O Tesouro Direto voltou a oferecer retornos elevados, com títulos como o Tesouro Educa+ pagando até IPCA + 7,95%, ao mesmo tempo em que o recém-lançado Tesouro Reserva ganha tração ao apostar em liquidez total e menor volatilidade.
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O Tesouro Direto voltou a oferecer retornos elevados, com títulos como o Tesouro Educa+ pagando até IPCA + 7,95%, ao mesmo tempo em que o recém-lançado Tesouro Reserva ganha tração ao apostar em liquidez total e menor volatilidade.
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“O Tesouro Prefixado mais longo já opera acima de 14% ao ano, e o Tesouro IPCA+ [Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo] com vencimento em 2032 entrega prêmio real de 7,68% ao ano acima da inflação“, um nível historicamente elevado, explica André Matos, CEO da MA7 Negócios.
Segundo o especialista, o que determina o comportamento dessas taxas são a “expectativa sobre a Selic e a trajetória inflacionária”. Com os juros a 14,50% ao ano e o Comitê de Política Monetária (Copom) em ciclo de afrouxamento gradual, o mercado precifica “a velocidade e a profundidade dos próximos cortes, e esse cálculo se reflete diretamente nos vencimentos mais longos”, afirma.
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Matos complementa que o risco fiscal doméstico e os juros americanos completam esse quadro, porque qualquer deterioração nesses dois vetores empurra os prêmios para cima e encarece os títulos para quem compra hoje.
Vale destacar, reitera o CEO, o Tesouro Reserva. Lançado em 11 de maio, com rendimento atrelado à Selic, sem marcação a mercado e disponível para negociação 24 horas por dia, sete dias por semana, o que amplia o acesso e a previsibilidade para o investidor pessoa física que busca segurança antes de retorno.
No caso do Tesouro Selic, a taxa adicional permanece bastante baixa, em torno de 0,0453% ao ano no papel com vencimento em 2028, o que indica pouca volatilidade e manutenção do perfil conservador desse título. O preço unitário gira próximo de R$ 18,2 mil, com aplicação mínima na casa de R$ 182,89, mantendo-se como principal alternativa para reserva de liquidez e proteção contra oscilações de mercado.
Veja um exemplo:
Já os títulos Tesouro IPCA+ (sem juros semestrais) seguem oferecendo prêmios expressivos. O papel com vencimento em 2029 paga cerca de IPCA + 7,63%, enquanto os mais longos, como 2040 e 2050, oferecem taxas de 7,37% e 7,09%, respectivamente.
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A inclinação da curva, com taxas mais altas nos prazos intermediários, sugere um prêmio maior concentrado no médio prazo, refletindo expectativas de inflação e juros ainda elevados no horizonte mais próximo, com alguma acomodação no longo prazo.
No segmento de IPCA+ com juros semestrais, o título com vencimento em 2035 apresenta taxa de IPCA + 7,48%, também em patamar elevado. Esse tipo de papel continua sendo mais indicado para investidores que buscam fluxo de renda periódica, embora com maior sensibilidade à marcação a mercado.
Os produtos voltados a objetivos específicos, como o Tesouro Renda+ (aposentadoria), mostram uma curva longa relativamente estável, com taxas que partem de IPCA + 7,44% em 2049 e vão caindo gradualmente nos vencimentos mais longos, como 2084. Esse comportamento indica uma ancoragem das expectativas de inflação no longo prazo, ainda que em níveis elevados de juros reais.
Da mesma forma, o Tesouro Educa+ apresenta taxas reais bastante atrativas, principalmente nos vencimentos mais curtos, como 2030 (IPCA + 7,95%) e 2031 (IPCA + 7,89%). Ao longo da curva, há uma leve queda nas taxas até cerca de IPCA + 7,28% em 2046, reforçando o mesmo padrão observado nos demais títulos: prêmios mais altos no curto e médio prazo.
O quadro atual do Tesouro Direto hoje mostra juros reais ainda elevados, curva levemente inclinada e oportunidades mais interessantes nos prazos intermediários, enquanto o Tesouro Selic segue como instrumento de estabilidade.
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