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Comportamento

Dinheiro traz felicidade? Cientistas dizem que sim

A “sensação de bem-estar” pode continuar a aumentar com uma renda bem acima de US$ 200 mil

Por Adela Suliman, Washington Post

18/03/2023 | 6:40 Atualização: 17/03/2023 | 15:05

A dúvida se o dinheiro traz felicidade chegou ao fim  (Foto: Envato Elements)
A dúvida se o dinheiro traz felicidade chegou ao fim (Foto: Envato Elements)

É uma pergunta que filósofos, economistas e cientistas sociais tentam responder há décadas: o dinheiro pode trazer felicidade?

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Para a maioria das pessoas nos Estados Unidos, a resposta é, aparentemente, sim.

Dois pesquisadores de renome, Daniel Kahneman e Matthew Killingsworth, chegaram a essa conclusão num estudo conjunto publicado este mês no Proceedings of the National Academy of Sciences, a publicação oficial da Academia Nacional de Ciências dos EUA, lançando por terra a crença dominante de que as pessoas costumam ser mais felizes conforme ganham mais, com a alegria delas se estabilizando quando sua renda atinge US$ 75 mil.

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Esse limite foi inicialmente postulado por Kahneman, economista e psicólogo ganhador do Prêmio Nobel de Economia, num estudo de 2010, cuja conclusão foi que “o bem-estar emocional [também] aumenta em função do logaritmo da renda, mas não há mais progressos depois de uma renda anual de US$ 75 mil”.

Entretanto, em 2021, Killingsworth, pesquisador de felicidade e pesquisador sênior da Wharton School da Universidade da Pensilvânia, descobriu que a felicidade não atinge um platô após os US$ 75 mil e que a “sensação de bem-estar” pode continuar a aumentar com uma renda bem acima de US$ 200 mil.

Kahneman e Killingsworth disseram que o estudo foi uma “colaboração antagonista”, onde confrontaram suas teorias umas contra as outras com a ajuda de um mediador. A pesquisa mais recente deles foi ajustada à inflação, afirmaram.

Eles entrevistaram 33.391 adultos com idades entre 18 e 65 anos que vivem nos EUA, estão empregados e relatam ter uma renda familiar de pelo menos US$ 10 mil por ano. Os autores disseram que não tinham dados substanciais para aqueles com renda anual superior a US$ 500 mil.

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Para medir a felicidade dos participantes do estudo, eles foram convidados a relatar seus sentimentos em momentos aleatórios do dia por meio de um aplicativo para smartphone desenvolvido por Killingsworth chamado Track Your Happiness (Monitore sua felicidade, em tradução livre).

Killingsworth disse por e-mail que os dados vieram a partir de “mensagens enviadas várias vezes para as pessoas em instantes aleatórios do cotidiano perguntando sobre a felicidade delas naquele momento em tempo real”. Especificamente, elas eram questionadas a respeito de “Como você se sente neste momento?”, numa escala que ia de “muito mal” até “muito bem”, disse ele.

As conclusões do estudo

A pesquisa chegou a duas conclusões importantes: em primeiro lugar, que “a felicidade continua a aumentar com a renda, mesmo na faixa salarial maior” para a maioria das pessoas, mostrando que para muitos de nós, no geral, ter mais dinheiro pode nos tornar cada vez mais felizes.

No entanto, o estudo também descobriu que havia uma “minoria infeliz”, cerca de 20% dos participantes, “cuja infelicidade diminui com o aumento da renda até certo patamar e depois não mostra mais progresso”.

Essas pessoas tendem a passar por “sofrimentos” que normalmente não podem ser amenizados ganhando mais dinheiro; o estudo cita exemplos como mágoa, luto ou depressão. Para elas, seu “sofrimento” talvez diminua à medida que sua renda sobe para cerca de US$ 100 mil, porém “muito pouco depois disso”, apontou o estudo.

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“Simplificando, isso sugere que, para a maioria das pessoas, rendas maiores estão associadas a mais felicidade”, disse Killingsworth em uma declaração a respeito da pesquisa.

“A exceção são as pessoas financeiramente abastadas, mas infelizes. Por exemplo, se você é rico e triste, mais dinheiro não vai ajudar. Para todos os outros, mais dinheiro estava associado a mais felicidade em graus bastante variados.”

O estudo reconhece que a felicidade ou o bem-estar emocional é uma escala diária variável para muitas pessoas e que “as pessoas felizes não são todas igualmente felizes”, mas defende que existem “graus de felicidade” e muitas vezes um “teto” para a felicidade.

A pesquisa também descobriu que o dinheiro pode afetar a felicidade de forma diferente, dependendo da renda. Entre os que ganham menos, “as pessoas infelizes ganham mais com o aumento de renda do que aquelas mais felizes”, segundo a pesquisa. “Em outras palavras, a parte mais baixa [da pirâmide] da distribuição da felicidade sobe muito mais rápido do que o topo dessa faixa de renda.”

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Em sua declaração, Killingsowrth deixou claro que o dinheiro não é tudo – “apenas um dos muitos determinantes da felicidade”. E acrescentou: “O dinheiro não é o segredo da felicidade, mas provavelmente pode ajudar um pouco”.

O estudo também repercutiu nas redes sociais na quarta-feira, com um usuário do Twitter comentando: “Quem diz que dinheiro não traz felicidade apenas não sabe aonde ir para fazer compras”.

E outro brincou dizendo: “Dinheiro não traz felicidade, mas é melhor chorar numa Ferrari”.

Tradução de Romina Cácia

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