A alta da inadimplência tem levado os bancos a apertar a concessão de crédito no Brasil, enquanto a demanda segue resiliente, criando uma dinâmica de maior seletividade no sistema financeiro, segundo relatório do BTG Pactual.
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A alta da inadimplência tem levado os bancos a apertar a concessão de crédito no Brasil, enquanto a demanda segue resiliente, criando uma dinâmica de maior seletividade no sistema financeiro, segundo relatório do BTG Pactual.
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Segundo o Banco Central, a oferta de crédito ficou mais restritiva neste primeiro trimestre do ano e deve apertar ainda mais no 2T26, principalmente por fatores de risco. O principal vetor de restrição da oferta veio do nível de inadimplência do mercado, que caiu de -0,48 para -0,73 dentro de uma escala que vai de -2 a +2, baseada na percepção dos bancos – quanto mais negativo o número, mais restritivas são as condições.
“Já havíamos sinalizado o aumento das preocupações relacionadas à qualidade dos ativos em nosso relatório da viagem aos EUA no mês passado”, explica o BTG Pactual. O banco lembra que essa preocupação ficou ainda mais evidente durante a temporada de resultados do 1T26, “quando as teleconferências passaram a concentrar atenções com mais força na qualidade do crédito, e as ações eram punidas sempre que os indicadores de inadimplência decepcionavam – mesmo que marginalmente”.
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Ainda assim, embora os riscos macroeconômicos tenham aumentado, “seguimos esperando que a inadimplência permaneça relativamente controlada nos próximos trimestres”, defende a casa, sustentada por importantes amortecedores da qualidade do crédito às famílias, incluindo massa salarial resiliente, apetite por crédito vindo das fintechs (empresas que combinam tecnologia e inovação para oferecer soluções financeiras digitais), os efeitos ainda presentes do Desenrola 2.0 e o estímulo dos empréstimos consignados privados.
“Esses fatores não resolvem o problema estrutural de endividamento das famílias brasileiras, mas devem ajudar a reduzir o risco de uma deterioração mais forte no curto prazo”, defende o banco.
A Pesquisa de Condições de Crédito do Banco Central é baseada nas avaliações das próprias instituições financeiras sobre as condições de oferta e demanda de crédito no sistema financeiro brasileiro.
Pelo lado da oferta, os critérios de aprovação pioraram na maior parte dos segmentos durante o 1T26 e devem continuar restritivos no 2T26, “reforçando a postura mais cautelosa dos bancos em relação ao risco” diz o BTG.
As grandes empresas permaneceram relativamente estáveis em território negativo durante o trimestre, embora os bancos esperem um aperto adicional pela frente. As pequenas e médias empresas também pioraram, apesar da expectativa de leve melhora no 2T26.
“O crédito ao consumidor seguiu a mesma direção, com condições de aprovação mais restritivas e expectativa de manutenção em níveis semelhantes no próximo trimestre”, reforça a casa.
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Segundo o banco, o crédito imobiliário foi o principal ponto fora da curva positivo, com melhora nas condições de oferta durante o 1T26, sustentada principalmente pelos esforços de aquisição de clientes e pelas condições ainda saudáveis do mercado de trabalho.
“No entanto, os bancos já esperam deterioração no 2T26, principalmente devido à piora dos fatores de risco”, enfatiza.
Pelo lado da demanda, porém, as condições seguem relativamente resilientes. A demanda por crédito ao consumidor permaneceu positiva durante o trimestre, enquanto os bancos esperam alguma melhora à frente, principalmente entre pequenas e médias empresas e no crédito imobiliário.
Em outras palavras, oferta e demanda estão caminhando em direções opostas: os tomadores continuam querendo crédito, mas os bancos estão cada vez mais seletivos.
Ao analisar os fatores por trás das condições de crédito mais apertadas, os elementos ligados ao risco claramente dominaram a deterioração em todos os segmentos, explica o banco.
Entre as grandes empresas, os principais fatores negativos foram a percepção de risco dos clientes, as condições específicas de empresas e setores e a inadimplência do mercado.
Nas pequenas e médias empresas (PME’s), os bancos também destacaram a piora das condições específicas dos clientes, aumento da inadimplência e menor tolerância ao risco, embora linhas direcionadas e participação do BNDES continuem compensando parcialmente o aperto dos critérios.
O primeiro trimestre costuma ser sazonalmente mais fraco para a qualidade dos ativos, e esse efeito ficou particularmente visível em alguns casos.
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No Nubank (ROXO34), por exemplo, a sazonalidade provavelmente foi amplificada pela migração mais acelerada para crédito ao consumidor sem garantia nos últimos trimestres, enquanto no Inter (INBR32) mudanças no mix da carteira e obstáculos operacionais temporários ligados ao consignado privado também pressionaram os indicadores de crédito.
Ainda assim, “nas teleconferências, CEOs e CFOs reconheceram de forma geral que o risco de inadimplência aumentou”, explica, refletindo inflação mais persistente, juros elevados por mais tempo e um cenário macroeconômico mais incerto.
O ponto principal, porém, é que o Brasil ainda possui diversos fatores de sustentação da capacidade de pagamento de famílias e empresas. A massa salarial segue resiliente, apoiada por um mercado de trabalho ainda forte, enquanto o consignado privado se tornou uma fonte adicional de liquidez (a velocidade e a facilidade com que um ativo pode ser transformado em dinheiro sem perder valor).
O BTG reforça, no relatório, que Itaú (ITUB3; ITUB4) continua sendo visto como “porto seguro” dentro do setor bancário brasileiro – percepção que parece ainda mais forte após os resultados do 1T26.
“A B3 (B3SA3) também ganha relevância como forma de exposição ao setor financeiro brasileiro sem assumir diretamente risco de inadimplência”, orienta a casa.
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O banco afirma que o principal debate continua sendo o Nubank (ROXO34). Investidores locais seguem mais otimistas e comprados no papel, enquanto estrangeiros permanecem mais preocupados com uma possível deterioração da inadimplência e mais céticos em relação à exposição do banco aos EUA.
“Seguimos construtivos com o Nubank no médio prazo, mas reconhecemos que a relação risco-retorno no curto prazo não parece particularmente favorável”, pondera.
Se a companhia entregar um segundo trimestre forte, com melhora da margem financeira ajustada ao risco, como indicado, “as ações podem reagir positivamente”, explica o BTG. Porém, as preocupações com qualidade dos ativos dificilmente desaparecerão rapidamente.
O banco avalia que, se o Nubank desacelerar o crescimento de forma mais relevante ou apresentar sinais mais claros de deterioração do crédito, poderá ver pressão adicional sobre as ações.
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