Não é novidade que as ações da petroleira desempenham papel importante no resultado do índice. Afinal, a PETR4 e PETR3 juntas representam 12% da carteira teórica do Ibovespa. Por causa desse peso, a petroleira tem de certa forma impulsionado, e às vezes travado, o caminho para os 200 mil pontos.
É um dilema: quando o noticiário geopolítico melhora, o petróleo cai, permitindo maior apetite por risco e, assim, pregões positivos ao Ibovespa. Mas a queda da commodity pressiona também os papéis da Petrobras, que limitam a alta do índice.
Isso aconteceu no início desta semana, quando sinalizações de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã fizeram o IBOV operar em inéditos 199 mil pontos. O marco histórico dos 200 mil só não foi alcançado porque, nestes pregões, as ações da Petrobras pesaram.
Entre a segunda (13) e o fechamento desta quinta-feira (16), o IBOV caiu 0,26%. A PETR3 e a PETR4, por sua vez, caíram 0,63% e 0,92%. “Nos últimos dias, as ações da Petrobras passaram por uma correção, o que acabou influenciando negativamente o desempenho do índice, já que os papéis da companhia representam aproximadamente 12% do Ibovespa”, destaca Marcel Serra Santos, diretor da mesa de operações da StoneX.
O contrário também é verdadeiro. Nesta quinta, quando o índice de ações caiu 0,47% em um dia sem grandes avanços nas negociações entre EUA e Irã, o petróleo voltou a subir. E foi a alta acima de 3% dos dois papéis da petroleira que limitou as perdas do dia na B3.
A mesma Petrobras que pode ter impedido o Ibovespa a bater os 200 mil pontos esta semana é a que o fez saltar mais de 22% este ano. A PETR3 sobe expressivos 64,75% em 2026, enquanto a PETR4 salta 57,62%. “De forma geral, a entrada de capital estrangeiro impulsionou a valorização do Ibovespa e a Petrobras se beneficiou desse movimento, especialmente em função da valorização do petróleo no mercado internacional”, diz Santos.
Ibovespa em duas direções
A Petrobras é um bom exemplo de um movimento de duas direções que vem acontecendo na Bolsa de Valores brasileira. Enquanto exportadoras, puxadas por petróleo e mineração, sustentam o índice, empresas domésticas seguem pressionadas por juros altos, inflação e incertezas.
Na leitura de Régis Chinchila, analista de research da Terra, o fenômeno é majoritariamente cíclico. “Nos parece majoritariamente um fenômeno conjuntural, ainda que com vetores que ampliam sua duração”, afirma. No curto prazo, a explicação está na combinação de fluxo estrangeiro concentrado, commodities resilientes e um ambiente doméstico restritivo. Isso favorece empresas expostas ao ciclo global, como Petrobras e Vale (VALE3), enquanto setores sensíveis à economia local continuam sob pressão.
O grande protagonista da alta que levou o Ibovespa a raspar nos 200 mil pontos é o investidor estrangeiro, que já entrou com R$ 69 bilhões na B3 este ano. Especialistas explicam que a alocação tem sido feita majoritariamente via Exchange Traded Funds (ETFs) de emergentes ou do mercado brasileiro, como o EWZ. Por ser uma posição montada em índice, o fluxo entra de forma mais expressiva nos papéis com maior peso na carteira do Ibovespa – justamente como a Petrobras.