Por volta das 11h30 (de Brasília), o Brent para junho recuava 2,02%, a US$ 101,87, enquanto o WTI para maio caía 2,12%, a US$ 99,25. Mais cedo, o Brent chegou a romper o nível simbólico dos US$ 100, com queda próxima de 5%, mas reduziu perdas e voltou a operar acima desse patamar.
Na B3, o movimento de correção da commodity se traduz em perdas no setor. Também às 11h30, Petrobras (PETR3; PETR4) recuava 4,54% nas ordinárias, a R$ 51,46, e 3,70% nas preferenciais, a R$ 46,87. Entre as demais petroleiras, a PRIO (PRIO3) caía 2,93%, a PetroReconcavo (RECV3) perdia 2,85% e a Brava Energia (BRAV3) liderava as baixas, com recuo de 5,40%.
Expectativa de trégua dita o ritmo.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que espera retirar as tropas do Irã em duas ou três semanas. Teerã, por sua vez, indicou disposição para encerrar a guerra, desde que haja garantias contra novas agressões. O mercado, porém, trata o otimismo com cautela, especialmente diante do histórico de declarações contraditórias.
Hoje, às 22h, Trump deve se pronunciar novamente, evento que concentra a atenção dos investidores e pode redefinir o humor das cotações.
Do lado da oferta, o cenário segue tensionado. As exportações da Arábia Saudita caíram cerca de 50% em março, segundo dados compilados pela Bloomberg, após restrições impostas pelo Irã no Golfo Pérsico. Parte dos fluxos foi redirecionada para o Mar Vermelho, mas o episódio evidencia a fragilidade logística em um momento crítico.
Petróleo ainda pressiona inflação e ativos
No Brasil, o vetor de oferta segue na direção oposta. A produção de petróleo e gás bateu recorde em fevereiro, alcançando 5,304 milhões de barris de óleo equivalente por dia, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Apenas de petróleo, foram 4,061 milhões de barris diários, com alta de 16,4% em relação ao mesmo mês de 2025.
O pré-sal respondeu por mais de 80% da produção nacional, reforçando o papel do país como exportador relevante em um momento de escassez global.
No câmbio, a queda do petróleo ajuda a sustentar o apetite por risco global, favorecendo moedas emergentes como o real e pressionando o dólar. Ainda assim, o cenário permanece aberto a reversões rápidas.
Economistas ouvidos pelo Banco Central (BC) avaliam que o petróleo deve permanecer acima dos níveis pré-guerra, com impacto relevante sobre a inflação. Parte das projeções já aponta o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acima do teto da meta de 4,5%.
Estimativas da XP apontam para um aumento de arrecadação entre R$ 25 bilhões e R$ 30 bilhões, impulsionado pelo novo patamar de preços. Como o Brasil hoje é exportador líquido, o movimento melhora termos de troca e ajuda a conter pressões cambiais, ainda que complique o trabalho do BC no controle da inflação.
O alerta mais contundente veio da Europa. O dirigente do Banco Central Europeu, Yannis Stournaras, afirmou que um prolongamento do conflito com preços acima de US$ 150 por barril pode levar a economia europeia à recessão. Não é o cenário base, mas tampouco pode ser descartado.
Com informações da Broadcast