À medida que nos aproximamos do que os jornalistas esportivos de lá chamam de “a fase decisiva” da temporada 2025-2026, oito dos dez clubes na metade superior da tabela da Premier League são de propriedade de americanos. Abaixo deles, na Championship da English Football League (que, apesar do nome, é a segunda divisão), quatro dos oito clubes que disputam o acesso à Premier League são de propriedade dos EUA (incluindo o projeto Wrexham, de Ryan Reynolds e Rob McElhenney, que virou sensação, e seu rival em documentário televisivo apoiado por Tom Brady, o Birmingham City).
E três dos oito principais clubes da divisão abaixo deles, a League One (ainda confuso, eu sei), contam com proprietários americanos. No geral, a maioria dos clubes da Premier League agora está em mãos americanas, assim como um terço dos clubes nas três divisões abaixo que compõem a English Football League.
Não faz muito tempo que um dos esportes mais queridos dos Estados Unidos consistia em criticar o esporte do resto do mundo. O futebol era ridicularizado como monótono e entediante, quando não era caracterizado como uma conspiração para alterar nosso modo de vida, a ser rejeitada por americanos “de sangue quente” com a mesma veemência com que rejeitamos outras abominações estrangeiras como o sistema métrico, o socialismo e o esperanto.
Mas hoje o futebol europeu — em especial o inglês — está na moda entre as classes investidoras americanas. O que mudou?
A aposta na promoção e no rebaixamento
Bem, acontece que a estrutura e a cultura do futebol global são o encaixe perfeito para os “instintos animais” de Wall Street, oferecendo um choque competitivo de muito maior risco do que qualquer esporte americano poderia proporcionar àqueles viciados em especulação competitiva e na busca por maiores ganhos financeiros. Os americanos costumavam zombar da existência de empates no futebol e da ausência de playoffs na maioria de suas ligas, como evidência de um “fator de fraqueza” no jogo mais associado a troféus de participação entre os jovens americanos.
Mas então os capitalistas americanos descobriram o sistema de promoção e rebaixamento do esporte (notavelmente ausente na liga doméstica de futebol dos EUA), que oferece aos clubes a possibilidade de subir e descer entre as várias divisões do jogo. Isso promete aos investidores uma valorização dramática — ou o risco de uma implosão existencial — dependendo de seus resultados em campo. O modelo “Moneyball” reina supremo em um mundo onde o desempenho esportivo tem correlação direta com o desempenho financeiro de um clube.
Vença o suficiente, seja promovido, e sua receita e valorização disparam exponencialmente (como o Wrexham experimentou nos últimos anos). Perca o suficiente, seja rebaixado para uma divisão inferior, e você será forçado a demitir funcionários e reduzir o valor do seu investimento à medida que suas receitas encolhem drasticamente.
Não é para os fracos, mas é irresistível para aquele tipo específico que fez fortuna superando gestores de hedge funds (Fundos de hedge) concorrentes ou firmas de private equity (investimento essencialmente em empresas que ainda não são listadas em bolsa). E é um tipo de atrativo que não existe nos esportes americanos, que carecem dessa correlação imediata entre desempenho financeiro e esportivo.
Em contraste, as ligas profissionais americanas são estruturadas para proteger seus proprietários exatamente desse tipo de risco. A NFL compartilha receitas de forma igualitária, impõe um teto salarial e concede ao pior time a primeira escolha no draft — socialismo com ombreiras. Os donos de equipes da NBA aperfeiçoaram o “tanking”, perdendo temporadas deliberadamente para melhorar sua posição no draft.
Ficar em último no darwinismo social de uma liga europeia de futebol significa ser banido para uma divisão inferior do esporte. Se o Cleveland Browns fosse um time de futebol inglês, a essa altura estaria jogando em uma liga de pub aos domingos.
Por que as avaliações ainda são baixas — por enquanto
A volatilidade e o risco do futebol europeu também atraem investidores americanos porque mantêm as avaliações mais baixas. Apenas o pequeno grupo de clubes da Premier League praticamente imunes ao rebaixamento possui algo próximo às avaliações de franquias esportivas dos EUA, porque o valor de todos os outros pode evaporar após uma ou duas temporadas ruins.
Tom Foley, que também é dono do Las Vegas Golden Knights da NHL, adquiriu o Bournemouth na Premier League depois de se surpreender ao perceber que poderia fazê-lo por menos do que o custo de adquirir uma nova equipe da MLS. Isso porque a avaliação do Bournemouth já incorpora a suposição de que o clube relativamente pequeno não permanecerá na Premier League por muito tempo.
Outro atrativo para investidores americanos é o caos financeiro do futebol inglês, agravado pela febre especulativa e pelos riscos extremos inerentes ao sistema de promoção e rebaixamento. Um estudo divulgado em janeiro pela empresa de contabilidade BDO afirmou que 90% de todos os clubes das quatro principais divisões da Inglaterra operam no prejuízo. Mais uma vez, um prato cheio para especialistas em reestruturação de private equity e para a engenhosidade financeira americana.
Os intangíveis
Depois, há os intangíveis — o fascínio quase viciante de quão significativo o futebol inglês é, tanto para a comunidade de cada clube quanto para o mundo inteiro. Converse com qualquer americano que tenha investido por lá, e ele descreverá com entusiasmo como a intensidade da paixão dos torcedores, a profundidade das raízes locais dos clubes e o alcance global do jogo não têm equivalente nos esportes dos EUA.
Então, no fim das contas, o que há para não gostar? Perder por lá pode ser exponencialmente mais brutal do que perder por aqui, é verdade, mas os “invasores amigáveis” que chegam à Grã-Bretanha não se veem como capazes de perder.
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