O petróleo hoje amanheceu em alta ensaiando uma recuperação após o tombo histórico da véspera, mas ainda sob o peso de um mercado que tenta decifrar um cessar-fogo frágil e um fluxo de petróleo longe da normalidade.
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O petróleo hoje amanheceu em alta ensaiando uma recuperação após o tombo histórico da véspera, mas ainda sob o peso de um mercado que tenta decifrar um cessar-fogo frágil e um fluxo de petróleo longe da normalidade.
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Nesta quinta-feira (9), por volta das 15h (de Brasília), o WTI para maio subia 2,05%, a US$ 96,34, enquanto o Brent para junho avançava 0,24%, a US$ 94,98. O movimento devolve parte das perdas de até 16% registradas no dia anterior, quando o anúncio de uma trégua entre Estados Unidos e Irã derrubou o prêmio de risco embutido nos contratos.
Na B3 as petroleiras operam em alta acompanhando a retomada do “ouro negro”. Também às 15h, Petrobras (PETR3; PETR4) avançava 1,68% nas ordinárias, a R$ 52,05, e 1,57% nas preferenciais, a R$ 47,34. No mesmo movimento, a Prio (PRIO3) subia 1,89%, a R$ 65,31, enquanto a PetroReconcavo (RECV3) ganhava 0,07%, a R$ 13,78, e a Brava Energia (BRAV3) avançava 0,24%, a R$ 20,62.
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O setor também reage à decisão da Justiça Federal que suspendeu a cobrança do imposto de exportação sobre petróleo para algumas empresas, reduzindo parte da pressão recente sobre os papéis. O governo, porém, já sinalizou que irá recorrer, ao avaliar que a liminar se baseia em trechos inexistentes da medida provisória que instituiu o tributo, o que mantém o tema no radar e adiciona incerteza institucional ao ambiente.
No caso da Petrobras, mesmo após a queda recente do petróleo, a defasagem do diesel nas refinarias permanece elevada, em torno de 49%, segundo a Abicom. Para alinhar os preços ao mercado internacional, seria necessário um aumento de R$ 1,78 por litro, o que evidencia a compressão de margens e o descompasso entre política doméstica e paridade externa.
O Citi revisou suas projeções para a companhia e elevou o preço-alvo dos papéis, refletindo um cenário de petróleo mais caro. Ainda assim, manteve recomendação neutra, apontando que o benefício da alta do barril tende a ser limitado pela política de preços domésticos e pelo programa de subvenção ao diesel.
Segundo o banco, a exposição da estatal ao petróleo ocorre sobretudo via exportações, estimadas em cerca de 900 mil barris por dia. Ao mesmo tempo, a defasagem nos combustíveis e possíveis atrasos no ressarcimento do subsídio pressionam o capital de giro.
Às 15h, o Ibovespa subia 1,61%, aos 195.301 pontos. As ações da Braskem, que chegaram a figurar entre as maiores altas do índice, haviam invertido o sentido e recuavam 0,55%.
Para o estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz, o movimento vai no sentido oposto do petróleo mais caro e precifica um choque de oferta no segmento petroquímico. Sob o risco de recuperação judicial, a companhia se beneficia dos danos a plantas no Oriente Médio provocados pela guerra no Irã, o que tende a apertar a oferta global.
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A empresa, por sua vez, voltou a negar qualquer decisão sobre um eventual pedido de recuperação judicial da Braskem Idesa, sua subsidiária no México, mantendo o tema no radar, mas sem efeito imediato sobre o apetite pelos papéis.
Segundo a plataforma Kpler, apenas quatro navios com rastreadores ligados cruzaram o Estreito de Ormuz na última quarta-feira, primeiro dia do cessar-fogo. O número é residual para uma rota por onde passa cerca de 20% do petróleo global.
O dado não inclui a chamada frota escura, usada sobretudo por países sob sanções, mas ainda assim reforça a leitura de que o fluxo permanece severamente comprometido. Em termos práticos, o estreito nunca voltou a operar plenamente.
A situação se agravou após novos ataques de Israel ao Líbano, classificados por Teerã como violação direta da trégua. Em resposta, o Irã voltou a fechar Ormuz e condicionou qualquer reabertura ao fim das ofensivas militares na região.
“Você não pode ter tudo ao mesmo tempo”, afirmou o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Saeed Khatibzadeh, ao indicar que a segurança da navegação depende da interrupção das ações dos Estados Unidos e de Israel.
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A trégua de duas semanas mediada pelo Paquistão previa a reabertura do estreito e a suspensão de ataques, mas a escalada no Líbano expôs rapidamente as ambiguidades do pacto, especialmente sobre a inclusão ou não do território libanês nos termos.
Na madrugada, os contratos chegaram a subir com a percepção de que a oferta segue restrita. Ao mesmo tempo, investidores monitoram a retomada das negociações diplomáticas, previstas para ocorrer em Islamabad nos próximos dias, ainda que o próprio governo iraniano já tenha sinalizado que, nas condições atuais, o diálogo é inviável.
Apesar da recente correção, analistas já consideram que o barril dificilmente retornará aos níveis pré-conflito no curto prazo. Interrupções em infraestrutura, risco geopolítico persistente e incertezas sobre o fluxo mantêm um prêmio relevante nos preços.
Esse ambiente recoloca a energia no centro da dinâmica inflacionária global, ainda que com efeitos possivelmente intermitentes
Com informações da Broadcast
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