Patria aposta em compra de portfólios para crescer com rali dos FIIs: ‘Estratégia agora é ganhar escala’, diz Rodrigo Abbud
Com o recorde do número de cotistas e retomada do ciclo de queda dos juros, sócio da gestora enxerga espaço para continuidade da valorização dos fundos imobiliários
O sócio e head da vertical de FIIs do Patria Investimentos, Rodrigo Abbud, diz que momento exige ganho de escala para aproveitar o rali dos fundos imobiliários. (Foto: Patria Investimentos/Arte E-Investidor)
Os fundos imobiliários (FIIs) ganham cada vez mais espaço na carteira do investidor local. Dados da B3, referentes a março deste ano, mostram que a classe de ativos atraiu mais de 330 mil investidoresnos últimos 12 meses e passou a reunir 3,1 milhões de cotistas, o maior patamar da história. O movimento vai na direção contrária do mercado de ações que de janeiro a março perdeu 112 mil investidores, apesar dos recordes recentes do Ibovespa.
A atratividade do setor se deve sobretudo ao retorno do ciclo de queda de juros no País que, em tese, costuma favorecer a classe de ativos. Em março, o Banco Central (BC) cortou a taxa Selic pela primeira vez em quase dois anos. Na reunião desta semana – cuja decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) será anunciada na quarta-feira (29) –, a expectativa é de continuidade desse movimento, embora haja preocupações com os efeitos da guerra entre Estados Unidos e Irã na inflação. Ainda assim, a projeção indica um corte de 0,25 pontos porcentuais.
A antecipação desse movimento ajudou o Ifix– índice de referência para a classe de ativos – a encerrar 2025 com a maior alta anual desde 2019, ao acumular uma valorização de 21,15%. Em 2026, o desempenho também segue positivo, com avanço de 4,16%. Apesar do cenário macroeconômico instável, em função da guerra no Oriente Médio, Rodrigo Abbud, sócio e head da vertical de FIIs do Patria, avalia que ainda há espaço para o rali dos fundos imobiliários ao longo de 2026.
A percepção do executivo se baseia em dois aspectos: desconto excessivo desde 2024 e manutenção dos benefícios tributários. Como mostramos nesta reportagem, o governo tentou alterar as regras tributárias para a classe de ativos, mas as propostas não avançaram no Congresso.
O setor também se beneficia com o fluxo estrangeiro em direção ao Brasil. Assim como as gigantes da Bolsa, como as ações da Petrobras (PETR3;PETR4), os fundos imobiliários também entraram no radar dos gringos. Dados da B3 mostram que os investidores estrangeiros respondem por 21,6% do volume negociado do setor, apesar de representarem apenas 4,1% desse mercado.
“Trata-se de uma classe que já sofreu muito e o desempenho do Ifix em 2025 vem de uma base extremamente depreciada. O mercado estava muito descontado“, diz Abbud. “Estamos em um ciclo com potencial de valorização bem interesse para o ano”, acrescenta o executivo.
Com esse cenário mais favorável, o Patria Investimentos, que possui uma carteira de FIIs de quase R$ 40 bilhões, reforça a sua estratégia para aproveitar as melhores oportunidades desse ambiente benigno: comprar novos portfólios para ganhar mais escala. Na avaliação do executivo, em um setor em plena expansão, os vencedores serão aqueles que permanecerem no topo da indústria.
“Isso acaba gerando tanto benefício para o cotista porque traz maior estabilidade para as cotas e diversificação para os portfólios”, diz Abbud “O mercado vai cada vez mais ser dominado pelos grandes e os grandes vão se tornar ainda maiores”, destaca.
A conversa com Rodrigo Abbud faz parte de uma série de entrevistas produzida pelo E-Investidor com os principais gestores do FIIs. O conteúdo reúne análises e estratégias dos profissionais que ajudam a definir os rumos da indústria de fundos imobiliários no Brasil.