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Petróleo hoje fecha próximo dos US$ 100 com cessar-fogo sob estresse e Ormuz travado; Petrobras sobe mais de 2%

Ibovespa renova máximas e Braskem recua com choque na oferta petroquímica global; defasagem do diesel segue elevada

Por Igor Markevich

09/04/2026 | 10:09 Atualização: 09/04/2026 | 17:55

Estreito de Ormuz. (Imagem: Adobe Stock)
Estreito de Ormuz. (Imagem: Adobe Stock)

O petróleo hoje fechou em alta ensaiando uma recuperação após o tombo histórico da véspera, mas ainda sob o peso de um mercado que tenta decifrar um cessar-fogo frágil e um fluxo de petróleo longe da normalidade.

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Nesta quinta-feira (9), o WTI para maio encerrou a sessão em alta de 3,66%, a US$ 97,87, enquanto o Brent para junho avançou 1,23%, a US$ 95,92. O movimento devolve parte das perdas de até 16% registradas no dia anterior, quando o anúncio de uma trégua entre Estados Unidos e Irã derrubou o prêmio de risco embutido nos contratos.

A valorização foi sustentada pela reprecificação do risco geopolítico após ataques recentes no Oriente Médio, que reacenderam temores de interrupções na oferta do óleo. Em contrapartida, ao longo da tarde, os preços perderam o fôlego com notícias de que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, pretende iniciar negociações diretas com o Líbano.

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Na B3 as petroleiras operam em alta acompanhando a retomada do “ouro negro”. Também no fechamento, Petrobras (PETR3; PETR4) avançou 2,93% nas ordinárias, a R$ 52,69, e 2,77% nas preferenciais, a R$ 47,90. No mesmo movimento, a Prio (PRIO3) subiu 2,11%, a R$ 65,45, enquanto a PetroReconcavo (RECV3) ganhou 1,60%, a R$ 13,99, e a Brava Energia (BRAV3) avançou 3,55%, a R$ 21,30.

O setor também reage à decisão da Justiça Federal que suspendeu a cobrança do imposto de exportação sobre petróleo para algumas empresas, reduzindo parte da pressão recente sobre os papéis. O governo, porém, já sinalizou que irá recorrer, ao avaliar que a liminar se baseia em trechos inexistentes da medida provisória que instituiu o tributo, o que mantém o tema no radar e adiciona incerteza institucional ao ambiente.

Impacto para a Petrobras

No caso da Petrobras, mesmo após a queda recente do petróleo, a defasagem do diesel nas refinarias permanece elevada, em torno de 49%, segundo a Abicom. Para alinhar os preços ao mercado internacional, seria necessário um aumento de R$ 1,78 por litro, o que evidencia a compressão de margens e o descompasso entre política doméstica e paridade externa.

O Citi revisou suas projeções para a companhia e elevou o preço-alvo dos papéis, refletindo um cenário de petróleo mais caro. Ainda assim, manteve recomendação neutra, apontando que o benefício da alta do barril tende a ser limitado pela política de preços domésticos e pelo programa de subvenção ao diesel.

Segundo o banco, a exposição da estatal ao petróleo ocorre sobretudo via exportações, estimadas em cerca de 900 mil barris por dia. Ao mesmo tempo, a defasagem nos combustíveis e possíveis atrasos no ressarcimento do subsídio pressionam o capital de giro.

Ibovespa surfa alta do petróleo

Às 16h24, o Ibovespa subia 1,65%, aos 195.368 pontos. As ações da Braskem (BRKM5), que chegaram a figurar entre as maiores altas do índice, haviam invertido o sentido e recuavam 0,11%.

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Para o estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz, o movimento vai no sentido oposto do petróleo mais caro e precifica um choque de oferta no segmento petroquímico. Sob o risco de recuperação judicial, a companhia se beneficia dos danos a plantas no Oriente Médio provocados pela guerra no Irã, o que tende a apertar a oferta global.

A empresa, por sua vez, voltou a negar qualquer decisão sobre um eventual pedido de recuperação judicial da Braskem Idesa, sua subsidiária no México, mantendo o tema no radar, mas sem efeito imediato sobre o apetite pelos papéis.

Fluxo segue travado mesmo com trégua formal

Segundo a plataforma Kpler, apenas quatro navios com rastreadores ligados cruzaram o Estreito de Ormuz na última quarta-feira, primeiro dia do cessar-fogo. O número é residual para uma rota por onde passa cerca de 20% do petróleo global.

O dado não inclui a chamada frota escura, usada sobretudo por países sob sanções, mas ainda assim reforça a leitura de que o fluxo permanece severamente comprometido. Em termos práticos, o estreito nunca voltou a operar plenamente.

A situação se agravou após novos ataques de Israel ao Líbano, classificados por Teerã como violação direta da trégua. Em resposta, o Irã voltou a fechar Ormuz e condicionou qualquer reabertura ao fim das ofensivas militares na região.

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“Você não pode ter tudo ao mesmo tempo”, afirmou o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Saeed Khatibzadeh, ao indicar que a segurança da navegação depende da interrupção das ações dos Estados Unidos e de Israel.

A trégua de duas semanas mediada pelo Paquistão previa a reabertura do estreito e a suspensão de ataques, mas a escalada no Líbano expôs rapidamente as ambiguidades do pacto, especialmente sobre a inclusão ou não do território libanês nos termos.

Na madrugada, os contratos chegaram a subir com a percepção de que a oferta segue restrita. Ao mesmo tempo, investidores monitoram a retomada das negociações diplomáticas, previstas para ocorrer em Islamabad nos próximos dias, ainda que o próprio governo iraniano já tenha sinalizado que, nas condições atuais, o diálogo é inviável.

Energia mais cara

Apesar da recente correção, analistas já consideram que o barril dificilmente retornará aos níveis pré-conflito no curto prazo. Interrupções em infraestrutura, risco geopolítico persistente e incertezas sobre o fluxo mantêm um prêmio relevante nos preços.

Esse ambiente recoloca a energia no centro da dinâmica inflacionária global, ainda que com efeitos possivelmente intermitentes

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