Veja o desempenho do dólar hoje. Foto: Adobe Stock
Odólar hoje fechou em queda, com os investidores atentos a dados de inflação e novos desdobramentos relacionamentos ao conflito no Oriente Médio. A moeda americana fechou com recuo de 1,03% sobre o real, a R$ 5,00115 na venda — o menor nível desde abril de 2024.
O mercado acompanha as frágeis negociações entre os Estados Unidos e o Irã, após Teerã condicionar a reabertura da rota ao fim dos ataques israelenses no Líbano. Com a pressão do presidente americano Donald Trump, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu autorizou negociações com o Líbano, embora os bombardeios sejam mantidos.
Trump também criticou o Irã por suposta cobrança de taxas a petroleiros que atravessam o Estreito Ormuz, responsável pelo escoamento de 20% do petróleo mundial, e exigiu a suspensão imediata da prática. O mercado precifica 57% de chance de normalização do tráfego na via até 1º de julho.
Os investidores repercutem também a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, que subiu 0,9% em março ante fevereiro, segundo dados com ajustes sazonais publicados hoje pelo Departamento do Trabalho. Na comparação anual, o CPI avançou 3,3% em março. Analistas consultados pelo Projeções Broadcast esperavam, para março, alta mensal de 0,9% e acréscimo anual de 3,4%.
“O resultado de março, sozinho, não altera a perspectiva para a política monetária americana. Já havia pouco espaço para novos cortes mesmo antes do início do conflito. A aceleração da inflação, juntamente com um payroll melhor que o esperado, colocam o Fed em modo ainda mais cauteloso”, avalia André Valério, economista sênior do Inter.
No Brasil, o mercado também repercute os dados de inflação referentes a março. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA foi de 0,88%, ficando 0,18 ponto percentual (p.p.) acima da taxa registrada em fevereiro (0,70%). Apesar de esperada, a alta pode pressionar o ritmo de corte da Selic.
“Mesmo com a alta, ainda fico muito tranquilo em relação a esta situação, devido ao trabalho que o Banco Central vem fazendo. Evidente que essas questões de guerra podem desacelerar a queda da Selic ou até mesmo, em casos extremos, fazer com que ela voltasse a subir (o que não acredito)”, diz Rafael Minotto, analista da Ciano Investimentos.
No ano, o índice acumula alta de 1,92% e, nos últimos 12 meses, de 4,14%, acima dos 3,81% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em março de 2025, a variação havia sido de 0,56%.