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Investimentos

Saiba como fica a poupança com a Selic a 4,25%

Com o aumento da Selic, a aplicação na poupança passa a render 0,25% ao mês, ou 2,98% ao ano.

Por Luiz Felipe Simões

18/06/2021 | 3:00 Atualização: 18/06/2021 | 16:31

Foto: Pixabay
Foto: Pixabay

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central elevou na quarta-feira (16), pela terceira vez consecutiva, a taxa básica de juros Selic em 0,75 pontos percentuais. Com isso, o indicador foi de 3,50% a 4,25% ao ano.

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Por conta do aumento, a aplicação mais popular do Brasil, a poupança, passa a render um pouco mais. Em nota, o BC informou que esse ajuste é necessário para mitigar a disseminação dos atuais choques temporários sobre a inflação. “O Comitê enfatiza, novamente, que não há compromisso com essa posição e que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar o cumprimento da meta de inflação”, diz a autoridade.

Com o aumento, os rendimentos da caderneta de poupança, passam a ser de 0,25% ao mês, ou 2,98% ao ano. Vale lembrar que desde 2012 a aplicação passou a ser limitada a 70% da Selic mais a Taxa Referencial, que está zerada desde 2017.

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Alexandre Marques, gerente de produtos Renda Fixa na Ágora Investimentos, disse que a alta da Selic já era esperada pelo mercado. “A grande diferença é que o Copom já deixou um sinalizado que pode haver aumento de 1% na próxima reunião. Isso mostra que a inflação tem nos pressionado fortemente”, diz. Para o especialista, o que vem pressionando a inflação para cima é a crise hídrica e a alta das commodities.

A poupança e a inflação

O elemento central que impacta os rendimentos da poupança é a inflação. Segundo o IBGE, o IPCA (que mede a inflação oficial do Brasil) fechou o mês de maio em 0,83% e está em 8,06% no acumulado dos últimos 12 meses.

No Boletim Focus divulgado pelo BC na segunda-feira (14) foram divulgadas as mais recentes expectativas do mercado a respeito dos indicadores econômicos do País. No relatório, projeta-se a Selic a 6,25% ao ano e o IPCA em 5,82%, ambos para o final de 2021.

Com a inflação nestes patamares, os investidores que aplicam na poupança estão perdendo dinheiro, pois o rendimento da aplicação não supera o aumento medido pelo IPCA. É isso que o mercado chama de ter “retornos reais negativos”.

Para calcular a verdadeira valorização da poupança é preciso descontar dos ganhos o IPCA do período. De acordo com os últimos dados do IBGE para o IPCA de 8,06%, os investidores da poupança perdem 5,08 pontos percentuais de poder de compra.

  • Considerando a Selic a 4,25% (atual) e a inflação a 8,06% (últimos 12 meses):
    Vamos supor que você invista R$ 1 mil na poupança. Daqui um ano, terá cerca R$ 1.029,80. Agora, descontando a inflação, o seu retorno real é de aproximadamente R$ 969,86;
  • Considerando as projeções do Boletim Focus da Selic a 6,25% e da inflação a 5,82%:
    Vamos supor que você invista R$ 1 mil na poupança. Daqui um ano, terá cerca R$ 1043,75. Agora, descontando a inflação, o seu retorno real é de aproximadamente R$ 983.

Para o educador financeiro Leandro Benincá, o pior ponto não é a poupança perder para inflação, e sim que o banco que está te oferecendo a poupança tem investimentos melhores. “A instituição vai pegar esse dinheiro que está na poupança e grande parte dele será colocado em títulos públicos, como o Tesouro Selic, que paga 4,25% ao ano. Porém, o banco vai te dar 2,98%, ou seja, você poderia pegar o seu dinheiro e fazer a mesma coisa que o banco faria, ganhando mais com isso”, diz Benincá.

As melhores alternativas para os conservadores

Pensando nos investidores que possuem maior aversão aos riscos, consultamos cinco especialistas para falarem sobre as melhores alternativas de investimentos para aqueles que possuem um perfil mais conservador. Entre eles, é unanimidade que a poupança, mesmo com o aumento, continua desvantajosa do ponto de vista da rentabilidade.

Daniel Chaves, assessor da Golden investimentos

“Existem diversas outras opções de renda fixa que possuem a mesma segurança da poupança, porém com maior rentabilidade. Um exemplo para os ultraconservadores é um CDB de liquidez diária que, por exemplo, rende 100% do CDI. Só essa diferença de 70% do CDI ou da Selic para 100% já faz uma bela distinção na carteira do investidor”.

Andre Albo, sócio da Alta Vista Investimentos

“Para o investidor que deseja correr pouco risco, há alternativas melhores, como os próprios títulos pós-fixados atrelados ao CDI. Podemos pensar em Tesouro Selic, que paga 4,25% ou 100% da Selic, contra os 2,98% da poupança. Sem contar, também, as alternativas de CDBs dos bancos médios, que acabam pagando na faixa de 115%, 120% do CDI. Mas, nestes casos, o investidor precisa analisar a questão da liquidez, entendendo se faz sentido para o momento dele e para o seu perfil”.

Alexandre Marques, gerente de produtos Renda Fixa na Ágora Investimentos

“Para conservador, as melhores alternativas no momento são títulos atrelados à Selic e ao CDI porque eles acompanham a alta da Selic. Então automaticamente quando o BC sobe juros, o investimento acaba acompanhando. Para os investidores pessoa física os diferenciais são os investimentos isentos de imposto de renda, que são mais de curto prazo mas não pagam impostos”.

Leandro Benincá, educador financeiro

“Há muitos outros produtos de investimentos melhores do que a poupança que rendem mais e compensam a inflação, como o próprio Tesouro IPCA, que vai pagar o IPCA mais um percentual. Ou seja, vai compensar a alta inflação. Para aqueles que querem o dinheiro a qualquer momento, optar pelo Tesouro Selic é uma boa ideia”.

Marcos Lorio, gestor da Integral

“Para os investidores conservadores, mas que desejam estar indexados ao CDI para acompanhar essa alta da Selic, que continuaremos vendo nas próximas reuniões do Copom. Recomendamos, então, os fundos de crédito privado. Temos diversas oportunidades no mercado, e grande parte desses fundos são indexados ao CDI, pois compram ativos de crédito que são remunerados, geralmente, pelo CDI mais um spread”.

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