Delano Macêdo e Ricardo Binelli, sócios da Solis: fundo diversificado deu retorno de 112,69% desde a sua criação (Foto: Solis/Divulgação)
O Solis Pioneiro, primeiro fundo de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) do Brasil voltado a investidores de varejo, alcançou a marca de R$ 1 bilhão de patrimônio líquido. Lançado em junho de 2024 pela gestora, o número reflete a receptividade dos investidores sobre a classe de ativos. Em abril, os FIDCs foram a classe de fundos que mais captou ao registrar entradas líquidas de R$ 4,5 bilhões. No acumulado do ano, é o quarto tipo de fundo que mais captou.
Dentro da categoria de renda fixa, os FIDCs são fundos de crédito estruturado, ou seja, veículos de investimento baseados em títulos de créditos a receber de uma empresa, após um processo chamado de securitização e outras modalidades de crédito.
Existem hoje apenas três FIDCs voltados para o varejo abertos ao pequeno investidor, segundo dados da Economatica: outros cinco tiveram apenas uma janela para captação de pequenos investidores e estão fechados atualmente. Além do fundo da Solis, o pequeno investidor tem acesso ao Valora Vanguard, que foi criado em fevereiro de 2025, tem 8 mil cotistas e quase R$ 500 milhões sob gestão, e o Bossanova 90, da Jive Mauá, que também foi criado em fevereiro de 2025, tem 21,7 mil cotistas e R$ 1,2 bilhão sob gestão.
Delano Macêdo e Ricardo Binelli, sócios da Solis Investimentos, apontam que o volume corresponde a cinco vezes o da perspectiva inicial. “Estimamos R$ 150 a R$ 200 milhões em até um ano, mas batemos R$ 600 milhões, e chegamos a mais de R$ 1 bilhão agora. Ou seja, quase dobramos de tamanho em apenas um ano”. O fundo rendeu 30,41% desde a sua criação, o equivalente a 112,69% do CDI.
A carteira do produto é inteiramente composta por cotas seniores de FIDCs que tenham sido classificadas por uma agência de risco, sendo que os créditos são de operações já concluídas ou entregues, em que a obrigação principal do vendedor já foi cumprida (uma mercadoria já entregue ou um serviço já prestado).
Todas essas características são exigidas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) com o objetivo de dar maior segurança para os investidores. Além disso, a CVM exige que um FIDC voltado para o pequeno investidor mantenha um porcentual de 30% em ativos líquidos, o dobro do exigido por um produto voltado para investidores qualificados.
O Pioneiro já atingiu a marca de 15 mil cotistas, o que o torna comparável a fundos imobiliários, outro produto que caiu no gosto dos investidores de varejo. Investe em cerca de 50 fundos, e seu objetivo é entregar um retorno acima da renda fixa tradicional, equivalente ao CDI mais 1,5%. “Como os FIDCs não têm um mercado secundário desenvolvido, o fundo de fundos ajuda a trazer diversificação e um fluxo de recebimentos mais previsível”, diz Binelli.
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O fundo está disponível em plataformas de investimentos com investimento inicial de R$ 500. Embora tenha incidência de IOF em resgates de curto prazo, o fundo não possui come cotas, mecanismo que corrói a rentabilidade ao longo do tempo, o que, segundo os executivos, favorece o investidor de longo prazo.
Cenário pressionado
Questionados sobre os eventos de crédito recentes que atingiram os fundos de crédito privado, os executivos apontam que diferente de fundos de debêntures, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), que costumam ter operações mais concentradas em dívidas de empresas, o FIDC tem operações de crédito consignado pulverizadas entre dezenas de milhares de devedores. “A esmagadora maioria dos FIDCs tem essa característica. São créditos pulverizados, e não necessariamente longos.”
Desde 2014, os executivos apontam que “é irrelevante” o número de FIDCs cuja inadimplência atingiu a cota sênior, ou seja, a cota mais protegida da classe de ativos, e na qual pequenos investidores podem investir. Geralmente, a cota júnior absorve a maior parte dos problemas. “Para chegar na cota mezanino ou sênior, só fraudes ou problemas maiores”, conta Binelli.
Faz parte da governança do Pioneiro e da Solis o estudo dos originadores dos créditos a partir de uma discussão de cenário. Nela os gestores verificam se privilegiam outros emissores e diminuem aportes no alvo do estudo. “Não temos nenhum crédito relacionado a pessoa física sem garantia. Também ficamos de fora do agronegócio. Monitoramos e escolhemos os nossos lastros”, diz. A Solis busca se proteger dos originadores com garantias para que, em caso de problemas, sejam os primeiros a perderem.
“Nossos fundos já passaram por períodos de crise, como a queda da ex-presidente Dilma Rousseff, a pandemia do coronavírus, a crise da Americanas e recentemente a da Ambipar. A cada ciclo, o burburinho de uma crise sobre a classe é menor. Na Operação Carbono Oculto, os FIDCs foram usados com fim específico de fraude, sem o intuito de distribuir os fundos no mercado”, conclui Macêd0.
Sobre as perspectivas para a classe de ativos diante de um ciclo de queda dos juros, Macêdo aponta que os FIDCs devem se manter competitivos enquanto os juros permanecerem em níveis elevados, o que, na visão dele, deve durar ao menos mais três anos.