MGLU3 R$ 25,99 +1,96% DÓLAR R$ 5,47 +0,00% EURO R$ 6,66 +0,03% BBDC4 R$ 25,01 -1,84% ITUB4 R$ 29,27 -2,14% PETR4 R$ 27,09 -1,67% IBOVESPA 117.380,49 pts -0,80% ABEV3 R$ 15,15 -2,95% VALE3 R$ 93,17 -0,20% GGBR4 R$ 25,36 +1,36%
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Desmistificando o mercado financeiro

Leandro Miranda é responsável pela Ágora Investimentos e diretor-executivo e de Relações com Investidores do Bradesco. Liderou a área de Investment Banking quando o BBI foi escolhido por Euromoney, Global Finance e The Banker como o Melhor Banco de Investimento do Brasil e o Banco de Investimento mais Inovador da América Latina por três anos consecutivos (2016, 2017 e 2018).

Escreve às segundas-feiras, a cada 15 dias

Leandro Miranda

Ajustando a carteira para 2021: RISK ON

A composição do portfólio de cada um dependerá do seu apetite a risco, de sua necessidade de liquidez e de sua familiaridade com os mercados, produtos e ativos financeiros

Conceito de risco (Foto: Evanto elements)
Conceito de risco (Foto: Evanto elements)
  • A contínua predisposição dos Bancos Centrais em prover liquidez e manter as taxas de juros em níveis bastante baixos para uma economia que ainda mostra recuperação lenta deve perdurar por um bom tempo
  • Com a perspectiva de inflação no Brasil sendo compensada por juros reais nulos e não mais tão negativos, a renda fixa deve trazer um retorno melhor

A descoberta de vacinas para covid-19 é um fato, e as dúvidas vêm da melhor escolha em termos de eficácia e logística, bem como do tempo para implementação. A contínua predisposição dos Bancos Centrais em prover liquidez e manter as taxas de juros em níveis bastante baixos para uma economia que ainda mostra recuperação lenta deve perdurar por um bom tempo. A perspectiva de lockdowns mais curtos e seletos já se mostra como a escolha mais provável. A volta dos Democratas ao governo nos EUA com um olhar mais favorável ao comércio global. Tudo isso nos traz um cenário benéfico para o investimento em crescimento do comércio mundial e da economia real como um todo. Por conta disso, a percepção é clara: o apetite a risco voltou.

Economias e moedas emergentes devem beneficiar-se desse cenário, que traz de volta o investidor institucional internacional em busca da recomposição de suas posições históricas, principalmente em países com as melhores perspectivas de retomada de crescimento global e local como o Brasil. Por conseguinte, dólar, ouro e juros externos podem cair.

O setor de commodities deve continuar a apresentar altas sucessivas por conta do retorno do crescimento econômico. Nesse cenário, o mundo volta a ficar mais atuante e globalizado.

O setor imobiliário brasileiro deve continuar a aproveitar as taxas de juros mais baixas da nossa história, o alongamento de prazos, a poupança realizada durante a pandemia e a ampla oferta de crédito imobiliário para aumentar a oferta de ativos na construção, compra e aluguel.

O setor bancário mundial, em especial o latino e o norte-americano, demonstrou que sai da crise ainda mais eficiente, com um controle de custos e uma qualidade creditícia de seus portfólios muito melhor do que se esperava e surpreendentemente mantendo seus níveis de retorno operacional pré-pandemia, apesar de maior concorrência e desafios regulamentares.

O setor de varejo, de transporte e turismo se beneficiam igualmente desse desejo de compensar o período de quarentena.

Enfim, setores de value e commodities voltam a brilhar no lugar de growth.

Como a diabo está nos detalhes, atenção para questões como ESG (ambiental, social e governança corporativa, na sigla em inglês) e DnI (Diversity and Inclusion ou diversidade e inclusão), que pautarão a escolha dos principais investidores por ativos dentro dos segmentos beneficiados e, portanto, oferecerão melhores múltiplos.

Com a perspectiva de inflação no Brasil sendo compensada por juros reais nulos e não mais tão negativos, conforme os mercados de juros futuros já apontam, a renda fixa deve trazer um retorno melhor, beneficiando os investidores que, entretanto, devem estar atentos à variação de preços em caso de prazos longos, prefixações e liquidez.

A composição do portfólio de cada um dependerá do seu apetite a risco, de sua necessidade de liquidez e de sua familiaridade com os mercados, produtos e ativos financeiros. Ao invés de escolher diversos ativos individualizados, pode ser mais seguro e prático escolher bons gestores. E, sempre que possível, é saudável financeiramente investir na educação financeira e numa boa assessoria de investimentos, pois as opções serão inúmeras.

Apesar de o céu indicar ser de brigadeiro, vale lembrar que estamos saindo de uma situação sanitária e econômica inédita e que muitas mudanças não previstas podem ocorrer. Então, vale a pena não só olhar as boas oportunidades, mas também ter uma boa reserva para volatilidades e tempestades ocasionais. Afinal, vivemos em um país emergente e num mundo novo onde tudo pode acontecer.

Fale com o colunista por aqui: miranda.leandro@bradesco.com.br

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