Em relatório, os analistas Ricardo Monegaglia e Caique Isidoro destacam que, desde meados de abril, o papel superou a Gerdau e o Ibovespa em 17% e 37%, respectivamente, após resultados do primeiro trimestre de 2026 acima das estimativas do mercado, queda mais rápida das importações de aço e maior confiança na implementação de novas medidas antidumping (prática comercial predatória de venda de produtos abaixo do custo para eliminar concorrentes).
Apesar disso, eles avaliam que boa parte desse cenário mais favorável já está no preço, o que limitaria o potencial adicional a partir dos níveis atuais e aumentaria a assimetria do perfil de risco-retorno.
Na visão do banco, a demanda segue fraca e há riscos que podem reduzir a efetividade das medidas antidumping. O relatório acrescenta que permanece o risco de baixa se os preços não melhorarem ou se os custos não caírem, pois as projeções do banco já embutem premissas otimistas de preços e alguma deflação dos custos de matérias-primas.
O Safra elevou a estimativa de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de 2026 em 34%, para R$ 2,6 bilhões, com impulso de um Ebitda mais forte em Aço (alta de 46% ante a estimativa anterior). A revisão incorpora preços domésticos mais altos e queda de 3% no custo dos produtos vendidos/t do segmento, ajudada por um real mais forte, dado o elevado componente de custos atrelados ao dólar.
Os volumes de Aço foram revisados ligeiramente para baixo, com queda de 2%, mas o banco afirma que spreads melhores mais do que compensaram o corte.
Em Mineração, o Safra reduziu o Ebitda de 2026 em 18%, citando volumes menores de minério de ferro (queda de 2%) e cash custo dos produtos vendidos/t maior (alta de 3%), que mais do que compensaram preços realizados ligeiramente mais altos (alta de 1%). Para 2027, o banco elevou o Ebitda em 19%, para R$ 3,5 bilhões, apoiado por números mais altos em Aço e Mineração.
O banco calcula que a Usiminas é negociada com múltiplo de 4,7 vezes o EV/Ebitda de 2026 e 3,5 vezes o de 2027, acima da média de cinco anos, de 3,6 vezes, e diz ver maior assimetria de baixa porque o valor do ativo (valuation) de 2027 já embute uma melhora forte ante os resultados atuais.