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Petróleo hoje volta a superar US$ 101 com gargalo na oferta; Moody’s aponta risco de recessão para os EUA

Temores sobre interrupções no Oriente Médio sustentam preços da commodity e reforçam cautela global às vésperas das decisões de juros

Por Igor Markevich

17/03/2026 | 9:54 Atualização: 17/03/2026 | 11:59

Petróleo hoje sobe com força e volta a girar perto de US$ 100, com temores de oferta no Oriente Médio; movimento pressiona juros dos Treasuries e fortalece o dólar. (Imagem: Adobe Stock)
Petróleo hoje sobe com força e volta a girar perto de US$ 100, com temores de oferta no Oriente Médio; movimento pressiona juros dos Treasuries e fortalece o dólar. (Imagem: Adobe Stock)

O petróleo hoje recupera a força, revertendo as perdas de ontem, à medida que o mercado volta a precificar riscos de oferta ligados à guerra no Oriente Médio nesta terça-feira (17).

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Por volta das 12h (de Brasília), o WTI para maio era negociado a US$ 93,50, em alta de 1,12%, enquanto o Brent avançava 0,80%, a US$ 101,02, após os contratos terem chegado a subir mais de 4% nas primeiras horas do dia, quando o WTI atingiu US$ 96,20 e o Brent alcançou US$ 103,39.

Na B3, o movimento da commodity se refletia de forma desigual entre as petroleiras. Também por volta das 12h, Petrobras (PETR3; PETR4) avançava com mais consistência, com alta de 3,11% nas ações ordinárias, a R$ 51,68, e de 3,44% nas preferenciais, a R$ 47,15, acompanhando tanto a valorização do petróleo quanto o noticiário envolvendo a aquisição de ativos da Petronas.

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Entre as demais, a Prio (PRIO3) subia 1,56%, a R$ 60,73, sustentada pela licença de perfuração no campo de Frade, enquanto a PetroReconcavo (RECV3) avançava 2,67%, a R$ 13,48. No extremo oposto, a Brava Energia (BRAV3) derretia 3,97%, a R$ 17,90, liderando as perdas do Ibovespa após a frustração com a perda de ativos que estavam em negociação com a Petronas.

A cotação da commodity marca uma inflexão em relação à sessão anterior e recoloca no radar o temor de interrupções relevantes na oferta global de petróleo.

Risco de oferta sustenta alta

A escalada ocorre em meio à percepção de que os gargalos logísticos e operacionais no Oriente Médio podem se prolongar. Embora o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pressione aliados para ajudar na reabertura do Estreito de Ormuz, a iniciativa encontra resistência.

Na leitura de Warren Patterson, chefe de estratégia de commodities do ING, as alternativas discutidas até agora ainda não saíram do papel. Segundo ele, há indicações de que escoltas navais possam começar apenas no fim de março, o que sugere a manutenção de interrupções relevantes no curto prazo.

A avaliação reforça a percepção de que o mercado financeiro seguirá operando com prêmio de risco elevado enquanto não houver clareza sobre a normalização do fluxo de petróleo na região.

Petróleo pressiona juros e dólar

No exterior, os American Depositary Receipts (ADRs, que permitem que ações estrangeiras sejam negociadas nas bolsas de Nova York) da Petrobras (PETR3; PETR4) avançavam, refletindo a retomada do petróleo e a manutenção dos preços acima de US$ 100, em um ambiente que favorece empresas ligadas à exportação de energia.

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A nova rodada de alta da commodity também reverbera em outros mercados. Os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano (Treasuries) voltam a subir, em um movimento que acompanha a leitura de pressões inflacionárias mais persistentes. No mesmo sentido, o dólar ganha força frente a moedas fortes.

Alta da energia entra no radar de recessão

O avanço do “ouro negro’ também levanta alertas mais amplos sobre a economia global. Para Mark Zandi, economista-chefe da Moody’s, a permanência dos preços elevados pode empurrar os Estados Unidos para uma recessão nos próximos 12 meses.

Segundo ele, caso o petróleo siga em patamares elevados por semanas, o impacto sobre inflação e mercado de trabalho tende a dificultar uma desaceleração ordenada da economia norte-americana, um cenário que, historicamente, antecede períodos de contração.

Com informações da Broadcast

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