Ao longo da sessão quarta, as atenções dos investidores se voltam para a ata da reunião do Federal Reserve (Fed, banco central americano) que manteve os juros norte-americanos no intervalo de 3,5% a 3,75% ao ano. O documento irá ajudar o mercado a balizar as apostas sobre a condução da política monetária dos Estados Unidos para os próximos meses.
“Há um forte movimento de aversão ao risco globalmente, pelas pressões inflacionárias derivadas dos impactos do conflito no Oriente Médio sobre os preços do petróleo, que pressionam as taxas das Treasuries. No entanto, sinalizações positivas entre EUA e Irã podem reverter este clima”, afirma Bruno Perri, economista e sócio da Forum Investimentos.
Na sessão de ontem, os juros dos títulos públicos americanos atingiram o maior nível desde 2007 em função do impasse das negociações de um acordo paz entre os EUA e o Irã. O juro da T-note de 2 anos subiu a 4,110%, o rendimento da T-note de 10 anos avançou a 4,660% e o T-bond de 30 anos teve alta a 5,178%. Mais cedo, o T-bond de 30 anos chegou a bater máxima a 5,1969%.
No ambiente doméstico, o mercado monitora os desdobramentos sobre o envolvimento do senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, no caso Master. Ontem, a pesquisa Atlas/Bloomberg, mostrou os reflexos do efeito do “Flávio Day 2.0″ nas intenções de votos. Após áudio em que Flávio Bolsonaro pede dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro vir à tona, o candidato perdeu 5,4 pontos porcentuais no primeiro turno e 6 pontos em um eventual segundo turno contra o presidente Lula.
Com isso, o petista passou a liderar a disputa contra o candidato da direita no segundo turno e ampliou a vantagem no primeiro, de acordo com pesquisa Atlas/Bloomberg. Nesta terça-feira, Flávio Bolsonaro admitiu que se reuniu pessoalmente com Daniel Vorcaro em São Paulo após a primeira prisão do dono do Banco Master, em novembro, pela Polícia Federal.
“Fui sim à casa de Vorcaro, para pôr ponto final nessa história”, disse, em pronunciamento em Brasília. O senador não respondeu a perguntas dos jornalistas.
Na sessão de ontem, o dólar ganhou força e encerrou com alta de 0,84%, cotado a R$ 5,0405.