Citi avalia que ação do Inter já precifica parte relevante do crescimento esperado e vê desafios para sustentar rentabilidade. (Foto: Divulgação/Inter)
O banco Inter (INBR32) divulgou um 1T26 forte, com lucro líquido de R$ 395 milhões, salto de 38% em relação ao mesmo período de 2025, e 44 milhões de clientes com 60% deles ativos. Entretanto, nem tudo são flores e, apesar do resultado positivo, acabou faturando recomendações negativas.
O Citi rebaixou as ações do laranja de ‘compra’ para ‘neutra’, reduzindo também o preço-alvo de US$ 12 para US$ 6,50. Somente em maio, o ticker caiu 22,73%. Em 2026, derreteu 37,31%. O banco americano cita a transição da companhia para um ciclo mais desafiador após uma fase de forte execução — “foi uma boa jornada”, intitulou a casa.
Para o Citi, as estimativas de lucro caíram de 7% para 2026 e 3% para 2027. O principal argumento para o rebaixamento é que, após uma valorização de aproximadamente 150% em dólares desde a introdução das metas da “projeção 60/30/30”, a ação já precifica adequadamente uma trajetória de retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) na faixa de 15%, limitando o potencial de alta à medida que os riscos de execução aumentam.
No curto prazo, o banco aponta que o risco para os lucros está inclinado para baixo. A formação de ativos em estágio 3 está elevando o custo do risco e comprimindo a margem líquida de juros ajustada ao risco, reflexo da migração da carteira para empréstimos com garantia.
Ao mesmo tempo, as despesas operacionais surpreendem negativamente, com custos de pessoal subindo cerca de 20% ao ano apesar do número estável de funcionários – sinal de uma força de trabalho estruturalmente mais cara.
“A alavancagem operacional estagnou, os ganhos de eficiência foram interrompidos e vemos pouca visibilidade para a recuperação da margem no curto prazo”, escrevem os analistas.
No médio prazo, os desafios são estruturais. A receita de tarifas desacelera, principalmente em cartões de crédito, pressionada pelo menor crescimento do volume de transações e pela dinâmica mais fraca das taxas de intercâmbio.
A mudança estratégica para empréstimos com garantia — como o consignado — traz margens menores, competição acirrada e oportunidades limitadas de venda cruzada. O banco avalia que as metas da “Regra dos 50” estão se tornando progressivamente mais difíceis de alcançar.