No Brasil, o destaque ficou para a atuação do Tesouro, que realizou hoje leilão de LFT e NTN-B após ter iniciado intervenções no mercado de títulos públicos, e para a divulgação do Índice Geral de Preços 10 (IGP-10). O IGP-10 registrou queda de 0,24% em março, após recuo de 0,42% em fevereiro. Os analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Projeções Broadcast esperavam uma queda de 0,28%, segundo a mediana das estimativas.
No cenário internacional, os mercados de Nova York encerraram no campo positivo apesar da pressão da nova alta do petróleo. O Brent fechou negociado na faixa de US$ 103 o barril, refletindo temores de interrupções na oferta diante da escalada do conflito. Embora a commodity acumule valorização de cerca de 50% no último mês, já surgem apostas de acomodação dos preços.
Ao mesmo tempo, o noticiário geopolítico segue intenso: novos ataques do Irã atingiram Dubai e Doha, enquanto Israel afirmou ter eliminado o alto funcionário de segurança iraniano Ali Larijani. A tentativa dos Estados Unidos de articular apoio para reabrir o Estreito de Ormuz encontra resistência entre aliados, reforçando a percepção de um conflito prolongado.
Na Europa, o ambiente também foi de cautela, às vésperas das decisões do Banco Central Europeu (BCE) e do Banco da Inglaterra (BoE). Já em relação ao Federal Reserve (Fed), que decide o rumo dos juros amanhã (18), cresce a expectativa de manutenção dos juros, com o início de um ciclo de cortes sendo continuamente adiado.
Ibov em linha com Wall Street
O mercado doméstico operou em linha com o índices de Nova York, que terminaram em alta, em meio à persistente incerteza externa. Em Wall Street, o Dow Jones subiu 0,1%, Nasdaq ganhou 0,47% e o S&P 500 avançou 0,25%.
O Tesouro seguiu no centro das atenções e voltou a atuar para conter a volatilidade. Na véspera, a autarquia cancelou leilões de NTN-B, LTN e NTN-F, além de realizar operações de compra e venda de títulos prefixados, contribuindo para o fechamento da curva de juros.
Apesar do alívio recente nas taxas, o mercado passou a precificar um corte mais modesto da Selic, de 25 pontos-base na reunião do Copom. Ainda assim, a possibilidade de manutenção da taxa em 15% não é totalmente descartada, diante das pressões inflacionárias associadas à alta do petróleo.
Permanece também no radar o caso do Banco Master. O governo do Distrito Federal alertou para o risco de liquidação ou intervenção federal no Banco de Brasília (BRB) caso não haja aporte suficiente para cobrir perdas relacionadas à instituição.
Petróleo volta a subir
Os contratos do petróleo voltaram a subir com força, revertendo as perdas da véspera, sustentados pelas preocupações com a oferta em meio ao conflito no Oriente Médio. A dificuldade de avanço nas negociações para reabertura do Estreito de Ormuz reforçou o viés altista, com o mercado já precificando um cenário de tensão prolongada.
A S&P Global, inclusive, elevou em US$ 15 suas projeções para o WTI e o Brent em 2026. No fechamento, o WTI avançou 3,32%, a US$ 95,53, enquanto o Brent subiu 3,2% a US$ 103,42.
Na Europa, as bolsas fecharam em alta. No radar macroeconômico, o índice de expectativas econômicas da Alemanha caiu a -0,5 este mês, ante 58,3 em fevereiro, segundo pesquisa divulgada pelo instituto alemão ZEW. O resultado ficou bem abaixo da expectativa dos analistas, que previam queda para 33,9. A baixa “surpreendentemente acentuada” do índice reflete o alto nível de incerteza decorrente dos confrontos militares no Oriente Médio, segundo avaliação do Deutsche Bank, em meio ao choque nos preços da energia.
Em Londres, o FTSE 100 fechou em alta de 0,83%, a 10.403,60 pontos. Em Frankfurt, o DAX subiu 0,67%, a 23.720,76 pontos. Em Paris, o CAC 40 ganhou 0,49%, a 7974,49 pontos. Em Milão, o FTSE MIB avançou 1,22%, a 44.887,54 pontos. Em Madri, o Ibex 35 computou valorização de 0,82%, a 17.230,30 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 teve alta de 0,5%, a 9.175,24 pontos.
No mercado de renda fixa americano, os rendimentos dos Treasuries fecharam em queda, acompanhando o ajuste após a volatilidade provocada pelo petróleo. A T-note de 2 anos recuou a 3,672%, a de 10 anos a 4,201%, enquanto o T-bond de 30 anos chegou a 4,847%.
O dólar recuou frente à maioria das moedas de países desenvolvidos. O euro subiu a US$ 1,154, a libra aumentou a US$ 1,3359 e o dólar avançou a 159,05 ienes. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda norte-americana ante uma cesta de seis divisas, caiu 0,14%, aos 99,575 pontos.
Na Ásia, o fechamento foi misto, refletindo o equilíbrio entre a pressão da alta do petróleo e o impulso positivo de ações de tecnologia, especialmente após anúncios da Nvidia. Enquanto o Kospi, na Coreia do Sul, subiu 1,63% e Taiwan avançou 1,48%, os índices chineses recuaram, com Xangai em queda de 0,85% e Shenzhen de 1,87%.