O chamado “efeito jogo” quantifica o impacto das condições financeiras mais apertadas. O BTG explica que o aumento da renda real e a dinâmica de consumo dentro de casa – 65% pretendem assistir aos jogos nas suas residências – devem sustentar a atividade do varejo. O banco explica que os eventos de futebol geram um aumento total de cerca de 4,7% no consumo do varejo em relação aos períodos normais.
São 48 seleções, 104 partidas e 39 dias de campeonato. Esse formato ampliado do torneio aumenta a duração e a frequência das ocasiões de consumo, elevando estruturalmente as oportunidades de demanda. Além disso, 43% dos jogos serão no período da noite, entre 19h e 23h, fortalecendo categorias ligadas ao consumo social. No geral, embora os riscos macro persistam, a combinação entre um evento mais longo e melhora da renda real cria um ambiente líquido positivo para o consumo.
A demanda da Copa pode se descolar parcialmente da fraqueza econômica de curto prazo e funcionar como um estímulo temporário para algumas categorias, explicou a casa. Inclusive, um dos insights mais relevantes do estudo é que o pico de consumo ocorre antes do jogo, e não durante a partida. A Scanntech prevê um crescimento de 6,7% nas lojas no dia anterior às competições, já que os torcedores se preparam para evitar compras durante a partida.
Durante qualquer partida de futebol que envolva times conhecidos nas cidades, a dinâmica das vendas, as transações sobem 19,1% nas duas horas antes do início do jogo e caem 15,4% durante a partida, confirmando uma forte concentração temporal da demanda. Agora, em grandes torneios como a Copa do Mundo esse efeito se intensifica passando para +69,2% antes do jogo e -61,3% durante o jogo.
Vale lembrar que a dinâmica da cesta de compras também se fortalece. O ticket médio de categorias relevantes sobe cerca de 24% no D-1, acompanhado por maior penetração de categorias e ampliação do mix de produtos.
Varejistas ganham mais aos sábados
Seguindo a lógica dos jogos noturnos, o BTG defende que o dia da semana também influencia no desempenho do varejo. Jogos realizados nos fins de semana, especialmente aos sábados, geram os maiores impactos positivos, com aumento de até 18,8% no fluxo de consumidores no dia anterior, já que as compras coincidem com os ciclos naturais de reposição do fim de semana. Nos dias úteis, a rotina de trabalho limita ocasiões de consumo.
Ou seja, o “efeito jogo” não é uniforme, mas sensível à programação da Copa. O calendário de 2026 é particularmente favorável, com jogos-chave posicionados para maximizar os picos de fluxo, incluindo a partida de abertura no dia 11 de junho, um sábado.
“Churrasquinho” para assistir aos jogos aumentará 200%
Os dias de Copa provocam uma migração do consumo cotidiano para produtos associados a encontros sociais, como a famosa ‘picanha com cervejinha’. O banco diz que categorias como carnes, snacks e bebidas têm o histórico de apresentar crescimento expressivo. Compras de churrasqueiras crescem 227%, pipoca de micro-ondas 120% e amendoim salgado 86%. Os destilados e bebidas premium também entram em campo, enquanto itens básicos tradicionais tendem a perder desempenho.
O BTG lembra que dentro das categorias existe uma mudança de produto escolhido que altera o valor do consumo total. Por exemplo, o corte de carnes voltado para compartilhamento supera os cortes do dia a dia. “Olhando para 2026, as trends [tendências] são de premiumização dos bens, alternativas mais saudáveis — zero açúcar e baixa caloria — e integração do consumo digital”, explica a casa. A Copa do Mundo não altera somente o quanto é consumido, mas o que é consumido com premissas de