Às 12h50 (de Brasília), o WTI para maio avançava 1,32%, a US$ 104,22, na Nymex, enquanto o Brent para junho caia 0,32%, a US$ 107,02, na ICE, após oscilar entre perdas e ganhos ao longo da manhã.
Na B3, o avanço da commodity se traduz em alta generalizada das petroleiras. Também às 12h50, a Petrobras (PETR3; PETR4) subia 1,70% nas ordinárias, a R$ 55,58, e 1,45% nas preferenciais, a R$ 50,39.
O movimento é acompanhado pelos pares do setor. A PRIO (PRIO3) avançava 0,55% a R$ 72,50, a PetroReconcavo (RECV3) subia 1,51% no valor de R$ 14,16 e a Brava Energia (BRAV3) ganhava 3,87% a R$ 20,92, em linha com o fortalecimento do petróleo no mercado internacional.
Geopolítica dita o ritmo
Os preços chegaram a ensaiar queda mais cedo após a veiculação de uma reportagem do The Wall Street Journal indicando que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estaria disposto a encerrar a guerra contra o Irã mesmo sem a reabertura plena do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo global.
A leitura inicial foi de alívio potencial sobre a oferta. Ainda assim, o movimento perdeu força à medida que novas declarações e eventos no campo militar recolocaram o risco no centro das atenções.
O secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que o conflito pode se intensificar caso Teerã não aceite negociar e destacou que os próximos dias serão decisivos. Ao mesmo tempo, reforçou que Washington segue aberto a um acordo.
Apesar das tensões, Hegseth afirmou que o fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz aumentou nos últimos dias, atribuindo o movimento à atuação americana na região. A indicação de maior circulação trouxe algum contraponto ao cenário de restrição, mas não foi suficiente para dissipar o prêmio de risco.
Oferta sob pressão
Do lado da oferta, o cenário segue apertado. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) viu sua produção despencar em março para o menor nível desde 2020, segundo levantamento da Reuters.
A queda foi de 7,3 milhões de barris por dia, levando a produção do cartel a 21,57 milhões de barris diários, em meio ao fechamento parcial de Ormuz e à necessidade de cortes nas exportações por grandes produtores como Arábia Saudita, Iraque e Kuwait.
A combinação entre restrições logísticas e cortes coordenados reforça a percepção de um mercado mais justo, em que qualquer choque adicional tende a ter impacto desproporcional sobre os preços.
Escalada militar reacende pressão
Ao longo do fim da manhã, os contratos ganharam tração após novas ameaças da Guarda Revolucionária do Irã, que elevou o tom contra empresas americanas no Golfo.
Relatos indicam ataques a instalações industriais ligadas a grupos internacionais em Israel, incluindo alvos associados aos setores de tecnologia e telecomunicações. O episódio reforça o risco de ampliação do conflito para além das rotas tradicionais de energia.
Esse tipo de movimento amplia o alcance geográfico da crise e adiciona incerteza sobre cadeias produtivas e logísticas, com reflexos diretos no petróleo.
Estratégia da Petrobras e leitura de longo prazo
Apesar do cenário de preços elevados, a Petrobras mantém disciplina na alocação de capital. A diretora de Exploração e Produção, Sylvia dos Anjos, afirmou que a companhia segue planejando seus projetos com base em um petróleo a US$ 60 ou menos.
Segundo a executiva, a alta recente abre uma janela de geração de caixa mais robusta, mas não altera a estratégia de longo prazo nem acelera projetos.
A companhia tem focado em ganho de eficiência e expansão consistente da produção. Em março, a estatal registrou pico de 2,92 milhões de barris por dia e produção de gás de 44 milhões de metros cúbicos na Bacia de Santos.