Mais cedo, às 5h, os contratos chegaram a cair após o acordo do Iraque para exportação via Curdistão até o porto de Ceyhan, na Turquia, o que trouxe alívio pontual à oferta. O recuo, porém, foi limitado por restrições no Estreito de Ormuz e pela escalada da guerra no Oriente Médio, que mantém elevado o prêmio de risco.
Na Bolsa, petroleiras acompanham o ritmo da commodity e sustentam ganhos relevantes no meio da manhã. Também por volta das 12h, a Petrobras (PETR3; PETR4) avançava, com as ordinárias a R$ 51,74 (+1,99%) e as preferenciais a R$ 47,06 (+1,47%).
Entre as que completam a imagem do setor, a Brava (BRAV3) subia 1,61%, a R$ 18,31, enquanto PRIO (PRIO3) ganhava 4,10%, a R$ 65,26, e a PetroReconcavo (RECV3) avançava 1,32%, a R$ 13,83. O movimento indica que, apesar da volatilidade externa e da cautela vista nos ADRs, o investidor local ainda responde de forma direta à valorização do barril.
Geopolítica limita alívio
Após saltar mais de 4% na véspera, o mercado ensaiou uma correção técnica, mas encontrou suporte nas tensões. Ataques à infraestrutura energética seguem no radar, com ofensivas do Irã e de Israel, além de episódios envolvendo campos no Iraque e nos Emirados Árabes Unidos.
O acordo iraquiano funciona como contrapeso, mas de alcance limitado. Com gargalos logísticos persistentes em rotas-chave, o mercado oscila entre sinais de recomposição de oferta e temores de interrupções.
Super Quarta recalibra juros
Na Super Quarta, quando Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) e Banco Central do Brasil anunciam decisões de juros, o petróleo volta ao centro do debate. A trajetória recente da commodity pesa sobre as expectativas e influencia o espaço para a política monetária.
Nos EUA, a expectativa é de manutenção dos juros entre 3,50% e 3,75%, com o foco na sinalização de cortes. No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) chega pressionado: o plano inicial de corte de 0,50 ponto perdeu força, e o consenso migrou para 0,25 ponto, com risco até de pausa.
Com o barril acima de US$ 100, o choque de energia reforça a cautela. O mercado já revisa o ciclo de afrouxamento, com projeções de Selic mais altas e menor espaço para cortes.
A possibilidade de greve de caminhoneiros adiciona calor e reforça o viés inflacionário. Apesar de algum alívio pontual, que sustentou futuros de Nova York, o pano de fundo segue instável. O petróleo volta ao centro das decisões macro e segue ditando o tom da volatilidade.