Investidores buscam atenuar os efeitos da guerra no Irã, o que sustenta tanto a moeda dos EUA quanto os rendimentos dos Treasuries, os títulos do tesouro norte-americano, e amplia a pressão sobre divisas emergentes.
No Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de março subiu 0,44%, próximo ao teto das estimativas, enquanto o Relatório de Política Monetária reforçou a mensagem de que o Banco Central (BC) não vê a inflação convergir ao centro da meta antes do terceiro trimestre de 2028. A leitura reforça a perspectiva de juros elevados por mais tempo, com efeitos diretos sobre atividade e câmbio.
Havia um contrapeso relevante. A alta do petróleo melhora os termos de troca do Brasil poderia favorecer empresas exportadoras de commodities, em especial a Petrobras (PETR3; PETR4), suavizando movimentos mais abruptos da moeda.
Leilões do BC
Por volta das 15h, o Banco Central voltou a intervir no câmbio hoje com a oferta de US$ 1 bilhão em leilões de linha (venda de dólar com compromisso de recompra), que foi totalmente absorvida. Como não está ligado à rolagem, o leilão representou injeção de recursos novos no mercado.
A oferta do BC foi dividida em dois leilões. No primeiro, com data de recompra em 5 de maio deste ano, foram vendidos US$ 500 milhões. Foi aceita uma proposta. No segundo, com recompra em 2 de junho, saíram outros R$ 500 milhões, com duas propostas aceitas.
O número reduzido de propostas aceitas sugere que a operação foi direcionada a players específicos, que precisavam das linhas para zeragem de operações ou remessas, segundo operadores. A oferta de linha tem impacto no cupom cambial, mas não afeta diretamente a taxa de câmbio.