No caso da Eneva, a pressão veio ontem das incertezas envolvendo o leilão de reserva de capacidade, considerado central para a tese recente de valorização da companhia. O mercado financeiro reagiu a discussões no Tribunal de Contas da União (TCU) e a questionamentos judiciais sobre possíveis falhas concorrenciais e risco de sobrepreço no processo.
Ao longo da última segunda-feira, porém, o tom mais moderado adotado tanto pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) quanto pelo TCU ajudou a reduzir o receio de paralisação imediata do certame. Nesta quarta, investidores passaram a recompor posições na companhia. Por volta das 12h, ENEV3 avançava 3,76%, a R$ 25,12, entre as maiores altas do Ibovespa.
A B3 atravessou um movimento diferente. A ação da operadora da Bolsa de Valores brasileira caiu quase 5% ontem depois da escolha de Christian Egan para assumir a presidência da companhia no lugar de Gilson Finkelsztain. Parte do mercado esperava a indicação de Luiz Masagão, atual vice-presidente de Produtos e Clientes da empresa.
A reação negativa ganhou força em um pregão já marcado pelo aumento da aversão a risco no Brasil após a pesquisa Atlas/Bloomberg reacender preocupações fiscais ligadas à eleição de 2026. Nesta terça, porém, o mercado passou a revisar parte das vendas da sessão anterior, e B3SA3 subia 6,10%, negociada a R$ 16,86 perto das 12h30.
Os dois casos ajudam a dar contorno a um ambiente mais líquido e sensível a notícias. Nesse caso, movimentos bruscos são rapidamente corrigidos no pregão seguinte, principalmente em ações que concentram fluxo elevado e forte participação de investidores institucionais.