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Comportamento

Como chegar ao topo? As dicas de três executivas do mercado financeiro

Saiba quais são os conselhos de mulheres líderes na Wright Capital, Quasar Asset e Itaú

Por Jenne Andrade

11/03/2023 | 6:50 Atualização: 10/03/2023 | 17:47

Fernanda Franco (Quasar Asset), Roberta Anchieta (Itaú) e Fernanda Camargo (Wright Capital e Anbima). Foto: Moose Mídia
Fernanda Franco (Quasar Asset), Roberta Anchieta (Itaú) e Fernanda Camargo (Wright Capital e Anbima). Foto: Moose Mídia

Fernanda Camargo, diretora da Anbima, sócia-fundadora da Wright Capital e colunista do E-Investidor, iniciou a carreira no mercado financeiro quando a B3 não existia. Eram os anos 1990, época em que o país tinha duas bolsas: a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro.

Leia mais:
  • As três mulheres pretas na sala da Anbima
  • Mercado financeiro: mulheres em altos cargos ainda são minoria
  • B3 vai exigir mais diversidade em empresas listadas
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Nesse mesmo período, Fernanda Franco, CEO da Quasar Asset, deu seus primeiros passos na carreira – caminho que a levaria longe, para o cargo mais alto de uma gestora de investimentos. Pouco tempo depois, nos anos 2000, seria a vez de Roberta Anchieta, diretora de Administração Fiduciária do Itaú Unibanco, iniciar a trilha que futuramente desembocaria em uma posição de liderança em um dos maiores bancos privados do país.

As três executivas começaram no mercado financeiro em um tempo em que a presença de mulheres era rara no ambiente corporativo. Para entender essa situação, basta lembrar que mulheres representam 51,1% da população brasileira, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) referentes a 2021.

Ainda assim, esse público representa apenas 25% dos cargos de liderança em empresas, segundo a consultoria especializada em diversidade Gestão Kairós. Mulheres pretas, como Anchieta, do Itaú, são somente 3% dos líderes.

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Não seria exagero dizer que Camargo, Frango e Anchieta abriram portas para outras profissionais ascenderem no mercado financeiro, quando não havia nenhum incentivo nesse âmbito. Da mesma forma, elas contribuíram para o amadurecimento cenário de investimentos brasileiro.

Essas líderes participaram do encontro promovido pelo E-Investidor, Fin4She e Anbima na quarta-feira (1) com mais de 50 executivas de mercado, no âmbito das ações do mês da mulher. Também foram as convidadas principais do painel “Novos caminhos para a equidade de gênero no mercado financeiro”.

A seguir, essas especialistas dão dicas para iniciantes no mercado financeiro chegarem ao topo.

O que falta para termos um mercado financeiro com mais diversidade racial e de gênero?

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Fernanda Camargo (Wright Capital ) – Falta levar esse olhar de empatia, de entender o outro, das pessoas saírem do seu mundinho e ir para outras realidades. Ninguém se perde no Itaim e vai parar na periferia:  a pessoa tem que querer i, e a gente precisa fazer isso. Senão, não conseguiremos entender porque há falta de oportunidades.

Fernanda Franco (Quasar Asset) – Falta tanta coisa. O que eu defendo é a gente educar as pessoas que já estão no mercado financeiro para que elas entendam o que é, de fato, diversidade, e o que eu ganho com ela. O ganho de diversidade de pensamento, de pessoas, é algo que agrego no meu negócio e consigo contribuir para a sociedade de uma forma melhor.

O mercado financeiro tem um papel fenomenal na sociedade porque gera riqueza e pode gerar muito mais se ele for diverso. Só que nesse atual modelo, repleto de homens machistas, héteros e etc., fica difícil promover essa diversidade.

Aí voltamos para o ponto inicial: precisamos educar os homens machistas, também precisa ser uma pauta. Alguém tem que pegar na mão deles e falar “esse seu modelo não funciona mais no mundo de hoje, você está perdendo dinheiro”.

