Ibovespa fecha com leve alta após ultimato de Trump ao Irã e ganhos da Petrobras (PETR4)
Bolsa brasileira reage à escalada das tensões no Oriente Médio após novas declarações de Trump e negativa do Irã a um acordo, enquanto investidores monitoram petróleo e dados de inflação
Investidores monitoram indicadores no Brasil e nos Estados Unidos, com foco em sinais sobre a economia e a trajetória dos juros em meio a cenário externo volátil. (Imagem: Adobe Stock)
O Ibovespa hojerondou a estabilidade, antes e depois que fossem conhecidas novas declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a guerra com o Irã. Ele voltou a estabelecer ultimato para que o adversário aceite um entendimento para a suspensão das hostilidades. Trump afirmou nesta segunda-feira (6) que o país tem capacidade de derrotar o Irã “em uma única noite”, ao elevar o tom das ameaças em meio à escalada de tensões no Oriente Médio. Mesmo assim, o Ibovespa conseguiu sustentar leve ganho de 0,06% no fechamento, aos 188.161,97 pontos, com giro bem enfraquecido a R$ 18,6 bilhões, abaixo da média do ano. Neste começo de abril, o índice da B3 acumula ganho de 0,37% no mês, colocando o avanço do ano a 16,78%.
O petróleo voltou a subir, embora moderadamente em Londres e Nova York, o que deu fôlego para as ações de Petrobras, com a ON em alta de 1,15% e a PN, de 1,64%. Os papéis da estatal sustentaram o pequeno ganho do índice da B3. Principal ação do Ibovespa, a Vale (VALE3), sem a referência do minério de ferro na China, por feriado, fechou o dia em baixa de 0,55%.
“O Ibovespa teve mais um dia tímido, e a volatilidade foi baixa mesmo com a fala de Trump. O mercado já esperava por um tom mais forte. Diria que o mercado já estava meio preparado para essa fala, o que se estende inclusive ao petróleo. Os prazos que Trump tem dado para acabar com a guerra não tem sido convincentes. Ainda se espera mais clareza: o mercado está estafado da falta de algo concreto”, diz Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos. Nesta tarde, Trump reafirmou que o Irã tem até as 21h de amanhã para fechar um acordo com os Estados Unidos que leve à liberação do estreito de Ormuz e à interrupção dos bombardeios. Ele disse ainda que a população do Irã deveria se rebelar contra o regime do país, embora tenha reconhecido que esse movimento pode trazer “consequências graves”
A semana começou em compasso de espera, com investidores atentos à escalada das tensões no Oriente Médio e às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que elevou o tom contra o Irã durante coletiva na Casa Branca. O presidente norte-americano disse nessa segunda-feira (6) que “todo” o Irã poderia ser “destruído” já amanhã ao comentar a operação militar americana no país e destacar a capacidade das Forças Armadas.
A agenda também foi guiada por indicadores de inflação no Brasil e nos EUA. Por aqui, o principal destaque é o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de março, além da participação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, na abertura do seminário anual de Política Monetária do IBRE/FGV, no Rio de Janeiro. No exterior, os dados do índice de preços de gastos com consumo (PCE), a inflação ao consumidor (CPI) e a divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve devem ajudar a calibrar as expectativas para os juros.
Trump e o Irã
“O país inteiro pode ser eliminado em uma noite, e essa noite pode ser amanhã”, disse Trump em coletiva na Casa Branca, ao comentar possíveis ações militares contra Teerā.
O republicano voltou a pressionar o Irã a aceitar um acordo até o prazo estabelecido por Washington, que termina amanhã (7), sob risco de ataques a infraestruturas estratégicas, como usinas de energia e pontes. Trump abriu a coletiva destacando o sucesso de uma operação de resgate de militares americanos no Irã, que classificou como “uma das maiores, mais complexas e mais arriscadas já realizadas”. “Este resgate é histórico. Vai entrar para a história”, afirmou.
Segundo ele, tropas americanas enfrentaram fogo inimigo “a uma distância muito próxima” durante a missão. O presidente acrescentou que uma segunda operação envolveu 155 aeronaves. Na coletiva, Trump está acompanhado pelo secretário de Guerra, Pete Hegseth, pelo chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, e pelo enviado especial Steve Witkoff.
E lá fora?
No dia em que o petróleo voltou a subir, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP+) anunciou aumento de produção em maio, medida que pode ter efeito limitado caso persistam restrições no estreito.
O petróleo hoje fechou em alta nesta segunda-feira, após o feriado prolongado de Páscoa, em meio à escalada das ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Irã, o que reduziu as expectativas de um possível acordo de cessar-fogo no Oriente Médio. Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para maio fechou em alta de 0,77% (US$ 0,87), a US$ 112,41 o barril. Já o Brent para junho avançou 0,68% (US$ 0,74), a US$ 109,77 o barril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE).
