Empresários globais ampliam confiança em 2026 e veem na inteligência artificial a principal alavanca de crescimento, segundo o UBS (Foto: Adobe Stock)
Empreendedores globais entram em 2026 mais confiantes, mesmo diante de um cenário ainda marcado por incertezas geopolíticas e volatilidade. Segundo o relatório do UBS, mais de dois terços dos empresários demonstram otimismo em relação aos seus negócios, após um 2025 turbulento. Esse sentimento reflete uma “mentalidade característica de crescimento”, sustentada principalmente pela demanda crescente por produtos e serviços e pelos avanços tecnológicos.
Esse otimismo, no entanto, não é homogêneo. Regiões como Europa e Suíça concentram os níveis mais elevados de confiança, enquanto Ásia-Pacífico aparece mais cautelosa — ainda que com maioria positiva. Em paralelo, os empreendedores seguem atentos aos riscos, como instabilidade política, mudanças na política comercial e a possibilidade de recessão global aparecem entre as principais preocupações tanto no curto quanto no médio prazo.
Ainda assim, a resposta tem sido ativa. “Estamos aumentando a eficiência operacional e diversificando mercados”, indicam os dados, mostrando uma postura de adaptação diante das incertezas.
No campo das apostas estratégicas, a inteligência artificial desponta como o principal vetor de transformação. Mais de seis em cada dez empreendedores veem na tecnologia a maior oportunidade comercial para os próximos anos. Os ganhos esperados estão concentrados em eficiência operacional, automação e melhoria na análise de dados, fatores diretamente ligados à rentabilidade. Veja abaixo as tecnologias que oferecem as maiores oportunidades comerciais e quais são as mais aproveitadas:
Tecnologias que oferecem as maiores oportunidades comerciais, segundo a UBS (Fonte: UBS)
Delwin Kurnia Limas, estrategista do UBS, explica que “as empresas estão priorizando casos de uso de IA de baixa complexidade que aumentam eficiência, velocidade e análise de dados”.
Enquanto o verdadeiro salto de valor deve vir quando a tecnologia redesenhar produtos e o relacionamento com clientes.
Apesar do entusiasmo, a adoção ainda enfrenta entraves
A falta de mão de obra qualificada e a dificuldade de entender como aplicar a IA nos negócios aparecem como os principais obstáculos. Isso ajuda a explicar por que muitas empresas, especialmente as de médio porte, optam por “alugar” soluções tecnológicas em vez de desenvolvê-las internamente, como relatou um empreendedor do setor.
Ao mesmo tempo em que buscam crescimento, os empresários já começam a planejar o fim do ciclo. O relatório mostra que quase um terço considera sair de seus negócios nos próximos cinco anos, seja por venda, sucessão familiar ou outras estratégias. A preferência majoritária é por vender a empresas do mesmo setor, em busca de sinergias e melhor valorização. Como aponta um executivo ouvido pelo UBS, “se você vender para um comprador estratégico, ele consegue gerar sinergias, o que tende a justificar um preço mais alto”.
Esse movimento está diretamente ligado ao fato que muitos priorizaram o crescimento das empresas em detrimento da construção de patrimônio pessoal. Assim, uma saída bem executada se torna crucial para transformar valor empresarial em riqueza individual, o que também explica a crescente preocupação com planejamento sucessório e eficiência tributária.
O retrato traçado pelo UBS é de uma classe empresarial que aposta fortemente em tecnologia, especialmente IA, busca novos mercados e eficiência, mas já se prepara para a transição patrimonial e a saída dos negócios.