O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a ação ocorreu diante de uma tentativa de violar o bloqueio naval. Negociadores americanos devem chegar nesta segunda-feira (20) ao Paquistão para uma nova rodada de conversas de paz, embora o Irã ainda não tenha confirmado participação.
Mesmo com alta, petróleo segue abaixo dos US$ 100
Apesar da alta, o petróleo segue abaixo de US$ 100 o barril e tenta se recuperar após a forte queda de sexta-feira (17), quando Teerã afirmou que a passagem pelo Estreito permanecia aberta. Perto das 12h50 (de Brasília), o WTI para junho avançava 6,02%, a US$ 88,90, enquanto o Brent subia 5,86%, a US$ 95,68.
A reescalada geopolítica segue como foco dos mercados, que também monitoram, nos próximos dias, a sabatina de Kevin Warsh, indicado ao comando do Federal Reserve, no Senado dos EUA, em meio ao choque de energia e aos riscos para inflação, crescimento econômico e política monetária.
O fortalecimento do dólar acompanha esse movimento. O índice DXY oscila impulsionado pela alta da commodity e pelas preocupações inflacionárias, especialmente na Europa. Perto das 12h40 (de Brasília), o índice recuava 0,08%, com o dólar a 158,96 ienes, enquanto o euro avançava a US$ 1,178 e a libra a US$ 1,354.
Petróleo influencia o Ibovespa hoje
No Brasil, a semana será mais curta por conta do feriado de Tiradentes, com a B3 fechada amanhã. Sem indicadores relevantes, o foco recai sobre o Boletim Focus, a Nota do Setor Externo de março (sexta-feira) e o balanço da Usiminas (sexta-feira), enquanto o ambiente externo reforça a dependência dos ativos locais.
Às 12h50, os tickers da Petrobras (PETR3; PETR4) subiam 1,99% e 1,62%, respectivamente.
No campo institucional, o TRF-2 acolheu recurso da PGFN e suspendeu liminar contra o imposto de exportação (MP 1.340/2026), que beneficiava empresas como Petrogal, Shell, Equinor, TotalEnergies e Repsol Sinopec, destacando o caráter regulatório da medida. O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirmou que a decisão é compatível com esse caráter.
Resultado do Focus
O relatório Focus entrou no radar, mas a agenda fraca reforça a dependência do cenário externo. O boletim apontou que inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) de 2026 disparou de 3,86% para 4,66%, a sétima alta consecutiva. A mediana para o IGP-M de 2027 permaneceu em 4,0% pela nona semana consecutiva. Da mesma forma, as estimativas intermediárias do Focus para o IGP-M de 2028 e 2029 continuaram em 3,82% e 3,70%, respectivamente.
Além disso, as medianas do Sistema Expectativas de Mercado, que embasam o boletim, passaram a indicar que a inflação acumulada em 12 meses vai permanecer acima do teto da meta, de 4,50%, por nove meses seguidos: de junho de 2026 até fevereiro de 2027.
Com a alta nas expectativas de inflação, o mercado também passou a ver menos espaço para cortes na Selic. As medianas do Sistema Expectativas indicam que o Banco Centra (BC) vai diminuir os juros em 0,25 ponto porcentual nas duas próximas reuniões, levando a Selic a 14,25% em junho. Antes, a expectativa era de um corte de 0,50 ponto no sexto mês do ano, a 14%.
O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic em 0,25 ponto porcentual, de 15% para 14,75% ao ano, no dia 18 de março. Foi a primeira diminuição da taxa de juros em quase dois anos. Apesar do corte, o colegiado alertou para o aumento das incertezas no cenário.
O presidente do BC, Gabriel Galípolo, reforçou a baixa visibilidade durante entrevista coletiva sobre o Relatório de Política Monetária (RPM), no dia 26 de março. Ele disse que o “conservadorismo” da autoridade monetária em 2025 compra tempo para analisar o cenário e entender os efeitos que a alta do petróleo terá sobre os preços domésticos.