Na quinta-feira (14), o dólar à vista havia encerrado o pregão em queda de 0,45%, cotado a R$ 4,9863, devolvendo parte do estresse da sessão anterior, marcada pelo chamado segundo “Flávio Day”, quando o mercado reagiu ao áudio envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Petróleo, juros nos EUA e aversão a risco
No mercado internacional, o dólar também ganha força nesta manhã, sinal de que o movimento não acontece só no Brasil. Por volta das 10h30, frente ao euro, a moeda americana sobe 0,33%, com o câmbio em 0,8598 euro por dólar. A libra esterlina perde terreno, caindo 0,36%, para 1,3361. Já o iene japonês segue pressionado, levando o dólar a 158,58 ienes, alta de 0,16%.
O principal vetor da manhã vem do exterior. O petróleo segue firme acima dos US$ 105 por barril diante do impasse nas negociações envolvendo EUA e Irã, o que mantém aceso o temor de inflação global mais persistente.
Com energia mais cara, o mercado voltou a reforçar apostas de juros elevados nos Estados Unidos por mais tempo e até mesmo de uma nova alta pelo Federal Reserve, banco central dos EUA, até o fim do ano. O resultado aparece em cadeia: os rendimentos dos Treasuries, títulos do Tesouro americano, sobem, o dólar ganha força no exterior e moedas emergentes, como o real, perdem terreno.
O movimento também encontra respaldo em indicadores recentes da economia americana, que vieram mais fortes do que o esperado tanto em atividade quanto em inflação.
Ruído político e dados de serviço no radar
No Brasil, o noticiário político adiciona volatilidade ao câmbio. Investidores monitoram os desdobramentos do caso envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro após o vazamento do áudio em que o senador pede recursos para concluir o filme “Dark Horse”, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nesta sexta, o mercado também acompanha a repercussão política do episódio em Brasília. O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai, acionou o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf, responsável por prevenir e combater a lavagem de dinheiro) sobre transferências ligadas ao filme, enquanto Flávio negou repasses ao irmão, Eduardo Bolsonaro.
O tema ganhou peso justamente porque parte do mercado vinha reduzindo o prêmio político nos ativos brasileiros nos últimos meses. Agora, cresce a percepção de que a corrida eleitoral de 2026 pode voltar a influenciar de forma mais direta o humor dos investidores.
Os dados domésticos também entraram na conta. O volume de serviços no Brasil caiu 1,2% em março ante fevereiro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado veio pior do que todas as estimativas coletadas pelo mercado e reforçou sinais de desaceleração da atividade econômica.
Mesmo assim, o dado não foi suficiente para aliviar o dólar, já que o ambiente externo mais defensivo acabou falando mais alto nas primeiras horas do pregão.
Com informações da Broadcast.