No acumulado de 2026, o fundo Verde rende 7,41%, contra 4,54% do benchmark. As informações estão na carta mensal de gestão, divulgada nesta segunda-feira (11).
A Verde destaca que, apesar da continuidade do conflito no Oriente Médio, o grande tema do mês foi a forte alta das ações ligadas à inteligência artificial. Depois de um desempenho ruim em março, as Bolsas de NY tiveram ganhos de dois dígitos, apoiadas em revisões positivas de expectativa de lucro das empresas americanas, especialmente as ligadas a semicondutores e hyperscalers. “Voltamos a discutir o tema do excepcionalismo americano“, diz a carta.
As atenções ao mercado acionário americano se traduziram em fluxos menores de capital estrangeiro no Brasil. Em abril, o Ibovespa andou de lado, se mantendo na casa dos 187 mil pontos.
“No momento que os mercados mudaram seu foco da guerra (e petróleo) para a dinâmica de tecnologia e IA, a atratividade relativa do País, já num preço mais caro, ficou menor. Mantemos olhar atento para oportunidades que surjam nesse contexto se a correção do mercado local se aprofundar”, diz a Verde.
O fundo manteve a posição de Brasil, com exposição à renda variável e opções de compra no real, assim como as posições em renda variável global e a alocação aplicada em juro real e comprada em inflação implícita nos EUA. Para maio, a Verde zerou a maior parte das posições em moeda, incluindo o renminbi chinês que carregava há certo tempo, por “disciplina de risco”. O fundo tem ainda alocações em ouro e prata, proteção de crédito na Arábia Saudita e alocação em crédito no Brasil.
A volta do petróleo
A continuidade da guerra entre Estados Unidos e Irã fez a Verde voltar a implementar posições compradas em petróleo através de opções. Na carta mensal, a gestora diz que os mercados globais reagiram com bastante empolgação ao cessar-fogo entre as partes, mas que o não resolve, no entanto, a questão do Estreito de Ormuz. O petróleo voltou a subir na segunda metade do mês, revertendo parte do otimismo inicial.
Ainda que haja uma expectativa por um acordo, com colaboração da China e uma postura de baixa tolerância para a retomada de ataques militares por parte do presidente americano Donald Trump, não dá para estar “plenamente confortável” com essa conclusão, diz a Verde. Enquanto não há acordo, os estoques globais de petróleo cru e derivados vão sendo consumidos; um outro ponto de alerta para os preços da commodity.
“Em meados de junho podemos entrar numa fase mais aguda de necessidade de destruição de demanda. O fundo voltou a ter proteções via opções para um cenário de preços de petróleo mais altos”, diz a carta da Verde.