentual acima do centro da meta de inflação, de 3%. Há um mês, a projeção era de 3,97%. Considerando apenas as 44 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana oscilou de 3,91% para 3,92%. Para 2027, a expectativa subiu levemente de 3,79% para 3,80%, enquanto, entre as 42 projeções mais recentes, avançou de 3,74% para 3,81%. O IPCA encerrou 2025 com alta acumulada de 4,26%, abaixo da última mediana do Focus, de 4,31%, e da projeção do Banco Central, de 4,4%.
Conforme a trajetória divulgada pelo Copom em janeiro, o BC projeta inflação de 3,4% ao fim de 2026 e de 3,2% no horizonte relevante, atualmente no terceiro trimestre de 2027.
Desde 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses, tendo centro de 3% e intervalo de tolerância de 1,5 ponto porcentual para cima ou para baixo; caso a inflação permaneça fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo. No Focus divulgado hoje (9), a projeção para o IPCA de 2028 permaneceu em 3,50% pela 18ª semana seguida, e a de 2029 também ficou em 3,50%, pela 27ª semana consecutiva.
Em relação aos juros, a mediana do Focus para a taxa Selic ao fim de 2026 subiu de 12,00% para 12,13%, movimento também observado nas 40 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis. Para 2027, a projeção seguiu em 10,50% pela 56ª semana consecutiva, enquanto as medianas para 2028 e 2029 permaneceram em 10,00% e 9,50%, respectivamente.
Em janeiro, o Copom decidiu manter a Selic em 15% pela quinta reunião seguida, mas indicou que pode iniciar o processo de cortes na próxima reunião, em março. “O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, afirmou na ata.
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Já para o câmbio, a mediana das projeções para o dólar ao fim de 2026 recuou de R$ 5,42 para R$ 5,41, ante R$ 5,50 há um mês, enquanto a estimativa para 2027 permaneceu em R$ 5,50 pela quinta semana seguida. A moeda americana encerrou 2025 a R$ 5,4840, acumulando queda de 11,18% frente ao real, movimento associado ao enfraquecimento global do dólar e à atratividade do carry trade (mecanismo utilizado para tentar obter lucros com base na diferença entre a taxa de juros de dois países) diante da Selic em nível elevado.
Para 2028 e 2029, as medianas também permaneceram em R$ 5,50, pela quarta e pela primeira semana consecutiva, respectivamente. No Focus, a projeção anual de câmbio considera a média da taxa ao longo de dezembro, e não a cotação do último dia útil do ano, como ocorria até 2020.
Petróleo passa dos US$ 100 o barril
A forte alta do petróleo no mercado internacional domina o ambiente de aversão ao risco. Os contratos futuros da commodity chegaram a disparar cerca de 30% durante a madrugada e se aproximaram de US$ 120 por barril, refletindo o aumento das tensões no Oriente Médio. A escolha de Mojtaba Khamenei para suceder ao pai, Ali Khamenei, como líder supremo do Irã ampliou as preocupações geopolíticas – ele é visto como representante da ala mais rígida do regime.
Por volta das 15h38, os contratos futuros do WTI para abril subiam 4,31%, para US$ 94,82 por barril, enquanto o Brent avançava 6,79%, para US$ 98,98. Relatos de que ministros das Finanças do G7 discutem uma reunião emergencial para avaliar a liberação de reservas estratégicas ajudaram a moderar a alta, embora os preços ainda registrem forte avanço.
Em meio à escalada da crise, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em redes sociais que a disparada do petróleo no curto prazo é um preço “muito pequeno” a pagar tanto para seu país quanto para o mundo em nome da segurança e da paz.
“Só tolos pensariam diferente”, escreveu Trump, acrescentando que os preços devem cair rapidamente quando a ameaça nuclear do Irã for eliminada.
Destaques do Ibovespa hoje
No Brasil, o clima externo negativo tende a pressionar os ativos domésticos. Às 15h4o, o EWZ, principal ETF (fundo de índice negociado em bolsa) brasileiro negociado em Nova York, registrava crescimento de 0,83%.
Entre as empresas brasileiras de grande peso, as ações da Vale (VALE3) operavam estáveis, apesar da alta do minério de ferro, enquanto os papéis da Petrobras (PETR3; PETR4) avançavam 4,3% e 3,99% impulsionados pelo salto do petróleo, movimento que pode limitar as perdas da Bolsa brasileira.
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No campo macroeconômico, os próximos dados de inflação no Brasil e nos Estados Unidos devem ajudar a recalibrar as expectativas para a política monetária. No mercado doméstico, cresce a aposta em um corte de 0,25 ponto porcentual da taxa Selic ainda neste mês, para 14,75%. Já nos EUA, investidores avaliam a possibilidade de retomada do ciclo de cortes de juros a partir de junho, após a divulgação de um relatório de emprego (payroll) mais fraco.
Mercados globais
Em Wall Street, os índices operam em queda nesta segunda-feira (9), indicando que as bolsas norte-americanas devem ampliar as perdas da semana passada diante do salto do petróleo e do aumento das tensões geopolíticas. Às 15h10 o Dow Jones caía 0,91%, o S&P 500 recuava 0,55% e o Nasdaq tinha baixa de 0,19%.
Na Europa, os principais mercados acionários também registram forte baixa, pressionados pelo avanço da commodity e pelos temores de impacto sobre inflação e crescimento econômico, além de dados mais fracos que o esperado para a indústria alemã. Às 15h10, a Bolsa de Londres caía 0,34%, a de Paris recuava 0,98% e a de Frankfurt cedia 0,77%.
Os rendimentos dos Treasuries(títulos públicos dos EUA) sobem, ampliando ganhos durante quase toda a semana passada, por conta da nova disparada do petróleo decorrente do acirramento da guerra no Oriente Médio. Às 15h10, o juro da T-note de 2 anos subia a 3,584%, o da T-note de 10 anos caía a 4,122% e o do T-bond de 30 anos recuava a 4,738%.
Dólar avança no mercado internacional
O dólar sobe ante outras moedas de economias desenvolvidas com busca de proteção devido ao salto do petróleo e sinais de agravamento da guerra entre EUA, Israel e Irã. Dados fracos da indústria alemã pesam contra o euro. Às 15h10, o euro caía a US$ 1,157, a libra recuava a US$ 1,339 e o dólar avançava a 158,34 ienes. Já o índice DXY do dólar (que acompanha as flutuações da moeda americana em relação a outras seis divisas relevantes) tinha alta de 0,18%, a 99,160 pontos.
Na Ásia, as bolsas encerraram o pregão em forte queda. A Bolsa de Tóquio recuou 5,2%, enquanto o índice Kospi, da Coreia do Sul, caiu 5,96% e o Taiex, de Taiwan, perdeu 4,43%. Em Hong Kong, o Hang Seng recuou 1,35%. Já na China continental, os índices de Xangai e Shenzhen registraram quedas mais moderadas, de 0,67%.
Na Oceania, o S&P/ASX 200, da Austrália, terminou o dia em baixa de 2,85%.