A agência de rating Moody’s Local Brasil promoveu uma rodada de rebaixamentos em bancos brasileiros, que incluiu o Banco de Brasília (BRB) e o Digimais em meio ao aumento de riscos de crédito, pressão sobre capital e maior incerteza operacional.
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A agência de rating Moody’s Local Brasil promoveu uma rodada de rebaixamentos em bancos brasileiros, que incluiu o Banco de Brasília (BRB) e o Digimais em meio ao aumento de riscos de crédito, pressão sobre capital e maior incerteza operacional.
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O movimento do BRB foi mais drástico: o rating caiu de BBB- para CCC+, nível considerado de alto risco de crédito, e segue em revisão para possível novo rebaixamento. No caso do Digimais, que tem a Record como controlador, a agência cortou o rating de emissor e de depósitos de longo prazo de BBB- para B+, além de rebaixar o curto prazo para ML B. A perspectiva foi revisada para negativa.
No caso do BRB, o rebaixamento para CCC+.br reflete uma deterioração mais aguda, com destaque para a incerteza sobre a capacidade de continuidade operacional sem um reforço relevante de capital.
De acordo com a Moody’s, o banco pode precisar de uma capitalização significativa, mas ainda não apresentou um plano claro de recomposição patrimonial após perdas associadas a operações com o Banco Master, que estão sob apuração de auditoria forense.
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Outro fator que pesa negativamente é o atraso na divulgação das demonstrações financeiras, que deveriam ter sido publicadas até 31 de março de 2026, ampliando a falta de visibilidade sobre a real situação do banco.
A crise também está ligada às investigações da Operação Compliance Zero, que apuram possíveis irregularidades. Até o momento, o BRB não detalhou o tamanho das perdas nem apresentou solução definitiva.
Embora o banco tenha anunciado em fevereiro um plano para levantar até R$ 6,6 bilhões com apoio do Governo do Distrito Federal, entraves jurídicos têm dificultado a execução. A Moody’s avalia que, sem esse reforço, o banco pode se aproximar de uma situação de default, com risco de desenquadramento regulatório.
Além disso, medidas para conter perdas, como venda de carteiras, podem comprometer receitas futuras, enquanto a confiança reduzida tende a pressionar a liquidez, elevando custos de captação e dificultando o acesso a recursos.
Segundo a Moody’s, o rebaixamento do Digimais reflete o aumento do risco de ativos, impulsionado pela forte exposição a fundos de investimento alternativos, como FIDCs não padronizados, FIPs, FIIs e Fiagros.
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Esses investimentos cresceram de forma relevante e atingiram cerca de R$ 3,9 bilhões em 2025, equivalente a 42% do valor total, e 5,8 vezes o patrimônio líquido. Apesar de importantes para a geração de receitas, esses ativos trazem maior volatilidade e menor previsibilidade ao banco, diz relatório da Moody´s.
Um dos pontos críticos foi a necessidade de provisão de R$ 271,4 milhões ligada a um FIDC, com impacto direto no resultado e no capital. Além disso, o banco enfrenta uma disputa judicial envolvendo esse tipo de ativo, o que adiciona incerteza.
A agência também destacou a fragilidade recorrente de capital, com histórico de desenquadramentos regulatórios e necessidade de aportes do controlador — que somaram R$ 725 milhões nos últimos anos. Em setembro de 2025, o índice de capital nível I chegou a 6,4%, abaixo do mínimo exigido.
Apesar disso, mudanças recentes na gestão e na estratégia podem ajudar a estabilizar os resultados no médio prazo, caso o banco reduza a exposição a ativos mais arriscados.
Para o Digimais, a perspectiva negativa indica risco de novo rebaixamento caso persistam perdas e pressão sobre o capital. Já para o BRB, a revisão em curso deve se concentrar na divulgação das demonstrações financeiras atrasadas; resultados da auditoria forense e viabilidade de um plano de capitalização.
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Na avaliação da agência, uma melhora do rating é pouco provável no curto prazo para ambas as instituições financeiras, enquanto novos rebaixamentos podem ocorrer diante de deterioração adicional de capital, resultados ou governança.
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