“A gente trabalhou só para pagar banco em 2025”, diz CEO da Priner (PRNR3)
Em entrevista ao E-Investidor, Tulio Cintra criticou o alto nível dos juros no País e disse que só paga "25% de dividendos porque são o mínimo obrigatório, senão não pagaria nada"
Tulio Cintra, CEO da Priner (PRNR3): "foco agora será reduzir dívida" (Foto: Divulgação)
“Já passou do limite.” Foi assim que o CEO da Priner (PRNR3), Tulio Cintra, resumiu a situação de alavancagem da companhia ao comentar os resultados do ano passado. A declaração, dada em entrevista exclusiva ao E-Investidor, chama atenção porque evidencia que, apesar de avanços operacionais, o principal desafio da empresa hoje está no peso da dívida, que vem consumindo grande parte do resultado gerado.
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No quarto trimestre de 2025, a Priner reportou lucro líquido de R$ 800 mil, uma queda de 96,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar disso, a receita líquida cresceu cerca de 13%, somando R$ 474 milhões, enquanto o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) avançou 3,3%, para R$ 62 milhões. O contraste entre crescimento operacional e colapso do lucro evidencia o impacto das despesas financeiras sobre o resultado final.
No acumulado de 2025, a companhia registrou lucro líquido de R$ 8,4 milhões, uma retração de 80,1% frente a 2024. Já a receita líquida teve alta de 26,7% no ano, e o Ebitda cresceu 15%, na mesma base de comparação. Mesmo com expansão consistente das operações, o retorno ao acionista foi fortemente pressionado pela estrutura de capital.
Juros altos
O CEO deixou claro onde está o problema: “Esse dinheiro foi inteiro pago para o banco.” Segundo Cintra, a empresa conseguiu gerar um resultado operacional robusto, mas praticamente todo o valor foi consumido pelo custo da dívida. Em outro momento, o executivo reforçou o diagnóstico ao afirmar que “80% do que você gera na sua operação tem que entregar para pagamento de dívida”, classificando a situação como “um absurdo”.
Diante desse cenário, a prioridade estratégica para 2026 é clara: reduzir a dívida. O plano envolve segurar investimentos, aumentar a geração de caixa e ampliar a base de contratos. Como explicou o executivo, “segurar investimentos, ganhar mais projetos e gerar ainda maior Ebitda” é o caminho para reequilibrar a estrutura financeira.
Na prática, isso significa que parte relevante da estratégia de crescimento está temporariamente suspensa. O próprio CEO admitiu que o pipeline da companhia foi colocado “na gaveta”, aguardando uma melhora nos indicadores de alavancagem. Ao mesmo tempo, a empresa segue priorizando segmentos com retorno mais rápido de caixa, como os projetos em linha branca.
Aposta na mineração
Mesmo com o cenário pressionado, a Priner mantém uma visão otimista para o médio e longo prazo, especialmente com a aposta no setor de mineração. A expectativa é de um ciclo de crescimento relevante no Brasil, o que pode impulsionar a demanda por serviços da companhia. Ainda assim, há riscos importantes no radar, principalmente ligados ao ambiente macroeconômico. Segundo Cintra, o maior deles é o custo do capital: “Está muito caro o cliente fazer dinheiro”, o que pode levar ao adiamento de projetos.
A aquisição da Semep foi a mais recente que a Priner fez para se preparar para o esperado crescimento do setor de mineração no Brasil, e o impacto disso deve começar a aparecer nos resultados em 2026, de acordo com o CEO da companhia.
“No ano passado, a Semep contribuiu apenas por dois meses e meio [nos resultados]. Em 2026, já teremos uma participação bem mais relevante, apesar de um primeiro trimestre impactado por chuvas, que dificultam a operação em campo. Mas nós vamos ver a Semep trazendo muita ‘cor’ para a companhia este ano, principalmente a partir do segundo trimestre”, disse Cintra.
Dividendos
Outro ponto sensível para o investidor pessoa física é a política de dividendos. A empresa pretende manter apenas o mínimo obrigatório por lei, sem distribuição adicional no horizonte próximo. O CEO foi direto ao abordar o tema: “Eu só distribuo os 25% porque é legal. Senão também não distribuía.” Em sua visão, “não distribuir é a melhor decisão para o acionista” neste momento, dado o estágio de crescimento e a necessidade de desalavancagem.
No geral, analistas que acompanham a empresa destacaram uma operação resiliente, mas pressionada por decisões financeiras do passado. Segundo eles, a tese de investimento deixa de ser baseada em renda e passa a depender da execução de um processo de desalavancagem e da captura de oportunidades futuras, especialmente em mineração.
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Veja a entrevista na íntegra no player acima, ou clique aqui.