Nesta terça-feira (19), por volta das 10h (de Brasília), o Brent para julho recuava 1,40%, a US$ 110,53 por barril, enquanto o WTI para o mesmo mês caía 0,88%, a US$ 103,46. Apesar da correção, os contratos seguem em patamares historicamente elevados e mantêm no radar o temor de inflação global mais persistente.
O recuo acontece depois de Trump afirmar que os ataques foram adiados “talvez para sempre”, após pedidos de líderes do Golfo para que Washington abrisse uma nova rodada de conversas com Teerã.
Mercado troca prêmio de guerra por cautela diplomática
A fala do presidente americano trouxe algum alívio para investidores depois de dias marcados por tensão extrema envolvendo o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo.
O mercado passou a trabalhar com a possibilidade de um acordo que reduza os riscos de interrupção na oferta global da commodity. Ainda assim, a percepção predominante é de que o conflito continua longe de uma solução definitiva.
Segundo relatos citados pela imprensa internacional, o Irã avalia reabrir Ormuz, mas sem permitir a passagem de embarcações dos Estados Unidos, de Israel e de países aliados.
Petróleo pressiona inflação e juros globais
Apesar da queda desta terça-feira, o petróleo opera acima dos níveis considerados confortáveis para bancos centrais ao redor do mundo.
O Brent ainda permanece acima de US$ 110 por barril, faixa que reforça preocupações com combustíveis, fretes e custos industriais em diferentes economias.
Nos Estados Unidos, o avanço recente do “ouro negro” aumentou apostas de juros elevados por mais tempo, pressionando os rendimentos dos Treasuries, títulos do Tesouro americano, e fortalecendo o dólar globalmente. O mesmo movimento afeta mercados emergentes e reduz o espaço para cortes de juros em países como o Brasil.
Petroleiras acompanham recuo da commodity
Na B3, o movimento de correção do petróleo tende a reduzir parte do fôlego recente das ações ligadas à commodity, embora o setor continue entre os principais focos do mercado.
As petroleiras vinham sustentadas pelas sucessivas altas do Brent e pela percepção de que um petróleo acima de US$ 100 melhora geração de caixa e potencial de dividendos das empresas do setor.
Nesta terça-feira, investidores também repercutem relatório da Genial Investimentos sobre Prio (PRIO3). A corretora avalia que a companhia deve anunciar sua política formal de dividendos no segundo semestre de 2026 e estima potencial de retorno acumulado entre 20% e 30% até o fim de 2027, dependendo do comportamento do Brent e da produção da empresa.
Segundo a Genial, o cenário atual ainda é “poluído” pela forte volatilidade do petróleo, além de fatores como recompra de ações, aquisição do campo de Peregrino e imposto de exportação.
*Com informações da Broadcast.