Os mercados globais atravessam a sessão desta terça-feira (26) sem direção única, com investidores recalibrando o apetite ao risco após a reaceleração das tensões geopolíticas no Oriente Médio, que devolveu força ao petróleo Brent e reacendeu discussões sobre o impacto da energia na inflação.
Apesar disso, os Treasuries, títulos do Tesouro americano, recuam, aparentemente refletindo a leitura de que a via diplomática ainda pode prevalecer e aliviar pressões inflacionárias mais persistentes. Em Wall Street, o apetite por risco aparece com mais clareza, sustentado por papéis ligados a semicondutores e inteligência artificial, enquanto as bolsas da Europa operam de forma mais cautelosa diante do mesmo pano de fundo.
No câmbio, o dólar oscila perto da estabilidade frente a moedas fortes, em meio ao equilíbrio entre diferencial de juros e incertezas sobre os próximos passos do cenário externo.
No Brasil, a Bolsa não acompanha o fôlego do exterior, em ambiente de aversão a risco local e com setores mais sensíveis a juros perdendo tração. A alta do Brent dá algum suporte às ações de energia, mas a queda do minério de ferro limita o humor e pesa sobre nomes ligados a metais.
Na curva, os juros futuros sobem desde a abertura, com o petróleo funcionando como um “termômetro” de risco e inflação de curto prazo, mesmo com o alívio dos Treasuries lá fora. Por volta das 14h30, o Ibovespa caía 1,23%, aos 175.636 pontos, enquanto o dólar avançava 0,23% frente ao real, cotado a R$ 5,03.
Entre as ações que compõem o Ibovespa, o petróleo mais caro puxa o desempenho relativo das empresas de energia: Petrobras (PETR3; PETR4) melhora ao longo do dia e Prio (PRIO3) se destaca, enquanto outras petroleiras oscilam com o ajuste de posições após o feriado nos EUA.
Na outra ponta, a alta dos juros futuros e o menor apetite ao risco pressionam os setores “domésticos”: varejo, bancos e construtoras lideram as quedas, com recuos mais intensos em nomes como C&A (CEAB3), Magalu (MGLU3), Renner (LREN3) e também em grandes bancos.
Entre os players de commodities metálicas, a sessão fica mais pesada com o minério de ferro em baixa, o que limita Vale (VALE3) e empresas correlatas, ainda que alguns papéis do segmento resistam. No noticiário corporativo, há pontos de apoio: Copasa (CSMG3) reage com melhora na percepção sobre o processo de privatização, e Ambev (ABEV3) sobe após revisão positiva de recomendação, enquanto resultados e expectativas de custos mantêm seletividade em outros nomes.
Publicidade