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A atividade de tráfego no Estreito de Ormuz ganhou força ao longo do fim de semana, com o número de travessias chegando a 10 no sábado e 11 no domingo, segundo dados da Marine Traffic. De acordo com a plataforma de monitoramento marítimo, embarcações sob sanções responderam por quase metade dos deslocamentos registrados no domingo, sinalizando uma mudança na composição do fluxo, em paralelo ao aumento do volume total de tráfego, o maior registrado desde o início do conflito no Oriente Médio em 28 de fevereiro.
Dois navios-tanque de gás natural liquefeito (GNL) do Catar, que estavam no Golfo Pérsico, passaram a indicar o Paquistão como próximo destino após uma tentativa anterior de deixar a região pelo Estreito de Ormuz, informou a Bloomberg. A movimentação foi a primeira tentativa do Catar de exportar combustível a partir do Golfo Pérsico desde o início da guerra com o Irã. Paralelamente, o primeiro-ministro e chanceler do Catar, Mohammed bin Abdulrahman al-Thani, conversou por telefone com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, e reafirmou que uma solução diplomática é a única saída para encerrar a atual crise regional. Araghchi disse que Teerã considera a situação atual como “resultado exclusivo da agressão militar dos Estados Unidos e do regime sionista contra o Irã, bem como do uso indevido pelos americanos de suas bases e recursos militares nos países da região para perpetrar agressões militares”, segundo comunicado no Telegram. Ainda assim, o diplomata expressou esperança de que os países da região ajam “em prol da paz e da segurança coletiva e interna”.
Em meio à alta do petróleo, o dólarencerrou o pregão desta segunda-feira (6) com queda de 0,26%, a R$ 5,1465. A moeda abriu a semana em leve queda no mercado local, alinhado ao comportamento da moeda americana no exterior, e fechou abaixo de R$ 5,15 pela primeira vez desde fins de fevereiro, antes da eclosão da guerra no Oriente Médio. Apesar de declarações dúbias do presidente Donald Trump ao longo da tarde – que combinaram ameaças de ataques massivos ao Irã com relatos de bom andamento das negociações -, houve apetite por divisas emergentes.
Após alta de 0,87% em março, o dólar recua 0,62% nos três primeiros pregões de abril. No ano, as perdas são de 6,24%. “O comportamento do câmbio está muito ligado ao noticiário sobre a guerra, com declarações de Trump provocando muita volatilidade. Vejo o mercado muito apegado ao nível de R$ 5,15 para o câmbio no curto prazo, remontando posições defensivas sempre que esse patamar é rompido”, afirma o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, acrescentando que, apesar das incertezas, ainda há fluxo de estrangeiros para a bolsa doméstica em busca de ações “muito descontadas”.
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À tarde, Trump reiterou que o prazo final para um acordo com o Irã expira nesta terça-feira, às 21h (horário de Brasília) e disse que um “inferno” se abaterá sobre Teerã caso não haja um cessar-fogo. “No estilo morde-e-assopra, Trump disse que a recente oferta iraniana representa um “grande passo”, embora não atenda às exigências dos EUA, e acrescentou que os interlocutores em Teerã têm se mostrado “razoáveis”. Ele ainda relatou que os americanos têm um participante ativo e disposto nas negociações. Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY rondava a estabilidade no fim da tarde, orbitando os 100,000 pontos, após máxima aos 100,286 pontos. Entre moedas emergentes e de países exportadores de commodities, destaque para o peso mexicano e, sobretudo, o florim húngaro, com ganhos de cerca de 1%. Na última sexta-feira, 3, com os mercados fechados em razão do feriado da Sexta-Feira Santa, saíram dados fortes do mercado de trabalho nos EUA. O relatório de emprego (payroll) mostrou geração de 178 mil vagas de emprego em março, bem acima da mediana de Projeções Broadcast, de 51 mil.
Investidores de olho na guerra
As bolsas em Nova York fecharam em alta no retorno do fim de semana prolongado pelo feriado de sexta-feira. O Dow Jones fechou em alta de 0,36%, aos 46.669,88 pontos. Já o S&P 500 avançou 0,44%, aos 6.611,83 pontos, e o Nasdaq subiu 0,54%, aos 21.996,34 pontos, após os três índices acumularem ganhos na semana passada.
Na Ásia, as Bolsas fecharam em alta, acompanhando o noticiário do Oriente Médio e a dinâmica do petróleo. O Nikkei subiu 0,55% em Tóquio, enquanto o Kospi avançou 1,36% em Seul. Não houve negociações na China continental, em Hong Kong e em Taiwan devido a feriado, assim como na Austrália, onde a Bolsa permaneceu fechada por conta da Páscoa.