Considerando apenas as 122 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana passou de 4,85% para 4,89%.
A estimativa intermediária do mercado para o IPCA de 2027 aumentou pela quinta semana consecutiva, de 3,99% para 4,0%. Há um mês, era de 3,84%. Considerando apenas as 118 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, permaneceu em 4,0%.
O BC prevê inflação de 3,9% em 2026 e de 3,3% no acumulado de 12 meses até o terceiro trimestre de 2027, o horizonte relevante da política monetária. A projeção para o IPCA do ano que vem é de 3,3%.
A partir de 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo.
No boletim Focus desta segunda-feira (27), a mediana para o IPCA de 2028 passou de 3,60% para 3,61%. Um mês antes, era de 3,57%. A estimativa intermediária para a inflação de 2029 permaneceu em 3,50% pela 34ª semana consecutiva
Projeção suavizada de IPCA de 12 meses
A mediana para a inflação suavizada nos próximos 12 meses caiu de 4,11% para 4,09%, em meio às incertezas causadas pela guerra. Um mês antes, a mediana era de 4,10%. Considerando apenas as estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, passou de 4,14% para 4,10%.
A medida ganhou importância nas análises do mercado após a regulamentação da meta de inflação contínua, válida a partir do ano passado. Para evitar saltos bruscos nas expectativas devido à diferença entre o valor projetado e o realizado, o BC dilui esse desvio de forma gradual, do dia da divulgação até a próxima. O resultado é a inflação suavizada.
O novo alvo foi descumprido pela primeira vez em julho de 2025, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA fechou junho com alta de 5,35% em 12 meses – acima do teto da meta, de 4,50%, pelo sexto mês consecutivo.
No mesmo dia, o Banco Central (BC) publicou uma carta aberta ao então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, informando que esperava que a inflação acumulada em 12 meses caísse abaixo do teto da meta no fim do primeiro trimestre de 2026. O ministro da Fazenda pode propor uma alteração ao Conselho Monetário Nacional (CMN), mas é necessário esperar 36 meses para que qualquer mudança tenha efeito.
A expectativa de inflação suavizada para os próximos 12 meses é calculada com base nas projeções das instituições para a inflação total nesse período. A cada nova divulgação do IPCA, a projeção para o mês mais antigo é substituída pelo novo dado.
Selic no fim de 2026
A mediana para a taxa Selic no fim de 2026 permaneceu em 13,0%, às vésperas das decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) desta quarta-feira (29). Um mês antes, era de 12,50%. O mercado financeiro vem calibrando as expectativas para a trajetória dos juros, em meio à pressão inflacionária causada pela disparada dos preços do petróleo.
Considerando só as 110 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana para a Selic no fim de 2026 também permaneceu em 13,0%.
A mediana do Focus para a taxa Selic no fim de 2027 se estabilizou em 11,0%. Um mês atrás, era de 10,50%. Considerando apenas as 107 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana também continuou em 11,0%.
No Focus desta segunda-feira, a mediana para a Selic no fim de 2028 permaneceu em 10,0% pela 14ª leitura seguida. A estimativa para 2029 caiu de 9,88% para 9,75%. Um mês antes, também era de 9,75%.
Incertezas colocam em risco ciclo de cortes da Selic
Na última decisão, do dia 18 de março, o Copom reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto porcentual, de 15% para 14,75% ao ano. Foi a primeira diminuição dos juros em quase dois anos. Apesar do corte, o colegiado alertou para o aumento das incertezas no cenário, por causa do conflito no Oriente Médio, que levou ao fechamento do Estreito de Ormuz.
O presidente do BC, Gabriel Galípolo, disse, durante entrevista coletiva no dia 26 de março, que o “conservadorismo” da autoridade monetária durante 2025 compraria tempo para analisar o cenário e entender os efeitos da alta do petróleo sobre os preços domésticos. “Estamos entendendo e vamos aprender mais daqui até a próxima reunião do Copom”, ele afirmou.
Na última pesquisa Projeções Broadcast, 33 de 37 instituições financeiras esperavam um novo corte de 0,25 ponto na Selic esta semana, que levaria a taxa a 14,50%. Dois outros respondentes previam uma redução maior, de 0,50 ponto, e dois, manutenção dos juros em 14,75%.