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Roberta Anchieta (Itaú) – De quando comecei no mercado de trabalho, há 23 anos, a evolução é nítida, mas ainda há uma longa jornada pela frente. As questões relacionadas à diversidade e inclusão passam por aspectos culturais e estruturais da sociedade e das empresas nela inserida. Para que sigamos avançando nessa transformação são necessárias ações de conscientização, muito diálogo, escuta ativa dos grupos subrepresentados e ações intencionais voltadas para seleção e encarreiramento desses grupos.

Quais são seus conselhos para mulheres que estão iniciando uma carreira no mercado financeiro?

Camargo (Wright Capital) – Eu comecei na década de 90, realmente não tinha mulher. O que deu certo para o meu caso foi ser “cara de pau” e ter muita persistência. Eu mandava meu currículo 50 vezes, mandava mensagens, ficava ligando…a gente tem que acreditar. Quando fui trabalhar nos EUA não tinha dinheiro, muito menos falava inglês. Me mudei para lá porque consegui a vaga depois de muita “encheção” de paciência e fui aprender inglês porque eu precisava comer, mais ou menos por sobrevivência (risos). Temos que fazer as coisas mesmo com medo, temos que ir para frente com medo mesmo.

Franco (Quasar Asset) – O primeiro ponto é escolher alguma mulher que já trabalhe no mercado e divida suas angústias com ela, peça uma mentoria, vá tomar um café, porque você vai enfrentar muitos desafios. Isto porque estamos em um mercado predominantemente masculino, branco, hétero, então a mulher tem a tendência de se achar sempre menos. A velha síndrome da impostora, se sentir insegura, medrosa.

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Se ela não estiver muito firme na decisão de trilhar aquela carreira, consciente de que serão muito os obstáculos e que o ambiente nem sempre será acolhedor, vai acabar desistindo. Por isso é importante trocar experiência com alguém que já está “lá” e que possa te guiar ou, muitas vezes, apenas ouvir seu desabafo, seu choro. A mentoria e a troca com outras mulheres que já estão no mercado é muito importante.

Anchieta (Itaú) – Vou dizer três coisas que gostaria de ter ouvido no início da minha carreira: estude muito e seja profunda nos temas em que atua; prepare-se bastante, mas não tente ser perfeita, saiba que você vai errar. O erro é humano e o que vai te definir é como você lida com ele; conecte-se com diferentes pessoas, de diversos níveis, mercados e empresas – isso certamente fará uma profissional mais completa e conectada.

Quais os três livros de finanças e negócios que foram importantes na sua trajetória?

Camargo (Wright Capital) – O que me marcou pelo que eu faço é o livro do David F. Swensen, do modelo Yale, sobre alocação de patrimônio (Pioneering Portfolio Management ou Desbravando a Gestão de Portfólios, em português). Os outros eu diria que não são tão de mercado, mas recomendo muito Let My People Go Surfing. Este livro, do Yvon Chouinard, fundador da varejista Patagonia, fala sobre como é possível fazer uma empresa de bilhões e ser 100% sustentável e inclusivo. Foi ele também que fez a lei de licença maternidade dos EUA, o olhar dele é super incrível. Sempre gostei também dos livros do Warren Buffett, que falam de longo prazo, que é algo que os investidores precisam aprender também.

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Franco (Quasar Asset) – Eu não indicaria livros de finanças e negócios porque acho que isso é técnico, até porque tem um monte e vou esquecer de algum que é importante. Diria que para você sobreviver e se destacar hoje no mercado, você deveria desenvolver muito mais as soft skills (habilidades comportamentais), que são raras no mercado.

As pessoas são muito técnicas, muito inteligentes, sabem muito de números, e sabem pouco de empatia, autoconhecimento, psicologia.

Anchieta (Itaú) – Gosto destes três: “Inspirado: Como criar produtos de tecnologia que os clientes amam” (de Marty Cagan), “Empoderado: Pessoas comuns, produtos extraordinários” (de Marty Cagan e Chris Jones) e “Rápido e devagar: Duas formas de pensar” (de Daniel Kahneman).

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