Carolina Barbará, sócia da IP Capital, gestora de fundos conhecida por sua visão de longo prazo, recebeu o relatório de três pessoas diferentes, e aponta que o motivo pelo qual o documento viralizou foi porque colocou em palavras os medos que parte do mercado tem: “O texto não tomou como base um debate realizado entre várias pessoas e não é um estudo aprofundado, mas apenas a consequência de um mundo extremamente barulhento.”
Assim como esse evento, a disrupção das ações do setor de software é um exemplo claro de que o investidor está se limitando ao “pensamento de primeiro nível”, define Barbará. “À primeira vista, qualquer um pode entrar em ferramentas de IA como o Claude e desenvolver seu próprio software em poucos dias. Ou seja, todo mundo pode pedir para o setor de TI fazer o seu próprio software. Mas, quando cavamos um pouco, não é tão simples”.
A tese da gestora é de que parte do segmento, que faz softwares mais simples, realmente sofre as consequências da inteligência artificial. Mas para uma série de outras empresas essa colocação não faz o menor sentido. “Produtos de nicho continuarão sendo muito valorizados, pois suas regras são muito customizadas e difíceis de replicar. Até mesmo porque o seu custo representa hoje uma fração pequeno do orçamento de seus clientes. Ninguém vai economizar pouco para deixar algo importante nas mãos da IA”.
Além disso, se fica mais fácil fazer o código dos programas, a vantagem competitiva dessas empresas tende a mudar para o relacionamento com o cliente, enquanto poderão incorporar a IA aos seus produtos, acredita a executiva.
“Momentos como esse, de assimetrias, são os melhores para investir, desde que você conheça profundamente no que aplica o seu dinheiro. O mercado está maníaco depressivo, e exige cautela”.